Interrompo aqui as minhas memórias,pois algo de importante está a acontecer em nossas vidas,sim minha querida netinha é de ti que estou a falar.
Quando á cerca de três meses atrás,a tua mãe chegou ao pé de mim com um papel, e me disse que tinha uma novidade, li-o com emoção e dei-lhe os parabéns, pois eras tu que estavas a ser gerada, e a partir desse momento passastes a ocupar um cantinho muito especial no coração deste teu avô que já te ama muito.
Pensei em dedicar-te logo um cantinho especial nas minhas memórias, mas resolvi esperar mais um pouco para saber se eras menino ou menina, esse dia chegou hoje, e desculpa este teu avô babado tratar-te por minha netinha, mas não pude esperar, até saber qual o nome que os teus pais escolheram para ti, seja ele qual for será sempre o mais lindo do mundo.
Ao ver-te pela primeira vez nas fotos da ecografia, meu coração sorriu de felicidade, e aquele teu sorriso antevê todos os momentos de alegria e felicidade, que a tua chegada vem trazer a nossa família ,teus pais e avós estão ansiosos pela tua chegada, até lá vamos contando os dias, esperando que nessa tua casinha acolhedora vás
crescendo e despertando para a vida.
Ser avô é ser pai outra vez, e volto a sentir toda a alegria e ansiedade que senti quando a tua mãe nasceu,pedindo a Deus que venhas perfeita e com saúde,e que ao entrares neste mundo, não tão acolhedor e perfeito como esse em que estás agora, os teus avós cá estarão se Deus quiser, para ajudar teus pais a criar-te ,ver-te crescer e dar-te todo o amor do mundo.
Dedico-te este pequeno cantinho nas minhas memórias, não só em meu nome, mas também, e espero que não me levem a mal, em nome das avós Maria José e Celsa, e do avô Sequeira com muitos beijinhos de todos, e um beijinho muito especial do teu avô que te ama muito, Vasco, te esperamos com enorme ansiedade até ao dia em que te possamos abraçar e beijar, uma hora pequenina para ti e tua mãe,
beijiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhos.
terça-feira, 31 de julho de 2007
quarta-feira, 25 de julho de 2007
O MEU NAMORO
Tudo começou no dia dos meus 15 anos, o namoro que deu em casamento,porque antes já tinha tido outros,alguns namoricos de rua,e mais tarde um no meio deste!!!!,mas foi este que vingou.
Foi na festa de S. Salvador de Aramenha no Alentejo que nos conhecemos,eu regressei a Lisboa e começámos a trocar cartas, fomos-nos conhecendo melhor,trocámos ideias,e eu comecei a aproveitar todas as folgas da escola para ir para junto dela.
Era pelo Carnaval, pela Páscoa, pelas férias e pelo Natal, eu lá estava para pudermos namorar.
Não era nada fácil naquele tempo,tinha de ir apanhar o Cacilheiro para Lisboa, ia a pé até Santa Apolónia,apanhava o comboio para Castelo de Vide, e a camioneta para a Portagem,ia para casa dos meus tios Joaquim e Maria.
Graças ao apoio deles, pois lá tinha cama comida e roupa lavada,e muita força para levar este namoro até ao fim,com muito sofrimento e saudade meu e dela, e um amor que foi crescendo dia a dia, conseguimos alcançar o nosso objectivo, casarmos e sermos felizes.
Mas não pensem que foi tudo um mar de rosas !!!!!!!! não,ela morava em S. Julião, são á volta de 18 km até á Portagem, e este menino como é que ia namorar ? pois é!!!!.
Nos primeiros tempos,e como naquela altura não se podia namorar todos os dias, só ás quartas e domingos !!!!!!! pois agora é diferente eu sei, e como ao principio eu não era muito bem visto, quer por vizinhos, quer por parte da família dela salvo o João José que já era meu amigo, e a quem eu ajudava a estar mais vezes com a namorada, que era uma prima minha,eu lá dava a volta á minha tia e ela saía comigo para se encontrar com ele. Estão a ver como era :
-Menino de Lisboa, não conheciam a família,muito menos as intenções, ouve forças para ela desistir,mas como ela também é teimosa e começava a gostar de mim !!!!!! (convencido) lá fomos em frente.
Então fazia assim, tinha lá uma bicicleta que era do meu irmão,punha a dita em cima da camioneta da carreira por volta das 18 horas, parava á porta, dela tirava a bicicleta e subia uma rampa até á casa, lá estava ela á espera do seu príncipe encantado !!! , cumprimentava os futuros sogros e cunhados e lá iamos namorar para a sala,por volta das 23h, 23,30h lá vinha embora, pegava na bicicleta, por vezes escuro de todo, umas vezes com frio outras com calor, e pernas para que te quero, subida aqui descida ali e em 45 min. estava na Portagem, velhos tempos e eu era bom a pedalar, a "ginga" era uma pasteleira sem mudanças, pesadona, mas eu era novo e corria por amor!!!.
O tempo foi passando, comecei a ter a confiança da família dela,e quando lá ia, como estávamos muito tempo sem nos vermos, já namorava mais dias, quando lá ia poucos dias, namorava todos os dias,pelas férias, ia 3 ou 4 vezes por semana, e íamos a muitas festas e bailaricos.
Entretanto abandonei a "ginga", no Inverno ía na carreira e regressava de táxi, tudo combinado, e o Sr. Américo que era o taxista lá estava á meia noite a buzinar, para eu descer a rampa,por vezes atrasava-se para eu namorar mais um pouco,no verão,o meu segundo pai,o meu tio Joaquim, como ele dizia eu era mais um filho.
Eu esperava que ele chegasse do trabalho por volta das 18h,se ele não chegava a casa eu ia ter com ele á taberna da Tónha, e lá levava a motorizada, uma "zundap", que ainda hoje existe, e continua a ser o seu meio de transporte.
As cartas iam-se sucedendo, eu regra geral escrevia dia sim dia não,ela era mais preguiçosa,eu devo ter escrito para cima de mil cartas dela recebi cerca de seiscentas tambem tivemos as nossas zangas e mal entendidos,mas conseguimos superar tudo,e cada ano que passava maiores eram as saudades e a vontade de estarmos juntos,era com imensa alegria que via chegar o dia de ir para o Alentejo,mas era muito difícil e triste o dia que tinha de regressar,cheguei a despedir-me e no dia seguinte aparecer lá de novo, adiava um dia mas sempre tinha de vir embora,e os primeiros dias cá longe eram bem penosos,a vontade era regressar as saudades imensas,mas o nosso lema era pensar que um dia tudo ia acabar e poderíamos estar juntos para sempre,como felizmente veio a acontecer,um dia resolvemos acabar com este sofrer e juntarmos os trapinhos, mas foram os meses mais difíceis e mais longos que passamos até ao tão esperado dia.
O dia escolhido foi,6 de Agosto de 1977,o dia que mudou por completo o rumo da minha vida,o dia ansiosamente esperado e que nós vínhamos sonhando á muitos anos estava ali, terminava o namoro e o noivado, chegava o casamento.
Começava a azafama dos convites, das compras, dos papéis, da igreja e do copo de água e lua de mel !!!!,a ida para a Portagem, era de casa dos meus tios que eu saía para casar.
O casamento era na igreja de S. Julião, e copo de água ía ser no restaurante do Sr. João Carrilho na Portagem, numa esplanada por detrás da casa dos meus tios, chegou a véspera do esperado dia, ainda fui dar o meu ultimo namorico,ajudei no restaurante a preparar a sala, os preparativos em casa, deitei-me bem tarde,foi o ultimo dia de solteiro bem cansativo ,fiz a retrospectiva dos cinco anos de namoro,os dias de saudade e de tristeza por estarmos longe iam acabar, valeu a pena tudo porque passámos ,por amor faz-se e supera-se tudo, e o que ao princípio parecia um sonho estava prestes a tornar-se realidade, afinal nós estávamos apaixonados, eu amava-a
ela tambem dizia que me amava e queríamos ser felizesssssssssss.
Foi na festa de S. Salvador de Aramenha no Alentejo que nos conhecemos,eu regressei a Lisboa e começámos a trocar cartas, fomos-nos conhecendo melhor,trocámos ideias,e eu comecei a aproveitar todas as folgas da escola para ir para junto dela.
Era pelo Carnaval, pela Páscoa, pelas férias e pelo Natal, eu lá estava para pudermos namorar.
Não era nada fácil naquele tempo,tinha de ir apanhar o Cacilheiro para Lisboa, ia a pé até Santa Apolónia,apanhava o comboio para Castelo de Vide, e a camioneta para a Portagem,ia para casa dos meus tios Joaquim e Maria.
Graças ao apoio deles, pois lá tinha cama comida e roupa lavada,e muita força para levar este namoro até ao fim,com muito sofrimento e saudade meu e dela, e um amor que foi crescendo dia a dia, conseguimos alcançar o nosso objectivo, casarmos e sermos felizes.
Mas não pensem que foi tudo um mar de rosas !!!!!!!! não,ela morava em S. Julião, são á volta de 18 km até á Portagem, e este menino como é que ia namorar ? pois é!!!!.
Nos primeiros tempos,e como naquela altura não se podia namorar todos os dias, só ás quartas e domingos !!!!!!! pois agora é diferente eu sei, e como ao principio eu não era muito bem visto, quer por vizinhos, quer por parte da família dela salvo o João José que já era meu amigo, e a quem eu ajudava a estar mais vezes com a namorada, que era uma prima minha,eu lá dava a volta á minha tia e ela saía comigo para se encontrar com ele. Estão a ver como era :
-Menino de Lisboa, não conheciam a família,muito menos as intenções, ouve forças para ela desistir,mas como ela também é teimosa e começava a gostar de mim !!!!!! (convencido) lá fomos em frente.
Então fazia assim, tinha lá uma bicicleta que era do meu irmão,punha a dita em cima da camioneta da carreira por volta das 18 horas, parava á porta, dela tirava a bicicleta e subia uma rampa até á casa, lá estava ela á espera do seu príncipe encantado !!! , cumprimentava os futuros sogros e cunhados e lá iamos namorar para a sala,por volta das 23h, 23,30h lá vinha embora, pegava na bicicleta, por vezes escuro de todo, umas vezes com frio outras com calor, e pernas para que te quero, subida aqui descida ali e em 45 min. estava na Portagem, velhos tempos e eu era bom a pedalar, a "ginga" era uma pasteleira sem mudanças, pesadona, mas eu era novo e corria por amor!!!.
O tempo foi passando, comecei a ter a confiança da família dela,e quando lá ia, como estávamos muito tempo sem nos vermos, já namorava mais dias, quando lá ia poucos dias, namorava todos os dias,pelas férias, ia 3 ou 4 vezes por semana, e íamos a muitas festas e bailaricos.
Entretanto abandonei a "ginga", no Inverno ía na carreira e regressava de táxi, tudo combinado, e o Sr. Américo que era o taxista lá estava á meia noite a buzinar, para eu descer a rampa,por vezes atrasava-se para eu namorar mais um pouco,no verão,o meu segundo pai,o meu tio Joaquim, como ele dizia eu era mais um filho.
Eu esperava que ele chegasse do trabalho por volta das 18h,se ele não chegava a casa eu ia ter com ele á taberna da Tónha, e lá levava a motorizada, uma "zundap", que ainda hoje existe, e continua a ser o seu meio de transporte.
As cartas iam-se sucedendo, eu regra geral escrevia dia sim dia não,ela era mais preguiçosa,eu devo ter escrito para cima de mil cartas dela recebi cerca de seiscentas tambem tivemos as nossas zangas e mal entendidos,mas conseguimos superar tudo,e cada ano que passava maiores eram as saudades e a vontade de estarmos juntos,era com imensa alegria que via chegar o dia de ir para o Alentejo,mas era muito difícil e triste o dia que tinha de regressar,cheguei a despedir-me e no dia seguinte aparecer lá de novo, adiava um dia mas sempre tinha de vir embora,e os primeiros dias cá longe eram bem penosos,a vontade era regressar as saudades imensas,mas o nosso lema era pensar que um dia tudo ia acabar e poderíamos estar juntos para sempre,como felizmente veio a acontecer,um dia resolvemos acabar com este sofrer e juntarmos os trapinhos, mas foram os meses mais difíceis e mais longos que passamos até ao tão esperado dia.
O dia escolhido foi,6 de Agosto de 1977,o dia que mudou por completo o rumo da minha vida,o dia ansiosamente esperado e que nós vínhamos sonhando á muitos anos estava ali, terminava o namoro e o noivado, chegava o casamento.
Começava a azafama dos convites, das compras, dos papéis, da igreja e do copo de água e lua de mel !!!!,a ida para a Portagem, era de casa dos meus tios que eu saía para casar.
O casamento era na igreja de S. Julião, e copo de água ía ser no restaurante do Sr. João Carrilho na Portagem, numa esplanada por detrás da casa dos meus tios, chegou a véspera do esperado dia, ainda fui dar o meu ultimo namorico,ajudei no restaurante a preparar a sala, os preparativos em casa, deitei-me bem tarde,foi o ultimo dia de solteiro bem cansativo ,fiz a retrospectiva dos cinco anos de namoro,os dias de saudade e de tristeza por estarmos longe iam acabar, valeu a pena tudo porque passámos ,por amor faz-se e supera-se tudo, e o que ao princípio parecia um sonho estava prestes a tornar-se realidade, afinal nós estávamos apaixonados, eu amava-a
ela tambem dizia que me amava e queríamos ser felizesssssssssss.
PESSOAS FALECIDAS ATÈ AOS MEUS 20 ANOS
Para além dos meus avós que já comentei, registo o falecimento da minha tia Maria Fernanda em Moçambique,era irmã da minha mãe por sinal a mais nova,e recordo que veio cá de férias com o meu tio Germano,lembro-me de ter ido com eles a Grândola á "Silha" quinta do meu tio António, que também faleceu e era marido da minha tia Irene dona da casa para onde fomos morar.
Em Almada faleceu a minha tia Antónia,esposa do meu tio Álvaro irmão da minha mãe,
recordo que quando andava na escola, ia visitá-la e ela dava-me sempre o lanche e dinheiro.
Faleceu também um grande amigo meu, o Jorge num acidente de viação,muita vez fui com ele e com o pai dele á pesca para debaixo da ponte, por ironia o pai dele o Sr. Patrocínio ,era soldador numa agência funerária, soldava as urnas quando eram em chumbo.
Em Almada faleceu a minha tia Antónia,esposa do meu tio Álvaro irmão da minha mãe,
recordo que quando andava na escola, ia visitá-la e ela dava-me sempre o lanche e dinheiro.
Faleceu também um grande amigo meu, o Jorge num acidente de viação,muita vez fui com ele e com o pai dele á pesca para debaixo da ponte, por ironia o pai dele o Sr. Patrocínio ,era soldador numa agência funerária, soldava as urnas quando eram em chumbo.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
RECORDACÕES DE MUTELA
LEVAR ALMOÇO AO PAI
Muitas vezes fui levar o almoço ao meu pai,como era pedreiro,andava numa firma que construía prédios nem sempre trabalhava no mesmo sítio,e lá ia eu a pé ou de autocarro,ainda me recordo que o bilhete eram 6 tostões,geralmente levava uma mala que chamavam lancheira com o almoço do meu pai e o meu,sim que eu almoçava com ele e só vinha embora quando ele pegava ao serviço.
O 25 DE ABRIL DE 1974
Quando na manha desse dia minha mãe me acordou,dizendo que havia guerra em Lisboa,o meu pai já tinha saído para o trabalho,fiquei muito atento ás noticias,percebi que de facto não era guerra, mas uma rebelião das nossas tropas em protesto com o governo de então,contra a guerra que mantínhamos nas colónias de África, e que já tinha provocado a morte de muitos jovens portugueses.
Meu pai só trabalhou de manha ,eu não tive escola,pois mandaram todas as pessoas recolher ás suas casas e manterem-se calmas,mas o povo começou a perceber que a revolução estava em marcha e saíu ás ruas,em apoio aos soldados no derrube do governo que nos oprimia,pois não se podia falar, ter opinião,discordar do governo etc.
Ainda me recordo que uns anos antes no 1º de maio,meu pai ao vir do trabalho por volta das 6 da tarde, parou junto ao jardim da Cova da Piedade para falar com um amigo e logo foi agredido pela GNR,nesse dia, o dia do trabalhador não era feriado e não se podia parar na rua.
Com este dia o povo português ganhou a liberdade,acabou a guerra e passámos a viver em democracia.
Este dia passou a ser feriado,o dia da liberdade,e em Mutela durante muitos anos fazia-se uma festa, enfeitavam-se as ruas, punha-se a bandeira nacional ás janelas, e era da nossa casa que saía a música que se ouvia durante todo o dia.
No 1º de Maio era igual,tínhamos dois bonecos simbolizando um trabalhador e uma trabalhadora,colocávamos uma mesa no centro do largo, duas cadeiras e os bonecos lá sentados, na mesa não faltava o pão, azeitonas, vinho, bolos etc,e vinha muita gente ver a nossa festa.
No livro "Almada antiga e moderna",de que guardo um exemplar,pode-se ver fotos e um artigo a relatar estes factos,onde se fala do D.Maio e Dª Maia,e onde eu estou numa dessas fotos.
FESTAS POPULARES
Começámos também,eu,meu irmão e mais alguns amigos lá da rua, a fazer as festas populares,o Santo António,o São João e o São Pedro,havia comes e bebes,bailes variedades,cinema,ainda me recordo de lá ver actuar o Herman José e o Joel Branco,estavam eles no início de carreira.
EXCURSÕES
Eu e meu irmão começámos a realizar excursões pelo país,foi para o norte,para o sul,fomos á Serra da Estrela,Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Covilhã, Portalegre, Évora, Nazaré, Alcobaça, Batalha, Fátima,etc.
Na primeira escolhemos o autocarro duma firma de Sesimbra o Covas e Filhos, o motorista que nos calhou foi o Sr.Jacinto,uma pessoa espectacular,a partir daí foi sempre o nosso motorista,o carro era sempre alugado através dele,começou a ser nosso amigo de família assim como sua esposa e filha.
Numa dessas excursões ao visitarmos um cruzeiro, subimos para ver a paisagem e ao descer ele caiu e torceu o pé,mas continuou a viagem,sempre que parávamos para irmos visitar alguma coisa lá ia ele apoiado em nós,recordo que vimos a festa dos tabuleiros em Tomar sempre com ele apoiado nos nossos ombros,e conseguiu levar o carro até Sesimbra,convivemos durante anos,ele reformou-se foi para a terra dele e perdemos o
contacto.
MEU FUTURO CUNHADO
Numa das minhas idas ao Alentejo ver a namorada,soube que o irmão chegado à pouco da Guiné onde tinha cumprido o serviço militar,tinha conseguído emprego em Lisboa, como não tinha cá ninguém convidei-o a vir para minha casa,falei com os meus pais,e como a casa era grande eles aceitaram,com o tempo fomos ficando bons amigos,saíamos juntos, guardávamos alguns segredos,foi connosco a muitas excursões,e tornou-se nos olhos da irmã para me vigiar,enquanto eu estava longe dela,saíu de nossa casa para casar.
Ainda recordo ter ido com ele ao aeroporto de Lisboa,esperar a irmã dele,a Felícia,o cunhado,o Cardoso,e uma menina muito bonita com dois anos, a Elsa, que era afilhada da minha namorada,e de quem ela falava muito,vieram de Angola onde o Cardoso que era agente da PSP cumpria serviço,vieram morar para o Bairro da Boavista em Camarate, comecei a conviver com eles ,pessoas impecáveis e amigas,no verão íamos para a praia juntos,quando a minha namorada vinha cá de férias.
DADOR DE SANGUE
Quando fiz 18 anos comecei a dar sangue (naquela altura a vender),o meu pai já era á muito,e levou-me com ele,eu nessa altura tinha sempre que vinha o Inverno,muitas frieiras e dar sangue fê-las desaparecer,dávamos sangue numa clínica particular em Lisboa,e certo dia foram ao trabalho buscar-me para ir dar sangue a um doente,fui com eles para Lisboa a uma clínica e dei sangue directo a outra pessoa,foi a única vez que me custou dar sangue, doeu-me muito o braço,continuei a dar depois no hospital de S.José,e depois no Garcia de Horta em Almada, aqui já sem nada receber,é uma dádiva gratuita mas pode salvar uma vida.
SERVIÇO MILITAR
Quando chegou a altura de ir ao recrutamento para a tropa,o médico que me curou o joelho fez-me um relatório, para eu apresentar ao médico na inspecção militar, e então passei á reserva,se fosse antes do 25 de Abril de nada servia,mas como já não estávamos em guerra lá me safei.
Recordo que um ou dois anos antes meu padrinho,que era soldador e vivia na Alemanha, estava a trabalhar nas plataformas de petróleo,me arranjou lá trabalho,não pude ir porque não tive autorização dos serviços militares,
pensavam que queria fugir á tropa.
A CASA DA TIA EMÌLIA
A minha tia morava tambem em Mutela perto de nós,como o meu tio se reformou foram viver para o Cercal perto das Caldas da Rainha,ficamos entregues á casa ,e na parte do quintal tinhamos lá umas capoeiras, começámos a criar galinhas e coelhos, e a fazer bons petiscos aos fins de semana.
Havia um anexo onde com o meu irmão montámos uma oficina,começámos a fazer reparações em electrodomésticos e outros serviços,e lá íamos ganhando algum.
Foi aqui que pela primeira vez a minha noiva veio a nossa casa, com a irmã o cunhado e a Elsa que é sua afilhada,fizemos um almoço com os frangos que tínhamos,uma bela churrascada.
PENSAR EM CASAR
E ao fim de 5 anos de namoro pensamos em juntar os trapinhos,falei com os meus pais eles não se opuseram, disseram-me que não podiam pagar o casamento,era só meu pai a trabalhar e não se ganhava muito,eu concordei seria por nossa conta,e lá comecámos com os preparativos,convites,roupas,papelada,etc.
Como não tinhamos casa nem dinheiro para comprar,tentei alugar uma,mas um dia em conversa com uma tia minha que era viúva,e vivia nas Paivas numa vivenda de dois pisos com a filha,soube que ela ía ficar sózinha, pois a filha comprara um andar em Almada,e ía para lá morar.Acertámos as coisas e ficou combinado que ela iria para o 1º andar e nós ficaríamos no r/chão,mas só passado um ano,que era o tempo da casa nova da minha prima estar pronta.
Resolvemos então morar o primeiro ano em casa de meus pais,e lá arranjei um quarto só para nós.
Ela veio a Lisboa para casa da irmã ,lá fomos um dia á baixa comprei o meu fato e chegou o dia de irmos todos para o Alentejo,pois foi lá que casei.
Muitas vezes fui levar o almoço ao meu pai,como era pedreiro,andava numa firma que construía prédios nem sempre trabalhava no mesmo sítio,e lá ia eu a pé ou de autocarro,ainda me recordo que o bilhete eram 6 tostões,geralmente levava uma mala que chamavam lancheira com o almoço do meu pai e o meu,sim que eu almoçava com ele e só vinha embora quando ele pegava ao serviço.
O 25 DE ABRIL DE 1974
Quando na manha desse dia minha mãe me acordou,dizendo que havia guerra em Lisboa,o meu pai já tinha saído para o trabalho,fiquei muito atento ás noticias,percebi que de facto não era guerra, mas uma rebelião das nossas tropas em protesto com o governo de então,contra a guerra que mantínhamos nas colónias de África, e que já tinha provocado a morte de muitos jovens portugueses.
Meu pai só trabalhou de manha ,eu não tive escola,pois mandaram todas as pessoas recolher ás suas casas e manterem-se calmas,mas o povo começou a perceber que a revolução estava em marcha e saíu ás ruas,em apoio aos soldados no derrube do governo que nos oprimia,pois não se podia falar, ter opinião,discordar do governo etc.
Ainda me recordo que uns anos antes no 1º de maio,meu pai ao vir do trabalho por volta das 6 da tarde, parou junto ao jardim da Cova da Piedade para falar com um amigo e logo foi agredido pela GNR,nesse dia, o dia do trabalhador não era feriado e não se podia parar na rua.
Com este dia o povo português ganhou a liberdade,acabou a guerra e passámos a viver em democracia.
Este dia passou a ser feriado,o dia da liberdade,e em Mutela durante muitos anos fazia-se uma festa, enfeitavam-se as ruas, punha-se a bandeira nacional ás janelas, e era da nossa casa que saía a música que se ouvia durante todo o dia.
No 1º de Maio era igual,tínhamos dois bonecos simbolizando um trabalhador e uma trabalhadora,colocávamos uma mesa no centro do largo, duas cadeiras e os bonecos lá sentados, na mesa não faltava o pão, azeitonas, vinho, bolos etc,e vinha muita gente ver a nossa festa.
No livro "Almada antiga e moderna",de que guardo um exemplar,pode-se ver fotos e um artigo a relatar estes factos,onde se fala do D.Maio e Dª Maia,e onde eu estou numa dessas fotos.
FESTAS POPULARES
Começámos também,eu,meu irmão e mais alguns amigos lá da rua, a fazer as festas populares,o Santo António,o São João e o São Pedro,havia comes e bebes,bailes variedades,cinema,ainda me recordo de lá ver actuar o Herman José e o Joel Branco,estavam eles no início de carreira.
EXCURSÕES
Eu e meu irmão começámos a realizar excursões pelo país,foi para o norte,para o sul,fomos á Serra da Estrela,Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Covilhã, Portalegre, Évora, Nazaré, Alcobaça, Batalha, Fátima,etc.
Na primeira escolhemos o autocarro duma firma de Sesimbra o Covas e Filhos, o motorista que nos calhou foi o Sr.Jacinto,uma pessoa espectacular,a partir daí foi sempre o nosso motorista,o carro era sempre alugado através dele,começou a ser nosso amigo de família assim como sua esposa e filha.
Numa dessas excursões ao visitarmos um cruzeiro, subimos para ver a paisagem e ao descer ele caiu e torceu o pé,mas continuou a viagem,sempre que parávamos para irmos visitar alguma coisa lá ia ele apoiado em nós,recordo que vimos a festa dos tabuleiros em Tomar sempre com ele apoiado nos nossos ombros,e conseguiu levar o carro até Sesimbra,convivemos durante anos,ele reformou-se foi para a terra dele e perdemos o
contacto.
MEU FUTURO CUNHADO
Numa das minhas idas ao Alentejo ver a namorada,soube que o irmão chegado à pouco da Guiné onde tinha cumprido o serviço militar,tinha conseguído emprego em Lisboa, como não tinha cá ninguém convidei-o a vir para minha casa,falei com os meus pais,e como a casa era grande eles aceitaram,com o tempo fomos ficando bons amigos,saíamos juntos, guardávamos alguns segredos,foi connosco a muitas excursões,e tornou-se nos olhos da irmã para me vigiar,enquanto eu estava longe dela,saíu de nossa casa para casar.
Ainda recordo ter ido com ele ao aeroporto de Lisboa,esperar a irmã dele,a Felícia,o cunhado,o Cardoso,e uma menina muito bonita com dois anos, a Elsa, que era afilhada da minha namorada,e de quem ela falava muito,vieram de Angola onde o Cardoso que era agente da PSP cumpria serviço,vieram morar para o Bairro da Boavista em Camarate, comecei a conviver com eles ,pessoas impecáveis e amigas,no verão íamos para a praia juntos,quando a minha namorada vinha cá de férias.
DADOR DE SANGUE
Quando fiz 18 anos comecei a dar sangue (naquela altura a vender),o meu pai já era á muito,e levou-me com ele,eu nessa altura tinha sempre que vinha o Inverno,muitas frieiras e dar sangue fê-las desaparecer,dávamos sangue numa clínica particular em Lisboa,e certo dia foram ao trabalho buscar-me para ir dar sangue a um doente,fui com eles para Lisboa a uma clínica e dei sangue directo a outra pessoa,foi a única vez que me custou dar sangue, doeu-me muito o braço,continuei a dar depois no hospital de S.José,e depois no Garcia de Horta em Almada, aqui já sem nada receber,é uma dádiva gratuita mas pode salvar uma vida.
SERVIÇO MILITAR
Quando chegou a altura de ir ao recrutamento para a tropa,o médico que me curou o joelho fez-me um relatório, para eu apresentar ao médico na inspecção militar, e então passei á reserva,se fosse antes do 25 de Abril de nada servia,mas como já não estávamos em guerra lá me safei.
Recordo que um ou dois anos antes meu padrinho,que era soldador e vivia na Alemanha, estava a trabalhar nas plataformas de petróleo,me arranjou lá trabalho,não pude ir porque não tive autorização dos serviços militares,
pensavam que queria fugir á tropa.
A CASA DA TIA EMÌLIA
A minha tia morava tambem em Mutela perto de nós,como o meu tio se reformou foram viver para o Cercal perto das Caldas da Rainha,ficamos entregues á casa ,e na parte do quintal tinhamos lá umas capoeiras, começámos a criar galinhas e coelhos, e a fazer bons petiscos aos fins de semana.
Havia um anexo onde com o meu irmão montámos uma oficina,começámos a fazer reparações em electrodomésticos e outros serviços,e lá íamos ganhando algum.
Foi aqui que pela primeira vez a minha noiva veio a nossa casa, com a irmã o cunhado e a Elsa que é sua afilhada,fizemos um almoço com os frangos que tínhamos,uma bela churrascada.
PENSAR EM CASAR
E ao fim de 5 anos de namoro pensamos em juntar os trapinhos,falei com os meus pais eles não se opuseram, disseram-me que não podiam pagar o casamento,era só meu pai a trabalhar e não se ganhava muito,eu concordei seria por nossa conta,e lá comecámos com os preparativos,convites,roupas,papelada,etc.
Como não tinhamos casa nem dinheiro para comprar,tentei alugar uma,mas um dia em conversa com uma tia minha que era viúva,e vivia nas Paivas numa vivenda de dois pisos com a filha,soube que ela ía ficar sózinha, pois a filha comprara um andar em Almada,e ía para lá morar.Acertámos as coisas e ficou combinado que ela iria para o 1º andar e nós ficaríamos no r/chão,mas só passado um ano,que era o tempo da casa nova da minha prima estar pronta.
Resolvemos então morar o primeiro ano em casa de meus pais,e lá arranjei um quarto só para nós.
Ela veio a Lisboa para casa da irmã ,lá fomos um dia á baixa comprei o meu fato e chegou o dia de irmos todos para o Alentejo,pois foi lá que casei.
PEDIR DESCULPAS AO PAI
PEDIR DESCULPAS AO PAI
Por volta dos meus 18 anos comecei a ter mais liberdade,e comecei a ir mais vezes ao Alentejo ver a namorada,certo dia disse ao meu pai que ía passar uns dias na terra,meu pai falou comigo, para eu poupar algum dinheiro não ir tanta vez á terra ,que tinha que juntar algum que depois vinha a tropa e eles não tinham posses para me dar dinheiro.
Eu dei-lhe como resposta "o dinheiro é meu faço o que quiser com ele".
Saiu-me esta resposta sem pensar, meu pai também não a esperava, ficou sentido e admirado, pois eu nunca lhe tinha respondido desta maneira.
Eu próprio fiquei um pouco sentido, nunca devia ter falado assim com o meu pai,e resolvi ir pedir-lhe desculpas, meu pai era nestas coisas muito reservado, sofria para ele e nós nem imaginávamos ,cheguei a casa procurei por ele á minha mãe,ela não sabia dele, tinha passado lá em casa e tinha saído,mas achou-o um pouco estranho,isto era principio de noite e eu fui procurá-lo.
Fui a vários locais onde era costume ele estar e nada,resolvi ir até a beira mar ,ao longe lá o vi sentado ,aproximei-me devagar e notei que ele estava a soluçar,sentei-me junto dele e procurei o que tinha,e ele a soluçar sem levantar os olhos do chão disse-me:
-Nunca pensei ouvir de um filho uma resposta destas,não merecia,era para teu bem.
Eu disse-lhe:
-Eu sei pai, perdoa-me, tenho pensado nisso e tenho andado á tua procura para te pedir desculpa.
Abracei-me a ele a chorar e pedi-lhe perdão, ele levantou-se deu-me a mão e levantou-me,deu -me um abraço e disse:
Estás desculpado, gostei da tua atitude vamos para casa.
Lá fomos os dois abraçados para casa,tudo ficou entre nós só mais tarde é que a minha mãe soube,ainda hoje ao contar este episódio me vêem as lágrimas aos olhos.
Este episódio marcou-me muito,mais me uniu ao meu pai ,e aprendi que os conselhos dos pais são sempre para nosso bem,eles mais que ninguém querem o melhor para nós .
Errar é humano ,reconhecer o erro uma virtude e perdoar é um dom ,obrigado pai onde quer que estejas jamais te esquecerei.
Por volta dos meus 18 anos comecei a ter mais liberdade,e comecei a ir mais vezes ao Alentejo ver a namorada,certo dia disse ao meu pai que ía passar uns dias na terra,meu pai falou comigo, para eu poupar algum dinheiro não ir tanta vez á terra ,que tinha que juntar algum que depois vinha a tropa e eles não tinham posses para me dar dinheiro.
Eu dei-lhe como resposta "o dinheiro é meu faço o que quiser com ele".
Saiu-me esta resposta sem pensar, meu pai também não a esperava, ficou sentido e admirado, pois eu nunca lhe tinha respondido desta maneira.
Eu próprio fiquei um pouco sentido, nunca devia ter falado assim com o meu pai,e resolvi ir pedir-lhe desculpas, meu pai era nestas coisas muito reservado, sofria para ele e nós nem imaginávamos ,cheguei a casa procurei por ele á minha mãe,ela não sabia dele, tinha passado lá em casa e tinha saído,mas achou-o um pouco estranho,isto era principio de noite e eu fui procurá-lo.
Fui a vários locais onde era costume ele estar e nada,resolvi ir até a beira mar ,ao longe lá o vi sentado ,aproximei-me devagar e notei que ele estava a soluçar,sentei-me junto dele e procurei o que tinha,e ele a soluçar sem levantar os olhos do chão disse-me:
-Nunca pensei ouvir de um filho uma resposta destas,não merecia,era para teu bem.
Eu disse-lhe:
-Eu sei pai, perdoa-me, tenho pensado nisso e tenho andado á tua procura para te pedir desculpa.
Abracei-me a ele a chorar e pedi-lhe perdão, ele levantou-se deu-me a mão e levantou-me,deu -me um abraço e disse:
Estás desculpado, gostei da tua atitude vamos para casa.
Lá fomos os dois abraçados para casa,tudo ficou entre nós só mais tarde é que a minha mãe soube,ainda hoje ao contar este episódio me vêem as lágrimas aos olhos.
Este episódio marcou-me muito,mais me uniu ao meu pai ,e aprendi que os conselhos dos pais são sempre para nosso bem,eles mais que ninguém querem o melhor para nós .
Errar é humano ,reconhecer o erro uma virtude e perdoar é um dom ,obrigado pai onde quer que estejas jamais te esquecerei.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
HISTÒRIAS DO ALENTEJO
Ainda muito novo recordo-me que mesmo em férias, eu e meu irmão tínhamos de ir á "mestra", que era uma senhora,a Dª. Ivone,que nos dava aulas, éramos muitos,eu estava em casa dos meus avós, e o meu irmão em casa da tia Maria Rosa que era irmã do meu pai, recordo-me que antes de almoçar, a minha avó mandava-me levar a merenda ao meu avô,que andava com as cabras no "sapoio",nome dado á encosta de Marvão.
Á noite esperava meu avô com ansiedade,pois ele ponha o boneco a dançar,o boneco feito por ele,enquanto guardava as cabras era todo articulado,então espetava um arame nas costas do boneco,sentava-se em cima de uma tábua,parte da tábua ficava fora do banco,e batendo na tábua com uma mão e segurando o arame do boneco com a outra,o boneco como era todo articulado dançava,quando se juntavam os netos havia sempre espectáculo ,ainda hoje esse boneco existe está com uma prima minha.
Anos mais tarde numa tarde de grande trovoada,junto ao "bardo",nome dado ao local onde se encerravam as cabras, meu avô é apanhado pelo rasto de um raio,morreram cerca de 30 cabras, e um castanheiro ficou rachado ao meio,meu avô ficou afectado no cérebro para o resto da sua vida,alternava momentos de lucidez com outros de total descontrolo ,ainda convivi com ele alguns anos em Mutela, pois passou a andar todos os meses em casa dos filhos,e muitas vezes tive que tomar conta dele,pois de repente se levantava, chamava pelas cabras e queria fugir para a rua, veio a falecer e pouco depois faleceu a minha avó.
Tenho uma foto de meu pai comigo e com meu irmão ao colo,numa dessas férias no Alentejo,com um chapéu de palha na cabeça,anos mais tarde meu pai tira uma foto com as netas ao colo,precisamente na mesma posição em que tinha pegado nos filhos,depois irei mostrar essa foto.
Passámos a ir de férias para casa do meu tio Joaquim, que passou também a ser o meu segundo pai,ele próprio o dizia, a ele e á minha tia Maria tenho muito a agradecer, pois durante os anos que namorei a minha esposa,foram eles que me deram casa comida e roupa lavada,são pessoas que sempre trabalharam tinham a sua horta,meu tio trabalhava com uma rectroescavadora, e a minha tia na horta e nas limpezas.
Algumas vezes ia ajudá-los, regava a horta, apanhávamos batata e outras coisas.
A eles o meu muito obrigado por tudo o que fizeram por mim.
Lembro com saudade o tempo em que íamos juntos á pesca, na Portagem passa o rio Sever ,e meu tio era especialista em apanhar peixe á mão,bons petiscos se faziam, recordo que ele mergulhava nos pegos mais fundos,e trazia um peixe em cada mão e outro na boca, velhos tempos !!!!.
Mas também se começou a fazer petiscos com o peixe do rio ás quintas feiras,porque na Portagem existe uma piscina natural no rio,ás quintas a piscina era limpa, abriam-se as comportas,e com escovas limpava-se o fundo e as paredes, no fim com o peixe que ficava na piscina a malta fazia um petisco.
Agora as festas, Agosto e Setembro são meses de festa rija, por todas as aldeias e vilas da região há festas,são as touradas,jogos tradicionais,ranchos folclóricos,variedades, bailes,procissão e comes e bebes.
E lá estávamos nós, na Portagem como festeiros tínhamos muito trabalho,fazíamos ospeditórios,percorríamos as aldeias em redor a dar o folheto das festas,a pedir uma contribuição para as despesas da festa,fazíamos os enfeites em papel para ornamentar as ruas,e as rifas para a carmesse.
Um dia,ía eu com o irmão da minha namorada o João José de motorizada,íamos para S.Julião,eu ía namorar e ele deu-me boleia,tivemos um acidente,como a estrada estava em obras com valas abertas,parámos para um carro passar mas!!!,o condutor, um senhor já de idade avançada não desfez a curva e pimba,em cheio na moto,eu fiquei ali no chão com a perna ferida,e o meu cunhado com a pancada caiu na vala,com isto tudo quem havia de aparecer!!!,a minha namorada,ela trabalhava numa fábrica em S.António das Areias,e vinha numa camioneta que as transportava todos os dias,lá fomos socorridos ainda andei umas semanas a fazer curativos á perna,pagos pelo dono do carro,que tambem me pagou as calças.
Recordo também os bons banhos que tomávamos,umas vezes íamos á piscina e outras aos pegos,o mais conhecido o "pego da andorinha", era bem fundo e dava para darmos uns bons mergulhos.
No seguimento do bidon de alcatrão, fomos chamados á GNR a Marvão, alguém viu e nos denunciou,o primeiro a ser ouvido foi o João Manuel,o nosso amigo era filho dum comerciante e o mais novo, a GNR começou a ameaça-lo e ele confessou,eu, meu irmão e o meu primo sempre negámos, apesar de termos sido ameaçados que nos batiam,lá pagámos todos uma multa (os nossos pais)e ficou tudo resolvido.
Á noite esperava meu avô com ansiedade,pois ele ponha o boneco a dançar,o boneco feito por ele,enquanto guardava as cabras era todo articulado,então espetava um arame nas costas do boneco,sentava-se em cima de uma tábua,parte da tábua ficava fora do banco,e batendo na tábua com uma mão e segurando o arame do boneco com a outra,o boneco como era todo articulado dançava,quando se juntavam os netos havia sempre espectáculo ,ainda hoje esse boneco existe está com uma prima minha.
Anos mais tarde numa tarde de grande trovoada,junto ao "bardo",nome dado ao local onde se encerravam as cabras, meu avô é apanhado pelo rasto de um raio,morreram cerca de 30 cabras, e um castanheiro ficou rachado ao meio,meu avô ficou afectado no cérebro para o resto da sua vida,alternava momentos de lucidez com outros de total descontrolo ,ainda convivi com ele alguns anos em Mutela, pois passou a andar todos os meses em casa dos filhos,e muitas vezes tive que tomar conta dele,pois de repente se levantava, chamava pelas cabras e queria fugir para a rua, veio a falecer e pouco depois faleceu a minha avó.
Tenho uma foto de meu pai comigo e com meu irmão ao colo,numa dessas férias no Alentejo,com um chapéu de palha na cabeça,anos mais tarde meu pai tira uma foto com as netas ao colo,precisamente na mesma posição em que tinha pegado nos filhos,depois irei mostrar essa foto.
Passámos a ir de férias para casa do meu tio Joaquim, que passou também a ser o meu segundo pai,ele próprio o dizia, a ele e á minha tia Maria tenho muito a agradecer, pois durante os anos que namorei a minha esposa,foram eles que me deram casa comida e roupa lavada,são pessoas que sempre trabalharam tinham a sua horta,meu tio trabalhava com uma rectroescavadora, e a minha tia na horta e nas limpezas.
Algumas vezes ia ajudá-los, regava a horta, apanhávamos batata e outras coisas.
A eles o meu muito obrigado por tudo o que fizeram por mim.
Lembro com saudade o tempo em que íamos juntos á pesca, na Portagem passa o rio Sever ,e meu tio era especialista em apanhar peixe á mão,bons petiscos se faziam, recordo que ele mergulhava nos pegos mais fundos,e trazia um peixe em cada mão e outro na boca, velhos tempos !!!!.
Mas também se começou a fazer petiscos com o peixe do rio ás quintas feiras,porque na Portagem existe uma piscina natural no rio,ás quintas a piscina era limpa, abriam-se as comportas,e com escovas limpava-se o fundo e as paredes, no fim com o peixe que ficava na piscina a malta fazia um petisco.
Agora as festas, Agosto e Setembro são meses de festa rija, por todas as aldeias e vilas da região há festas,são as touradas,jogos tradicionais,ranchos folclóricos,variedades, bailes,procissão e comes e bebes.
E lá estávamos nós, na Portagem como festeiros tínhamos muito trabalho,fazíamos ospeditórios,percorríamos as aldeias em redor a dar o folheto das festas,a pedir uma contribuição para as despesas da festa,fazíamos os enfeites em papel para ornamentar as ruas,e as rifas para a carmesse.
Um dia,ía eu com o irmão da minha namorada o João José de motorizada,íamos para S.Julião,eu ía namorar e ele deu-me boleia,tivemos um acidente,como a estrada estava em obras com valas abertas,parámos para um carro passar mas!!!,o condutor, um senhor já de idade avançada não desfez a curva e pimba,em cheio na moto,eu fiquei ali no chão com a perna ferida,e o meu cunhado com a pancada caiu na vala,com isto tudo quem havia de aparecer!!!,a minha namorada,ela trabalhava numa fábrica em S.António das Areias,e vinha numa camioneta que as transportava todos os dias,lá fomos socorridos ainda andei umas semanas a fazer curativos á perna,pagos pelo dono do carro,que tambem me pagou as calças.
Recordo também os bons banhos que tomávamos,umas vezes íamos á piscina e outras aos pegos,o mais conhecido o "pego da andorinha", era bem fundo e dava para darmos uns bons mergulhos.
No seguimento do bidon de alcatrão, fomos chamados á GNR a Marvão, alguém viu e nos denunciou,o primeiro a ser ouvido foi o João Manuel,o nosso amigo era filho dum comerciante e o mais novo, a GNR começou a ameaça-lo e ele confessou,eu, meu irmão e o meu primo sempre negámos, apesar de termos sido ameaçados que nos batiam,lá pagámos todos uma multa (os nossos pais)e ficou tudo resolvido.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
DOS 15 AOS 20
Os meus 15 anos foram passados na terra do meu pai,onde aliás se repetiriam por muitos anos,e nessa bela aldeia alentejana chamada Portagem,eu e meu irmão fomos durante alguns anos festeiros.
Todos os anos, no final de Agosto principio de Setembro, havia 4 dias de festa,com touradas,bailes,variedades,ranchos, procissão, etc, a festa é em honra de Nossa Senhora da Rocha,que tem uma capelinha no largo da Portagem.
O meu dia de anos foi passado com o meu irmão,com os meus pais, meus tios Maria e Joaquim e primos ,para a casa dos quais nós íamos passar as férias.
Na noite desse dia havia festa em S. Salvador, uma aldeia ali próxima,havia baile e comes e bebes, e lá vamos nós estrada fora,eu ,meu irmão,meu primo Joaquim Ventura e um moço lá da terra,em dia de anos já íamos quentinhos,e o que nos havia de aparecer á frente !!!um bidon de alcatrão vejam só,andavam a reparar a estrada e estava cheio mas duro,já não me recordo de quem foi a ideia, mas entre todos aí vai ... bidon ao chão.
Seguimos até a festa, nessa noite conheci aquela que é hoje a minha esposa,o irmão dela foi buscá-la a casa para vir ao baile, nessa época era namorado duma prima minha e éramos amigos,comemos e bebemos mais umas cervejinhas, e já de madrugada lá voltamos para casa,pelo caminho encontramos o bendito bidon e.... o alcatrão todo derramado,com o calor foi escorrendo,como era escuro e não havia ninguém!!! pensámos nós, seguimos viagem,pelo caminho ainda passámos por dentro do canteiro de flores da Ti Joaquina do Matinho,subimos a calçada para Marvão para irmos dormir a casa do meu primo mas!!!..porta fechada, como já era tarde nem batemos á porta,pegámos numas sacas e vá de dormir na varanda ao fresco.
De manha quando os meus tios acordaram lá estávamos nós ao fresco demos a desculpa que estava muito calor e lá passou, viemos para baixo e lá estava a Ti Joaquina furiosa, "se eu descubro quem fez isto vai pagá-las", as flores estavam todas partidas,mas nós caladinhos lá passámos e nunca se descobriu.
Acabadas as férias lá viemos para Mutela e escola,eu lá continuava com o curso de electricista.
Tinha trazido a morada da irmã do meu amigo e começámos a escrever um ao outro, pedi-lhe namoro e tudo começou até casarmos,com muitas histórias pelo meio, que vou contando.
Entretanto um dia na aula de ginástica,ao correr os 100 metros tive um problema no joelho, e no músculo da perna,ficou duro como pedra e não mexia a perna,o médico da escola receitou-me uma pomada e repouso mas nada ,não tinha melhoras,meu pai chamou um médico que me receitou duas injecções,por sinal bem caras,meu pai foi logo buscá-las , levei logo uma e no outro dia outra,a perna ficou boa mas o joelho ficou cheio de liquido , a receita do médico foi... areia da praia ,quente, e ali passei uns dias,minha mãe punha um tacho com areia ao lume,punha a areia num saco de pano , eu punha no joelho,passado pouco tempo a areia estava molhada, e lá repeti a operação até o joelho secar, conclusão,perdi o ano.
Agora que já namorava precisava de dinheiro, para os selos e para ir visitar a namorada, então aos fins de semana, ou ia ajudar o meu pai nos extras que ele arranjava, ou junto com o meu irmão, lá numa oficina de automóveis, a Auto-Marginal, que tinha uma máquina automática de lavar carros,aliás foi das primeiras que apareceram,aspirávamos os carros e ganhava-mos um tanto por cada carro ,ora aquilo era novidade, ao sábado e ao domingo era sempre a aviar, e lá fui ganhando uns trocos,dava para ir ver a moça pelo Carnaval ,pela Páscoa,pelas férias,pelo Natal e sempre que podia,mais tarde conto os meus cinco anos de namoro.
Entretanto no último ano do curso fiquei com uma cadeira por fazer,comecei a trabalhar e acabei o curso á noite.
O meu primeiro emprego foi na firma Electro Aparatos Vipimoreira em Almada.andávamos
a fazer instalações eléctricas em prédios,estive lá até aos 19 anos,tive que saír pois
a firma deixou de fazer esses trabalhos.
A 6 de Agosto de 1977 no final dos meus 20 anos casei.
Todos os anos, no final de Agosto principio de Setembro, havia 4 dias de festa,com touradas,bailes,variedades,ranchos, procissão, etc, a festa é em honra de Nossa Senhora da Rocha,que tem uma capelinha no largo da Portagem.
O meu dia de anos foi passado com o meu irmão,com os meus pais, meus tios Maria e Joaquim e primos ,para a casa dos quais nós íamos passar as férias.
Na noite desse dia havia festa em S. Salvador, uma aldeia ali próxima,havia baile e comes e bebes, e lá vamos nós estrada fora,eu ,meu irmão,meu primo Joaquim Ventura e um moço lá da terra,em dia de anos já íamos quentinhos,e o que nos havia de aparecer á frente !!!um bidon de alcatrão vejam só,andavam a reparar a estrada e estava cheio mas duro,já não me recordo de quem foi a ideia, mas entre todos aí vai ... bidon ao chão.
Seguimos até a festa, nessa noite conheci aquela que é hoje a minha esposa,o irmão dela foi buscá-la a casa para vir ao baile, nessa época era namorado duma prima minha e éramos amigos,comemos e bebemos mais umas cervejinhas, e já de madrugada lá voltamos para casa,pelo caminho encontramos o bendito bidon e.... o alcatrão todo derramado,com o calor foi escorrendo,como era escuro e não havia ninguém!!! pensámos nós, seguimos viagem,pelo caminho ainda passámos por dentro do canteiro de flores da Ti Joaquina do Matinho,subimos a calçada para Marvão para irmos dormir a casa do meu primo mas!!!..porta fechada, como já era tarde nem batemos á porta,pegámos numas sacas e vá de dormir na varanda ao fresco.
De manha quando os meus tios acordaram lá estávamos nós ao fresco demos a desculpa que estava muito calor e lá passou, viemos para baixo e lá estava a Ti Joaquina furiosa, "se eu descubro quem fez isto vai pagá-las", as flores estavam todas partidas,mas nós caladinhos lá passámos e nunca se descobriu.
Acabadas as férias lá viemos para Mutela e escola,eu lá continuava com o curso de electricista.
Tinha trazido a morada da irmã do meu amigo e começámos a escrever um ao outro, pedi-lhe namoro e tudo começou até casarmos,com muitas histórias pelo meio, que vou contando.
Entretanto um dia na aula de ginástica,ao correr os 100 metros tive um problema no joelho, e no músculo da perna,ficou duro como pedra e não mexia a perna,o médico da escola receitou-me uma pomada e repouso mas nada ,não tinha melhoras,meu pai chamou um médico que me receitou duas injecções,por sinal bem caras,meu pai foi logo buscá-las , levei logo uma e no outro dia outra,a perna ficou boa mas o joelho ficou cheio de liquido , a receita do médico foi... areia da praia ,quente, e ali passei uns dias,minha mãe punha um tacho com areia ao lume,punha a areia num saco de pano , eu punha no joelho,passado pouco tempo a areia estava molhada, e lá repeti a operação até o joelho secar, conclusão,perdi o ano.
Agora que já namorava precisava de dinheiro, para os selos e para ir visitar a namorada, então aos fins de semana, ou ia ajudar o meu pai nos extras que ele arranjava, ou junto com o meu irmão, lá numa oficina de automóveis, a Auto-Marginal, que tinha uma máquina automática de lavar carros,aliás foi das primeiras que apareceram,aspirávamos os carros e ganhava-mos um tanto por cada carro ,ora aquilo era novidade, ao sábado e ao domingo era sempre a aviar, e lá fui ganhando uns trocos,dava para ir ver a moça pelo Carnaval ,pela Páscoa,pelas férias,pelo Natal e sempre que podia,mais tarde conto os meus cinco anos de namoro.
Entretanto no último ano do curso fiquei com uma cadeira por fazer,comecei a trabalhar e acabei o curso á noite.
O meu primeiro emprego foi na firma Electro Aparatos Vipimoreira em Almada.andávamos
a fazer instalações eléctricas em prédios,estive lá até aos 19 anos,tive que saír pois
a firma deixou de fazer esses trabalhos.
A 6 de Agosto de 1977 no final dos meus 20 anos casei.
sábado, 14 de julho de 2007
MAIS ALGUMAS RECORDAÇÕES
O RELÓGIO
Não me podia esquecer do bom do relógio, foi assim:
- Estava eu com o meu irmão em casa sozinhos, a minha mãe tinha ido à praça e o meu pai trabalhar ,como não tínhamos nada que fazer,e o relógio não andava lá muito bom,estou a falar dum relógio antigo que era dos meus avós,relíquia de família,daqueles de parede com caixa de madeira todo trabalhado,e então pensámos:
- Vamos arranjar isto, a mãe quando chegar fica toda contente,
e lá deitámos mãos à obra,chave de fendas para aqui,martelo para ali e com todo o cuidadinho do mundo,foram saindo os parafusos, as rodinhas dentadas,tudo arrumado e marcado para depois voltar a montar...!!!
Estava tudo a correr ás mil maravilhas,quando de repente ao tirar uma tampa, rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.......!!!!!!!
Tinha acontecido a desgraça,rodinhas para um lado,parafusos
para o outro, uma fita de aço enorme saiu daquele relógio,até nós,"especialistas" em relógios nos assustamos.
E agora, a mãe a chegar,o dito cujo de pantanas, que fazer ?
Lá fizemos ver á Ti Aurora que a intenção era boa,mas não estávamos á espera da maldita corda saltar toda,ficou-me pena pois hoje se bem arranjado ainda podia estar a trabalhar.
FUTEBOL EM CASA
Pois é, antigamente jogava-se futebol em casa,a cama era a baliza,um chutava outro defendia,grandes voos,grandes defesas para a relva (cama) e já está,um voo maior, e a travessa da cama do lado da parede partiu ao meio, que fazer? Lá fomos arranjar uma caixa de madeira, colocamos debaixo da travessa e esteve assim, até que um belo dia se desviou a cama para limpeza e se descobriu tudo.
Outra vez lá se foi o vidro da janela como explicar o sucedido?
Lá fomos á rua buscar uma pedra,colocá-la na direcção da janela, e explicar á Ti Aurora, que alguém da rua mandou uma pedra para a janela e partiu o vidro,só que !!! a maior parte dos vidros estava na rua, conclusão,gato escondido com rabo de fora.
ORDEM PARA SAIR
Pois é, naqueles dias quentes depois do jantar, no largo de Mutela a malta nova fazia uma futebolada ,mas para podermos ir, tínhamos que ir á taberna onde o Ti João passava os fins de tarde, e pedir com bons modos ao paizinho se deixava,mas como nós éramos bem comportados !!!! de vez em quando levávamos o nega.
ESCREVER CARTAS
A tia Emília não sabia escrever,então eu ou o meu irmão, de vez em quando, éramos convocados para escrever cartas,para o tio Gerardo que era embarcado, para o meu padrinho que estava na Alemanha,ou para a prima Mari Zé que morava em Espanha, e lá íamos ganhando qualquer coisa.
TREMOR DE TERRA
Foi em Fevereiro de 1968 que senti pela primeira vez um tremor de terra,estávamos todos a dormir, de repente de madrugada, acordámos com um barulho estranho, tudo em casa abanava e tilintava, achei aquilo estranho, chamei pelo meu pai, mas ele disse para estar sossegado na cama,aquilo era um cilindro que estava a passar na rua,mas logo que terminou todos nos levantámos, fomos para a janela ver o que tinha acontecido, felizmente nada de grave se passou, de manha nos jornais vimos que tinha sido forte,penso que 6,8.
Depois deste já senti mais alguns,mas não tão forte como este.
Não me podia esquecer do bom do relógio, foi assim:
- Estava eu com o meu irmão em casa sozinhos, a minha mãe tinha ido à praça e o meu pai trabalhar ,como não tínhamos nada que fazer,e o relógio não andava lá muito bom,estou a falar dum relógio antigo que era dos meus avós,relíquia de família,daqueles de parede com caixa de madeira todo trabalhado,e então pensámos:
- Vamos arranjar isto, a mãe quando chegar fica toda contente,
e lá deitámos mãos à obra,chave de fendas para aqui,martelo para ali e com todo o cuidadinho do mundo,foram saindo os parafusos, as rodinhas dentadas,tudo arrumado e marcado para depois voltar a montar...!!!
Estava tudo a correr ás mil maravilhas,quando de repente ao tirar uma tampa, rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.......!!!!!!!
Tinha acontecido a desgraça,rodinhas para um lado,parafusos
para o outro, uma fita de aço enorme saiu daquele relógio,até nós,"especialistas" em relógios nos assustamos.
E agora, a mãe a chegar,o dito cujo de pantanas, que fazer ?
Lá fizemos ver á Ti Aurora que a intenção era boa,mas não estávamos á espera da maldita corda saltar toda,ficou-me pena pois hoje se bem arranjado ainda podia estar a trabalhar.
FUTEBOL EM CASA
Pois é, antigamente jogava-se futebol em casa,a cama era a baliza,um chutava outro defendia,grandes voos,grandes defesas para a relva (cama) e já está,um voo maior, e a travessa da cama do lado da parede partiu ao meio, que fazer? Lá fomos arranjar uma caixa de madeira, colocamos debaixo da travessa e esteve assim, até que um belo dia se desviou a cama para limpeza e se descobriu tudo.
Outra vez lá se foi o vidro da janela como explicar o sucedido?
Lá fomos á rua buscar uma pedra,colocá-la na direcção da janela, e explicar á Ti Aurora, que alguém da rua mandou uma pedra para a janela e partiu o vidro,só que !!! a maior parte dos vidros estava na rua, conclusão,gato escondido com rabo de fora.
ORDEM PARA SAIR
Pois é, naqueles dias quentes depois do jantar, no largo de Mutela a malta nova fazia uma futebolada ,mas para podermos ir, tínhamos que ir á taberna onde o Ti João passava os fins de tarde, e pedir com bons modos ao paizinho se deixava,mas como nós éramos bem comportados !!!! de vez em quando levávamos o nega.
ESCREVER CARTAS
A tia Emília não sabia escrever,então eu ou o meu irmão, de vez em quando, éramos convocados para escrever cartas,para o tio Gerardo que era embarcado, para o meu padrinho que estava na Alemanha,ou para a prima Mari Zé que morava em Espanha, e lá íamos ganhando qualquer coisa.
TREMOR DE TERRA
Foi em Fevereiro de 1968 que senti pela primeira vez um tremor de terra,estávamos todos a dormir, de repente de madrugada, acordámos com um barulho estranho, tudo em casa abanava e tilintava, achei aquilo estranho, chamei pelo meu pai, mas ele disse para estar sossegado na cama,aquilo era um cilindro que estava a passar na rua,mas logo que terminou todos nos levantámos, fomos para a janela ver o que tinha acontecido, felizmente nada de grave se passou, de manha nos jornais vimos que tinha sido forte,penso que 6,8.
Depois deste já senti mais alguns,mas não tão forte como este.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
DOS 10 AOS 15
Aos 11 anos faço a 4ª classe e a prova de admissão para entrar no ciclo preparatório, faço o 1º ano numa escola em Almada, ainda me lembro que tinha que me levantar ás 7h, ia a pé para lá chegar antes das 9h, quando tinha uma hora de almoço levava comer e quando tinha duas ia almoçar a casa, pois tinha escola todo o dia.
Recordo um episódio engraçado, um belo dia não tive aulas de tarde, em vez de ir para casa, fiquei com os colegas numa escada que tinha um corrimão de pedra, e nós lá íamos escorregando por ali abaixo,tal era o entusiasmo, que nem vi o meu pai passar por mim sem nada me dizer, em casa é que me procurou se tinha gasto o cú das calças,e não me livrei de uns tabefes.
Acabado os dois anos do ciclo preparatório,meus pais com algum sacrifício disseram-me para ir tirar um curso.
Tinha duas opções,ou ia para o liceu e tirava um curso comercial,ou,ia para a escola industrial e optava entre serralharia e electricidade, optei pela ultima,tirei o curso de formação de montador electricista.
Neste espaço de 5 anos tenho imensas recordações,a começar pelos piqueniques,muitas vezes no verão íamos jantar para junto do rio, levávamos uma toalha o farnel e lá passávamos o resto da tarde até anoitecer,antes do jantar claro não podia faltar um bom mergulho no rio,sim que nesse tempo, aonde até a pouco tempo era a Lisnave podia-se tomar um bom banho e até apanhar uns camarões .
No inverno os serões eram passados á braseira, normalmente com a companhia da tia Emília a jogar ao "não te irrites",ás cartas e a contar anedotas, sim que a tia Emília era especialista nisso, e nesse tempo não havia televisão, e rádio era para os ricos.
Os fins de semana de verão, ao domingo ou íamos para a praia na Costa da Caparica, ou para o campo, levávamos o farnel e passávamos lá o dia todo,isto se o meu pai não tivesse nenhum trabalho extra para ganhar mais uns escudos,outras vezes íamos para a Fonte da Telha, de Galéria, para quem não sabe,é uma carroça grande com quatro pneus, os da frente são direccionais, tem um varão central,e é puxada por dois cavalos, o condutor era o Ti Diogo e pagávamos vinte e cinco tostões, a viagem demorava uma hora e meia, mas era porreiro
e ainda tínhamos que descer e subir a rampa da Fonte da Telha a pé,não havia estrada.
Quando o meu tio Gerardo chegava das viagens,recordo que todos os sábados comprava berbigão,era comido ao natural,punha uma chapa ao lume e o berbigão em cima,comia mais quem não tivesse medo de se queimar,pois assim que um abria todos tentávamos logo apanhá-lo,só que a casca estava quente!!!.
O meu padrinho tinha ido para a Alemanha, e no verão, quando vinha de férias,o nosso petisco quase todos os dias, por volta das seis da tarde, era o bom do caracol,feito da taberna lá de Mutela, e que ainda hoje existe a "Laranjinha",ainda hoje sou doido por caracóis e a minha filha também .
Recordo um episódio engraçado, um belo dia não tive aulas de tarde, em vez de ir para casa, fiquei com os colegas numa escada que tinha um corrimão de pedra, e nós lá íamos escorregando por ali abaixo,tal era o entusiasmo, que nem vi o meu pai passar por mim sem nada me dizer, em casa é que me procurou se tinha gasto o cú das calças,e não me livrei de uns tabefes.
Acabado os dois anos do ciclo preparatório,meus pais com algum sacrifício disseram-me para ir tirar um curso.
Tinha duas opções,ou ia para o liceu e tirava um curso comercial,ou,ia para a escola industrial e optava entre serralharia e electricidade, optei pela ultima,tirei o curso de formação de montador electricista.
Neste espaço de 5 anos tenho imensas recordações,a começar pelos piqueniques,muitas vezes no verão íamos jantar para junto do rio, levávamos uma toalha o farnel e lá passávamos o resto da tarde até anoitecer,antes do jantar claro não podia faltar um bom mergulho no rio,sim que nesse tempo, aonde até a pouco tempo era a Lisnave podia-se tomar um bom banho e até apanhar uns camarões .
No inverno os serões eram passados á braseira, normalmente com a companhia da tia Emília a jogar ao "não te irrites",ás cartas e a contar anedotas, sim que a tia Emília era especialista nisso, e nesse tempo não havia televisão, e rádio era para os ricos.
Os fins de semana de verão, ao domingo ou íamos para a praia na Costa da Caparica, ou para o campo, levávamos o farnel e passávamos lá o dia todo,isto se o meu pai não tivesse nenhum trabalho extra para ganhar mais uns escudos,outras vezes íamos para a Fonte da Telha, de Galéria, para quem não sabe,é uma carroça grande com quatro pneus, os da frente são direccionais, tem um varão central,e é puxada por dois cavalos, o condutor era o Ti Diogo e pagávamos vinte e cinco tostões, a viagem demorava uma hora e meia, mas era porreiro
e ainda tínhamos que descer e subir a rampa da Fonte da Telha a pé,não havia estrada.
Quando o meu tio Gerardo chegava das viagens,recordo que todos os sábados comprava berbigão,era comido ao natural,punha uma chapa ao lume e o berbigão em cima,comia mais quem não tivesse medo de se queimar,pois assim que um abria todos tentávamos logo apanhá-lo,só que a casca estava quente!!!.
O meu padrinho tinha ido para a Alemanha, e no verão, quando vinha de férias,o nosso petisco quase todos os dias, por volta das seis da tarde, era o bom do caracol,feito da taberna lá de Mutela, e que ainda hoje existe a "Laranjinha",ainda hoje sou doido por caracóis e a minha filha também .
quinta-feira, 12 de julho de 2007
OS MEUS PRIMEIROS 10 ANOS

Nasci em Agosto de 1956 ás 23h e 30m no hospital de S. José freguesia do Socorro em Lisboa minha mãe, Aurora e meu pai João resolveram chamar-me Vasco o mesmo nome do meu padrinho.
Meus pais moravam em Mutela na Cova da Piedade na casa de meus avós maternos, família pobre, meu pai era pedreiro e minha mãe doméstica.
Cresci sem problemas e meus pais não perderam tempo em aumentar a família, 15 meses depois nasceu o meu irmão António que era para ser uma menina mas!.
Lá fomos crescendo nada a registar que me tenha ficado na memória, fui baptizado assim como o meu irmão mas não tenho lembrança disso e chegou a altura da escola, iniciámos os do
is pela pré-primária no Clube Desportivo da Cova da Piedade, aí comecei a ter convívio com os meus tios Luísa e Lélitas, ela era costureira e irmã da minha mãe e ele era sapateiro, tinham uma filha a Tilinha que era muito estudiosa e moravam mesmo ao lado da escola.
Até que cheguei à 1ª classe, no ano seguinte registo no meu 8º aniversário uma queda aparatosa nas escadas lá em casa, minha madrinha, Maria Carolina vinha com uma prenda e eu com o entusiasmo debrucei-me no varandim das escadas,ainda são três lances e caí junto dela logo me pegaram ao colo e me levaram a uma clínica que lá existia era do dr.Elvas pelo caminho fui tirado dos braços da minha mãe pelo meu padrinho que morava ali perto e me levou à dita clínica.
Nada de especial me aconteceu fui para casa e me mandaram tomar uma gemada com cerveja preta e algum repouso,mésinhas da altura !.
Recordo ainda as palavras de minha avó toda aflita "aí que o nosso menino morre "
Pouco tempo depois,um fim de semana com um piquenique marcado no campo eis que me começa a doer a barriga, minha mãe me esfrega com azeite e um saco de água quente e em principio devia passar mas não,vou ao médico e eis-me com uma apendicite aguda, vou de urgência para o hospital de S. José e sou operado de imediato, fico lá oito dias sem visitas,naquela altura não eram permitidas visitas mas tudo correu bem.
Recordo que assim que me pude levantar ajudava as enfermeiras a levar o almoço aos outros doentes eles davam-me dinheiro e ainda trouxe três escudos para casa.
Pouco tempo depois morre o meu avô paterno que estava doente e acamado e minha avó com o desgosto pouco tempo dura.
Ainda me lembro de ver suas urnas num quarto lá de casa pois antigamente não se ia para a igreja tudo aquilo para mim era novo mas algum dia tínhamos que passar por isso.
Na escola lá vou passando de classe sem problemas e chegam os meus 10 anos.
Nestes primeiros dez anos ainda tenho na memória as reuniões da família materna lá em casa ao fim de semana ,os bolos que a minha tia Luísa nos levava lá a casa todos os domingos de manhã,geralmente uma bola de berlin,o casamento da minha prima Tilinha,
as chegadas e partidas do meu tio Gerardo, pai do meu padrinho que era embarcado fazia as viagens no navio Império, levava e trazia as tropas portuguesas para as colónias p
ortuguesas em África, nessa altura Portugal estava em guerra com os chamados na altura terroristas.
Minha tia Emília mulher de meu tio nos dava quando ele chegava algumas coisas que ele sempre trazia como bananas,côco.ananás, amendoim etc.
Recordo ainda algumas viagens ao Alentejo terra de meu pai e de minha tia Emília, meu tio tinha carro ainda me recordo um Vauxaul Viva e nos regressos dele íamos á Portagem fica perto de Marvão em Portalegre e sempre que íamos tínhamos que parar em Portalegre para comer a famosa massa frita que ainda hoje existe.
Recordo ficar em casa de meus avós paternos , meu avô era pastor e minha avó trabalhava o campo donde vinha muito do comer para casa, uma coisa que ainda hoje lembro com saudade é o cheiro e o paladar do café da minha avó feito ao lume numa cafeteira de ferro com canela e onde ela punha uma brasa no fim para o café assentar.
Todos os sábados íamos á catequese e aos domingos á missa onde fiz a primeira comunhão e a comunhão solene.
Recordando o nome de meus avós, os maternos eram Clotilde e António e os paternos eram Joana e Manel.
Meus pais moravam em Mutela na Cova da Piedade na casa de meus avós maternos, família pobre, meu pai era pedreiro e minha mãe doméstica.
Cresci sem problemas e meus pais não perderam tempo em aumentar a família, 15 meses depois nasceu o meu irmão António que era para ser uma menina mas!.
Lá fomos crescendo nada a registar que me tenha ficado na memória, fui baptizado assim como o meu irmão mas não tenho lembrança disso e chegou a altura da escola, iniciámos os do
is pela pré-primária no Clube Desportivo da Cova da Piedade, aí comecei a ter convívio com os meus tios Luísa e Lélitas, ela era costureira e irmã da minha mãe e ele era sapateiro, tinham uma filha a Tilinha que era muito estudiosa e moravam mesmo ao lado da escola.Até que cheguei à 1ª classe, no ano seguinte registo no meu 8º aniversário uma queda aparatosa nas escadas lá em casa, minha madrinha, Maria Carolina vinha com uma prenda e eu com o entusiasmo debrucei-me no varandim das escadas,ainda são três lances e caí junto dela logo me pegaram ao colo e me levaram a uma clínica que lá existia era do dr.Elvas pelo caminho fui tirado dos braços da minha mãe pelo meu padrinho que morava ali perto e me levou à dita clínica.
Nada de especial me aconteceu fui para casa e me mandaram tomar uma gemada com cerveja preta e algum repouso,mésinhas da altura !.
Recordo ainda as palavras de minha avó toda aflita "aí que o nosso menino morre "
Pouco tempo depois,um fim de semana com um piquenique marcado no campo eis que me começa a doer a barriga, minha mãe me esfrega com azeite e um saco de água quente e em principio devia passar mas não,vou ao médico e eis-me com uma apendicite aguda, vou de urgência para o hospital de S. José e sou operado de imediato, fico lá oito dias sem visitas,naquela altura não eram permitidas visitas mas tudo correu bem.
Recordo que assim que me pude levantar ajudava as enfermeiras a levar o almoço aos outros doentes eles davam-me dinheiro e ainda trouxe três escudos para casa.
Pouco tempo depois morre o meu avô paterno que estava doente e acamado e minha avó com o desgosto pouco tempo dura.
Ainda me lembro de ver suas urnas num quarto lá de casa pois antigamente não se ia para a igreja tudo aquilo para mim era novo mas algum dia tínhamos que passar por isso.
Na escola lá vou passando de classe sem problemas e chegam os meus 10 anos.
Nestes primeiros dez anos ainda tenho na memória as reuniões da família materna lá em casa ao fim de semana ,os bolos que a minha tia Luísa nos levava lá a casa todos os domingos de manhã,geralmente uma bola de berlin,o casamento da minha prima Tilinha,
as chegadas e partidas do meu tio Gerardo, pai do meu padrinho que era embarcado fazia as viagens no navio Império, levava e trazia as tropas portuguesas para as colónias p
ortuguesas em África, nessa altura Portugal estava em guerra com os chamados na altura terroristas.Minha tia Emília mulher de meu tio nos dava quando ele chegava algumas coisas que ele sempre trazia como bananas,côco.ananás, amendoim etc.
Recordo ainda algumas viagens ao Alentejo terra de meu pai e de minha tia Emília, meu tio tinha carro ainda me recordo um Vauxaul Viva e nos regressos dele íamos á Portagem fica perto de Marvão em Portalegre e sempre que íamos tínhamos que parar em Portalegre para comer a famosa massa frita que ainda hoje existe.
Recordo ficar em casa de meus avós paternos , meu avô era pastor e minha avó trabalhava o campo donde vinha muito do comer para casa, uma coisa que ainda hoje lembro com saudade é o cheiro e o paladar do café da minha avó feito ao lume numa cafeteira de ferro com canela e onde ela punha uma brasa no fim para o café assentar.
Todos os sábados íamos á catequese e aos domingos á missa onde fiz a primeira comunhão e a comunhão solene.
Recordando o nome de meus avós, os maternos eram Clotilde e António e os paternos eram Joana e Manel.
terça-feira, 10 de julho de 2007
RETROSPECTIVA
Decidi, porque não ?, aos 50 anos fazer a retrospectiva da minha vida .
Um homem para se sentir realizado precisa de fazer três coisas na vida, plantar uma árvore, o que já fiz, fazer um filho, também já fiz e escrever um livro vou deste modo tentar fazê-lo.
Não quero com isto dizer que não me sinto realizado, nada disso mas já agora quero completar o ditado.
Sou um homem realizado e feliz, tenho casa própria, um carro,uma mulher que amo e adoro,uma filha linda que amo de todo o coração, um genro que é como um filho que muito gosto e em breve se Deus quiser um neto/a ,a juntar a tudo isto trabalho e tenho uma saúde razoável,que mais pode um homem desejar?.
Vou aos poucos contando a história da minha vida, igual se calhar à de tantos mas é a minha.
Um homem para se sentir realizado precisa de fazer três coisas na vida, plantar uma árvore, o que já fiz, fazer um filho, também já fiz e escrever um livro vou deste modo tentar fazê-lo.
Não quero com isto dizer que não me sinto realizado, nada disso mas já agora quero completar o ditado.
Sou um homem realizado e feliz, tenho casa própria, um carro,uma mulher que amo e adoro,uma filha linda que amo de todo o coração, um genro que é como um filho que muito gosto e em breve se Deus quiser um neto/a ,a juntar a tudo isto trabalho e tenho uma saúde razoável,que mais pode um homem desejar?.
Vou aos poucos contando a história da minha vida, igual se calhar à de tantos mas é a minha.
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