segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MAIS UM ANO DE PERDAS

Mais três pessoas chegadas nos deixaram, o sogro do meu irmão sr. Silvestre, que depois de ter partido uma perna ao ser atropelado teve vários problemas de saúde e veio a falecer, pessoa muito amiga,adorava os netos e a filha a minha cunhada Aida, mulher do meu irmão de quem também gostava muito.
Depois passado pouco tempo faleceu a minha tia Irene, dona da casa onde moramos, depois de longos meses que ela passava em casa da filha, de vez em quando voltava para casa dela, desta vez veio, e um fim de semana foi logo de manha cedo ao café tomar o pequeno almoço, ao vir para casa sentiu uma dor no peito, mas subiu para casa dela e só mais tarde nos disse,quis ir com ela ao hospital mas ela não quis, disse que já tinha passado e que já lhe tinha dado mais vezes, almoçou connosco e depois subiu, disse que ia dormir a sesta,nós dissemos que a chamávamos para lanchar, quando a minha mulher sobe para a chamar ela está na cama e não responde, minha mulher aflita chama-me e vou ver, não lhe sinto o pulso, ainda está quente, ligo para o 115, vieram mas não havia nada a fazer,tinha falecido rebentara uma veia do coração daí a dor que ela sentira,morreu a dormir, sua expressão era serena e calma, não sentira a morte.
Mais um choque para nós,convivia connosco quase á vinte anos sempre nos demos muito bem, viu e acompanhou o crescimento da Célia de quem gostava muito,muito lhe devemos, pois nos recebeu depois de casados,a vida era difícil e nos arranjou a casa para morarmos,convivia muito connosco,sentimos muito a sua falta,por tudo o que nos fez, obrigado tia Irene jamais a esqueceremos.
Depois em Setembro a nossa afilhada Elsa que estava grávida teve um menino, filho muito desejado, era o primeiro filho, surgiram problemas e o Daniel não resistiu, poucos dias esteve entre nós,Deus levou mais um anjinho para junto de Si, foi a tristeza para todos nós,os pais destroçados, é sempre doloroso perder um filho e eles tiveram que superar esta difícil perda, a Célia também ficou muito afectada mas ganhou coragem e fez um poema dedicado ao Daniel que é lindo, ainda hoje ao relê-lo me comovo.
Que este anjinho que Deus levou seja a estrela que guie e proteja seus pais e irmãos.
Daniel ficarás para sempre em nossas memórias,serás recordado com muito amor e saudade, a tua mãozinha a apertar o meu dedo ficará para sempre em minha memória um beijinho Daniel, Deus te acolha em Seu regaço.

1997 MAIS VIAGENS

Começava 1997, e logo no final de Janeiro mais uma viagem, de 27 de Janeiro a 12 de Fevereiro lá vou eu, desta vez atravesso o Atlântico rumo ao México, viagem muito longa e cansativa, Lisboa, Madrid, Cidade do México, 12 horas de viagem sobre o Atlântico uma paisagem muito bonita, e lá chego á capital mexicana, muita poluição, dificuldade em respirar devido á altitude, apanho o autocarro para Puebla, cidade distante cerca de 120 km, e onde estava a ser construída a fábrica para as cablagens da VW, estava a ser chefiada por um engenheiro português, fiquei no mesmo hotel dele e passei a andar sempre com ele nas voltas pelas redondezas, ainda visitamos algumas cidades próximas, comprei uns recuerdos, uns sombréros, e umas camisolas, adorei os pequenos almoços no hotel, muita fruta, sumos naturais, umas belas omeletes, o comer era bom gostei muito dos "tacos" e a cerveja "corona".
Voltei lá de novo de 22 a 30 de Setembro, fui com o chefe de lá a Águas Calientes ver a fabrica dos VW Beatle, e fomos ver umas praias ali perto, a água era um espectáculo eram mesmo águas calientes!!!.
A próxima viagem foi á Polónia de 24 a 31 de Outubro, fui com um colega meu, o Américo que tinha sido imigrante na Alemanha, foi bom pois lá falam muito alemão e ele desenrascou, foi conhecer novos povos novas culturas, malta muito simpática e disposta a ajudar, recordo ainda hoje um almoço oferecido pelo chefe de lá, um prato típico de Gorzow, pernil de porco assado no forno, estava uma delicia,muito estaladiço, já comi em outros sítios mas nada igual aquele.
Por este ano terminaram as viagens mas pelas encomendas previa-se mais para o ano.

domingo, 25 de novembro de 2007

1996 MAIS 5 VIAGENS


Comecei o ano logo com uma viagem á Lituânia, a 8 de Janeiro via Hamburgo para Palanga, em pleno inverno, á chegada tivemos que andar ás voltas com o avião pois estavam a limpar a pista para aterrarmos, era neve por todo o lado, 22º negativos tivemos de ir a pé do avião até ao aeroporto, neve acima do joelho, o que vale é que fomos prevenidos, boas botas e meias ,luvas ,e um bom casaco, no caminho até ao hotel foi engraçado, as estradas lá até são largas, mas só cabia um carro,em volta neve com um metro de altura e o carro não andava, deslizava, nas curvas ora batia num lado ora no outro e lá seguia, estivemos lá 12 dias sempre com neve,na fábrica e no hotel andávamos em mangas de camisa estava quente o pior era para ir comer, mas bem agasalhados lá íamos, e que bem sabia o bom do gelado a todas as refeições, fazia aquecer, mas lá se passou, uma experiência nova que gostei.
A 2 de Março lá vou de novo, desta vez rumo a Brake no norte da Alemanha, sou recebido por um português que era chefe de secção lá na fábrica, tudo correu bem montei o carrocel e voltei 10 dias depois, foi nesta viagem que comi pela primeira vez os celebres "rafaellos", e que a partir daqui eram sempre certos cada viagem que fazia lá vinham os pacotes dos dito cujos, que a Célia muito gostava e ainda hoje os come, pois já cá se vendem.
Mais 2 viagens quase seguidas á Lituânia, de 4 a 20 de Maio e de 4 a 18 de Junho foi uma época de muito trabalho, mas também um ano de ganhar mais uns tostões, que bom jeito viriam a dar mais tarde, as viagens foram normais já nos movimentávamos á vontade, a cidade já não era segredo para nós, fazíamos sempre umas compras, as celebres casinhas, as madrioscas, as peças em âmbar, toalhas em linho, o bom do vodka, etc, e os rafaellos que comecei a trazer de lá pois eram mais baratos.
A fábrica estava já quase completa de carroceis, o pessoal de lá já sabia como montar e ficou combinado que o último que faltava seriam eles a montar, e assim foi conseguiram montá-lo, mas quando chegou á parte da programação aí é que foi pior, ainda dei algumas dicas pelo telefone mas nada, e lá tive que fazer a ultima viagem, de 1 a 4 de Agosto lá fui programar e dar mais umas dicas ao electricista deles foi esta a ultima vez que lá fui, ficaram imensas recordações e alguma saudade, ainda gostava um dia de lá voltar.
Por cá tudo ia bem, nós trabalhando e a Célia estudando, de vez em quando lá íamos ao Alentejo ver o pessoal, a minha mãe lá continuava em casa dela, vinha aos fins de semana estar connosco, e durante a semana lá se entretinha a fazer alguns trabalhos de costura e a conviver com as vizinhas .
Mas mais viagens se previam para 1997, pois começavam a chegar encomendas de carrocéis para o México e para a Polónia.
Mais um ano terminava felizmente tudo corria bem sem grandes problemas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

1995 MAIS DUAS VIAGENS


Depois de restabelecido do problema de saúde voltei ao trabalho em Abril, e ao chegar deparei com uma encomenda muito grande de carrocéis para a Lituânia, foi começar em força fazer quadros eléctricos para todos, e preparar todo o material para enviar para lá, e a 5 de Agosto lá vou eu com outro colega para lá ficarmos até 21 de Setembro, desta vez a viagem foi, Lisboa, Hamburgo e Palanga, que é um aeroporto mais pequeno mas fica só a 28 km de klaipeda.
Palanga tem também uma praia muito boa, que no tempo da União Soviética era praia exclusiva do líder comunista Leónidas Bresnyev, onde mandou construir uma mansão de férias em que até as torneiras do WC são de ouro, agora virou museu.
Este quase mês e meio foi passado a trabalhar, e bem até fizemos horas extras, mas ao fim de semana era passear para conhecer parte do país, e uns bons banhos no mar Báltico, conhecemos algumas cidades como Kaunas, e ainda fomos a Riga capital da Letónia, depois de tudo montado andámos duas semanas sem fazer nada, pois o carregamento dos últimos carrocéis atrasou na viagem devido a greves, foi só comer passear e dormir, até que foi decidido voltar e regressar quando os camiões lá chegassem.
Poucos dias cá tivemos, pois a 29 de Setembro lá fomos via Palanga de novo para montar os dois carrocéis que faltavam, e regressámos a 17 de Outubro, o tempo lá já não deu para praia mas continuámos com o convívio com o nosso amigo Marius.
Voltámos e até ao final do ano não saímos mais, nova encomenda e lá fui preparando nova remessa para o principio do ano seguinte.
Por casa tudo corria bem,fizemos algumas obras em casa, remodelámos a cozinha e casa de banho, contei com a preciosa ajuda do pai do Carlos, que é o marido da minha afilhada Elsa,o sr. José, que era um bom pedreiro e ladrilhador.
A minha mãe lá continuava em casa dela, aos fins de semana vinha até cá e lá ia passando menos mal, tirando um problema que teve quando lhe rebentou uma veia no nariz, e de madrugada me telefonou e tive que ir com ela para o hospital.
A Célia continuava na escola com bom aproveitamento.
Lá se passou mais um ano, o Natal foi passado no Alentejo e o Ano Novo em casa junto com a minha mãe.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O SIMPLES VIROU PESADELO

Fim de ano complicado, depois do falecimento da Felícia,veio mais um problema para mim, já me queixava á algum tempo duma dor provocada por uma hérnia inguinal, um esforço que fiz no trabalho, e no fim do mês de Novembro fui operado.
A cirurgia foi feita numa clínica particular em Lisboa, coisa simples e de restabelecimento rápido, palavra de médico, e de facto foi, tirando um problema com a anestesia, pois deram-me anestesia epidural mas !!!!!, quando o médico pede o bisturi e me corta eu dei um salto,disse-lhe que estava a sentir tudo, e ele pede para me darem anestesia geral, não me lembro de mais nada, acordo no dia seguinte já operado e sem dores , a seguir ao almoço o médico aparece, manda-me levantar e começar a andar, tudo corria bem e ao 3º dia vou para casa,a indicação era andar aos poucos, não fazer esforços durante um mês, e depois podia voltar ao trabalho, tudo corria bem, mas passado uns dias, ao acordar estou sem sensibilidade da cintura para baixo, não me consigo mexer, minha mulher entra em pânico, telefona ao cirurgião, ele veio ver-me e diz que não é nada da parte dele, falou ao anestesista e mandam-me ir para o hospital de S. José em Lisboa onde um colega dele me esperava.
Exames e mais exames e nada, eu não sentia as pernas, fui fazer um exame aos músculos e tendões com choques eléctricos para ver a reacção e o exame não acusou nada.
Mais de um mês se passou e eu sem melhoras, mais exames e tratamentos e nada, estava a começar a entrar em desânimo, não conseguiria mais andar ?.
Mas felizmente aos poucos lá comecei a sentir as pernas, agora estava era todo atrofiado, os músculos parados tanto tempo não respondiam, tive que começar a andar de muletas, passos curtos e dolorosos, muitas dores nas pernas, não tinha como estar, mas lá me fui esforçando, comecei a fazer caminhadas curtas perto de casa, a médica mandou-me por pesos nos pés e sentado elevar as pernas para fortalecer os músculos, tudo isto durou cerca de quatro meses, na ultima consulta ao hospital ,o médico ainda me confidenciou que podia ter ficado para sempre numa cadeira de rodas, que a epidural tinha sido mal dada, mas que esta conversa não passava dali.
Foram quatro meses terríveis mas com o apoio da minha mulher e da minha filha consegui superar, embora ficasse com problemas de tensão alta que até ai nunca tinha tido, e me tem impedido de puder dar sangue, a elas muito obrigado pela força e pelo apoio que me deram.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

MAIS UMA PERDA

Pelo meio destas minhas viagens, ia acompanhando com preocupação o estado de saúde da minha cunhada Felícia, já tinha ficado preocupado, quando pouco tempo antes dos meus anos ela me disse :
- Quero ir aos teus, já me estou a fazer convidada, e pressinto que é o ultimo que passo com vocês.
Confesso que estas palavras mexeram muito comigo, era hábito eles virem aos meus anos, e apesar dela estar mesmo muito doente, foi com muita força de vontade e alegria que nesse dia compartilhou comigo mais um aniversário, estava feliz e contente apesar do sofrimento em seu rosto,era uma mulher de fibra, lutadora e corajosa, os meses seguintes foram de luta feroz e muito sofrimento, mas aquela doença terrível não deu hipótese, por muito, e tudo o que foi possível fazer tanto pelo marido como pelos filhos, ela não resistiu, a minha "irmã " tinha-nos deixado.
Estava eu e minha mulher a trabalhar na firma, quando me chamam ao telefone, era a Célia muito aflita, "pai o que é que eu faço a tia Felícia morreu", foi o choque, depois de tanto sofrimento e luta Deus chamou-a para junto de Si, minha mulher ficou de rastos, a única irmã e tão amigas que eram, acompanhámos-a á sua ultima morada com muita tristeza e dor, confortámos e apoiámos seu marido e filhos, e a partir desse dia mais um dos nossos convívios de família tinha terminado, nada seria como dantes, ficava em nossas memórias para recordar eternamente, todos os momentos de alegria que passámos juntos, a sua energia, a sua boa disposição, a sua alegria contagiante, a boa esposa e mãe que sempre foi, jamais será esquecido por nós.
Ainda hoje recordamos com imensa saudade os Natais que passámos juntos, as Pascoas, os aniversários e os passeios, a tão falada tarte que a Célia nunca mais esqueceu, e o bem saboroso do arroz de pato.
Mais esta perda, tão importante nas nossas vidas, tornou-nos mais unidos, mais compreensivos ao sofrimento e a perceber que devemos lutar até ao máximo das nossas forças pela vida, foi a lição que ela nos deixou, uma mulher com M grande até aos últimos dias da sua vida.
Felicia, por aquilo que fostes para nós, para mim a irmã que não tive, o nosso muito obrigado, certamente Deus deu-te um cantinho muito especial junto Dele, nós por cá viveremos com a tua eterna recordação,por tudo o que partilhámos OBRIGADO FELÌCIA.