terça-feira, 11 de dezembro de 2007

NOVO (ENTRE PARÊNTESIS)


PARA TI MARIANA
É com a maior alegria do mundo que interrompo as minhas memórias, de novo por tua causa,desta vez porque te conheci, foi com imensa emoção que ouvi o teu pai dizer "a Mariana nasceu, correu tudo bem,a Mariana e a mãe estão bem", foi como se a Célia tivesse nascido de novo, uma enorme alegria invadiu minha alma, que boa a sensação de ser avô, quando teu pai disse que te íamos ver não fui embora, esperei ansioso por esse momento, e lá vinhas tu ao colo da enfermeira ,tão frágil nesta tua entrada neste mundo, mas com a protecção do teu pai e teus avós, meus olhos brilharam de alegria ao ver-te, tão linda e ao abrires os olhinhos para nós estabeleceu-se um laço de união, de amor e carinho que jamais será quebrado, tudo faremos para que nada te falte, e se ao deixar o hospital para ir trabalhar uma ou outra lágrima deitei foram lágrimas de alegria,por ti , pelos teus pais, pelo sofrimento da tua mãe e pela coragem do teu pai.
Por isso pipoquinha querida, de braços abertos te recebemos, tens todo o amor e carinho á tua espera, sinto que ser avô já é uma grande responsabilidade, mas tudo faremos para ajudar teus pais a te criar e educar, nos bons e maus momentos da vida que agora começastes .
Que Deus nos dê saúde e mais alguns anos de vida para podermos partilhar e saborear o teu crescimento, a tua aprendizagem, as tuas brincadeiras e traquinices.
Hoje fui ver-te de novo, e ver a tua mãe que não a tinha visto ainda depois de tu nasceres, como estava feliz e radiante a olhar para ti , a tratar-te e a embalar-te, tens uma mãe espectacular, que seja no mínimo tão boa mãe como é filha, e podes querer que tens a melhor mãe do mundo , e um pai muito especial, era a felicidade estampada no rosto, um homem de coragem foi o primeiro a ver-te, desligou-te da tua casinha de nove meses e ligou-te a este mundo.
Como me soube bem a tua maõzinha tão pequenina a apertar o meu dedo, que seja o primeiro de muitos contactos que teremos pela vida fora, temos muito amor para te dar, vem Mariana um lar acolhedor te espera, a nossa vida daqui para a frente tem um novo sentido, benvinda Mariana, serás para sempre a nossa pipoquinha.

PARA TEUS PAIS
Para vocês primeiro que tudo muitos parabéns, pela filha linda e perfeita que acabam de ter, pela neta que nos deram, e pela coragem e sofrimento por que ambos passaram mas que superaram com nota máxima, muitos parabéns , saúde e felicidades para a criarem.
Nova etapa na vossa vida vos espera, ser pai e mãe é uma enorme alegria e felicidade, mas também uma enorme responsabilidade, agora primeiro que tudo está a vossa filha, sei que serão uns bons pais, que tudo irão fazer para que nada lhe falte, amor, carinho, educação e muita compreensão, as crianças dão-nos imensas alegrias mas também muitas dores de cabeça, ficamos felizes com as primeiras palavras, o primeiro passinho sem cair, e como é lindo o sorriso duma criança, mas também ficamos tristes se estão doentes, se choram com alguma dor, mas é o ciclo da vida e temos que saber superar com muita coragem e amor.
Que consigam ser melhores pais, ou pelo menos tão bons como os vossos foram, que tentem corrigir para melhor alguns erros dos vossos pais, e que possam dar á Mariana muito mais que aquilo que os vossos pais vos deram, nós já fizemos o mesmo, e se mais não fizemos foi porque não pudémos.
Cá estamos, não para vos ensinar mas sim para vos ajudar a criar e educar essa pipoquinha linda Deus nos dê saúde para isso, sentimos que pudemos ser úteis á nossa neta, nós bem sentimos a falta daqueles que bem cedo nos deixaram eras tu Célia bem pequenina, e ficastes sem esse apoio importante, mas só Deus sabe.
Estou feliz por vocês, tu Célia pela coragem e sofrimento , pelas dores e noites mal dormidas, mas no fim essa cara diz tudo, tens a alegria e felicidade estampada no rosto, olhar para ti a ver-te olhar para o teu rebentinho dá um prazer imenso, os teus olhos dizem tudo que te vai na alma ,força vai em frente serás a melhor mãe do mundo.
Para ti Nuno pela coragem, pelo apoio que sempre destes á Célia,porque estivestes presente e lhe destes força ,a minha reconhecida gratidão, fostes á luta e vencestes, pelo pai babado que és , pelo teu rosto feliz, pela tua coragem de enfrentar a vida, pelo modo carinhoso que falas do teu rebentinho, força vai em frente serás o melhor pai do mundo .
Que daqui prá frente formem os três um lar perfeito com muito amor, compreensão e carinho que não vos falte saúde e trabalho para poderem criar, ver crescer e ser feliz a vossa filha, como eu tive o prazer de vos ver a vocês, Deus vos proteja, FELICIDADES FILHOS E NETA.

sábado, 8 de dezembro de 2007

A COMPRA DA CASA


Depois do falecimento da minha tia Irene a nossa estadia em casa iria mudar, a minha prima herdou a casa, falei com ela e como ela não gostava da casa propus compra-la, depois de várias propostas e contra propostas, ainda chegamos a ir ver casas para comprar, lá chegamos a acordo e comprámos a casa, também era vontade da minha tia que fossemos nós a ficar com a casa, e a partir de Outubro concretizamos um sonho nosso, termos a nossa casinha, todos ficamos satisfeitos pois sempre habituados a viver aqui ia ser difícil mudar para um andar.
Com algum dinheiro que tínhamos junto e um pequeno empréstimo ao banco lá pagámos a casa, depois foi começar a fazer planos para a remodelar, os quartos eram pequenos e queríamos aumentá-los , mudar o telhado, fazer uma varanda maior e fechar a varanda de traz, lá foram surgindo ideias, eu fui desenhando as plantas até que chegamos á ideia final, pedi a um engenheiro amigo para me fazer as plantas de alteração, e entreguei tudo na câmara para aprovação, e ficamos á espera.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MAIS UM ANO DE PERDAS

Mais três pessoas chegadas nos deixaram, o sogro do meu irmão sr. Silvestre, que depois de ter partido uma perna ao ser atropelado teve vários problemas de saúde e veio a falecer, pessoa muito amiga,adorava os netos e a filha a minha cunhada Aida, mulher do meu irmão de quem também gostava muito.
Depois passado pouco tempo faleceu a minha tia Irene, dona da casa onde moramos, depois de longos meses que ela passava em casa da filha, de vez em quando voltava para casa dela, desta vez veio, e um fim de semana foi logo de manha cedo ao café tomar o pequeno almoço, ao vir para casa sentiu uma dor no peito, mas subiu para casa dela e só mais tarde nos disse,quis ir com ela ao hospital mas ela não quis, disse que já tinha passado e que já lhe tinha dado mais vezes, almoçou connosco e depois subiu, disse que ia dormir a sesta,nós dissemos que a chamávamos para lanchar, quando a minha mulher sobe para a chamar ela está na cama e não responde, minha mulher aflita chama-me e vou ver, não lhe sinto o pulso, ainda está quente, ligo para o 115, vieram mas não havia nada a fazer,tinha falecido rebentara uma veia do coração daí a dor que ela sentira,morreu a dormir, sua expressão era serena e calma, não sentira a morte.
Mais um choque para nós,convivia connosco quase á vinte anos sempre nos demos muito bem, viu e acompanhou o crescimento da Célia de quem gostava muito,muito lhe devemos, pois nos recebeu depois de casados,a vida era difícil e nos arranjou a casa para morarmos,convivia muito connosco,sentimos muito a sua falta,por tudo o que nos fez, obrigado tia Irene jamais a esqueceremos.
Depois em Setembro a nossa afilhada Elsa que estava grávida teve um menino, filho muito desejado, era o primeiro filho, surgiram problemas e o Daniel não resistiu, poucos dias esteve entre nós,Deus levou mais um anjinho para junto de Si, foi a tristeza para todos nós,os pais destroçados, é sempre doloroso perder um filho e eles tiveram que superar esta difícil perda, a Célia também ficou muito afectada mas ganhou coragem e fez um poema dedicado ao Daniel que é lindo, ainda hoje ao relê-lo me comovo.
Que este anjinho que Deus levou seja a estrela que guie e proteja seus pais e irmãos.
Daniel ficarás para sempre em nossas memórias,serás recordado com muito amor e saudade, a tua mãozinha a apertar o meu dedo ficará para sempre em minha memória um beijinho Daniel, Deus te acolha em Seu regaço.

1997 MAIS VIAGENS

Começava 1997, e logo no final de Janeiro mais uma viagem, de 27 de Janeiro a 12 de Fevereiro lá vou eu, desta vez atravesso o Atlântico rumo ao México, viagem muito longa e cansativa, Lisboa, Madrid, Cidade do México, 12 horas de viagem sobre o Atlântico uma paisagem muito bonita, e lá chego á capital mexicana, muita poluição, dificuldade em respirar devido á altitude, apanho o autocarro para Puebla, cidade distante cerca de 120 km, e onde estava a ser construída a fábrica para as cablagens da VW, estava a ser chefiada por um engenheiro português, fiquei no mesmo hotel dele e passei a andar sempre com ele nas voltas pelas redondezas, ainda visitamos algumas cidades próximas, comprei uns recuerdos, uns sombréros, e umas camisolas, adorei os pequenos almoços no hotel, muita fruta, sumos naturais, umas belas omeletes, o comer era bom gostei muito dos "tacos" e a cerveja "corona".
Voltei lá de novo de 22 a 30 de Setembro, fui com o chefe de lá a Águas Calientes ver a fabrica dos VW Beatle, e fomos ver umas praias ali perto, a água era um espectáculo eram mesmo águas calientes!!!.
A próxima viagem foi á Polónia de 24 a 31 de Outubro, fui com um colega meu, o Américo que tinha sido imigrante na Alemanha, foi bom pois lá falam muito alemão e ele desenrascou, foi conhecer novos povos novas culturas, malta muito simpática e disposta a ajudar, recordo ainda hoje um almoço oferecido pelo chefe de lá, um prato típico de Gorzow, pernil de porco assado no forno, estava uma delicia,muito estaladiço, já comi em outros sítios mas nada igual aquele.
Por este ano terminaram as viagens mas pelas encomendas previa-se mais para o ano.

domingo, 25 de novembro de 2007

1996 MAIS 5 VIAGENS


Comecei o ano logo com uma viagem á Lituânia, a 8 de Janeiro via Hamburgo para Palanga, em pleno inverno, á chegada tivemos que andar ás voltas com o avião pois estavam a limpar a pista para aterrarmos, era neve por todo o lado, 22º negativos tivemos de ir a pé do avião até ao aeroporto, neve acima do joelho, o que vale é que fomos prevenidos, boas botas e meias ,luvas ,e um bom casaco, no caminho até ao hotel foi engraçado, as estradas lá até são largas, mas só cabia um carro,em volta neve com um metro de altura e o carro não andava, deslizava, nas curvas ora batia num lado ora no outro e lá seguia, estivemos lá 12 dias sempre com neve,na fábrica e no hotel andávamos em mangas de camisa estava quente o pior era para ir comer, mas bem agasalhados lá íamos, e que bem sabia o bom do gelado a todas as refeições, fazia aquecer, mas lá se passou, uma experiência nova que gostei.
A 2 de Março lá vou de novo, desta vez rumo a Brake no norte da Alemanha, sou recebido por um português que era chefe de secção lá na fábrica, tudo correu bem montei o carrocel e voltei 10 dias depois, foi nesta viagem que comi pela primeira vez os celebres "rafaellos", e que a partir daqui eram sempre certos cada viagem que fazia lá vinham os pacotes dos dito cujos, que a Célia muito gostava e ainda hoje os come, pois já cá se vendem.
Mais 2 viagens quase seguidas á Lituânia, de 4 a 20 de Maio e de 4 a 18 de Junho foi uma época de muito trabalho, mas também um ano de ganhar mais uns tostões, que bom jeito viriam a dar mais tarde, as viagens foram normais já nos movimentávamos á vontade, a cidade já não era segredo para nós, fazíamos sempre umas compras, as celebres casinhas, as madrioscas, as peças em âmbar, toalhas em linho, o bom do vodka, etc, e os rafaellos que comecei a trazer de lá pois eram mais baratos.
A fábrica estava já quase completa de carroceis, o pessoal de lá já sabia como montar e ficou combinado que o último que faltava seriam eles a montar, e assim foi conseguiram montá-lo, mas quando chegou á parte da programação aí é que foi pior, ainda dei algumas dicas pelo telefone mas nada, e lá tive que fazer a ultima viagem, de 1 a 4 de Agosto lá fui programar e dar mais umas dicas ao electricista deles foi esta a ultima vez que lá fui, ficaram imensas recordações e alguma saudade, ainda gostava um dia de lá voltar.
Por cá tudo ia bem, nós trabalhando e a Célia estudando, de vez em quando lá íamos ao Alentejo ver o pessoal, a minha mãe lá continuava em casa dela, vinha aos fins de semana estar connosco, e durante a semana lá se entretinha a fazer alguns trabalhos de costura e a conviver com as vizinhas .
Mas mais viagens se previam para 1997, pois começavam a chegar encomendas de carrocéis para o México e para a Polónia.
Mais um ano terminava felizmente tudo corria bem sem grandes problemas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

1995 MAIS DUAS VIAGENS


Depois de restabelecido do problema de saúde voltei ao trabalho em Abril, e ao chegar deparei com uma encomenda muito grande de carrocéis para a Lituânia, foi começar em força fazer quadros eléctricos para todos, e preparar todo o material para enviar para lá, e a 5 de Agosto lá vou eu com outro colega para lá ficarmos até 21 de Setembro, desta vez a viagem foi, Lisboa, Hamburgo e Palanga, que é um aeroporto mais pequeno mas fica só a 28 km de klaipeda.
Palanga tem também uma praia muito boa, que no tempo da União Soviética era praia exclusiva do líder comunista Leónidas Bresnyev, onde mandou construir uma mansão de férias em que até as torneiras do WC são de ouro, agora virou museu.
Este quase mês e meio foi passado a trabalhar, e bem até fizemos horas extras, mas ao fim de semana era passear para conhecer parte do país, e uns bons banhos no mar Báltico, conhecemos algumas cidades como Kaunas, e ainda fomos a Riga capital da Letónia, depois de tudo montado andámos duas semanas sem fazer nada, pois o carregamento dos últimos carrocéis atrasou na viagem devido a greves, foi só comer passear e dormir, até que foi decidido voltar e regressar quando os camiões lá chegassem.
Poucos dias cá tivemos, pois a 29 de Setembro lá fomos via Palanga de novo para montar os dois carrocéis que faltavam, e regressámos a 17 de Outubro, o tempo lá já não deu para praia mas continuámos com o convívio com o nosso amigo Marius.
Voltámos e até ao final do ano não saímos mais, nova encomenda e lá fui preparando nova remessa para o principio do ano seguinte.
Por casa tudo corria bem,fizemos algumas obras em casa, remodelámos a cozinha e casa de banho, contei com a preciosa ajuda do pai do Carlos, que é o marido da minha afilhada Elsa,o sr. José, que era um bom pedreiro e ladrilhador.
A minha mãe lá continuava em casa dela, aos fins de semana vinha até cá e lá ia passando menos mal, tirando um problema que teve quando lhe rebentou uma veia no nariz, e de madrugada me telefonou e tive que ir com ela para o hospital.
A Célia continuava na escola com bom aproveitamento.
Lá se passou mais um ano, o Natal foi passado no Alentejo e o Ano Novo em casa junto com a minha mãe.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O SIMPLES VIROU PESADELO

Fim de ano complicado, depois do falecimento da Felícia,veio mais um problema para mim, já me queixava á algum tempo duma dor provocada por uma hérnia inguinal, um esforço que fiz no trabalho, e no fim do mês de Novembro fui operado.
A cirurgia foi feita numa clínica particular em Lisboa, coisa simples e de restabelecimento rápido, palavra de médico, e de facto foi, tirando um problema com a anestesia, pois deram-me anestesia epidural mas !!!!!, quando o médico pede o bisturi e me corta eu dei um salto,disse-lhe que estava a sentir tudo, e ele pede para me darem anestesia geral, não me lembro de mais nada, acordo no dia seguinte já operado e sem dores , a seguir ao almoço o médico aparece, manda-me levantar e começar a andar, tudo corria bem e ao 3º dia vou para casa,a indicação era andar aos poucos, não fazer esforços durante um mês, e depois podia voltar ao trabalho, tudo corria bem, mas passado uns dias, ao acordar estou sem sensibilidade da cintura para baixo, não me consigo mexer, minha mulher entra em pânico, telefona ao cirurgião, ele veio ver-me e diz que não é nada da parte dele, falou ao anestesista e mandam-me ir para o hospital de S. José em Lisboa onde um colega dele me esperava.
Exames e mais exames e nada, eu não sentia as pernas, fui fazer um exame aos músculos e tendões com choques eléctricos para ver a reacção e o exame não acusou nada.
Mais de um mês se passou e eu sem melhoras, mais exames e tratamentos e nada, estava a começar a entrar em desânimo, não conseguiria mais andar ?.
Mas felizmente aos poucos lá comecei a sentir as pernas, agora estava era todo atrofiado, os músculos parados tanto tempo não respondiam, tive que começar a andar de muletas, passos curtos e dolorosos, muitas dores nas pernas, não tinha como estar, mas lá me fui esforçando, comecei a fazer caminhadas curtas perto de casa, a médica mandou-me por pesos nos pés e sentado elevar as pernas para fortalecer os músculos, tudo isto durou cerca de quatro meses, na ultima consulta ao hospital ,o médico ainda me confidenciou que podia ter ficado para sempre numa cadeira de rodas, que a epidural tinha sido mal dada, mas que esta conversa não passava dali.
Foram quatro meses terríveis mas com o apoio da minha mulher e da minha filha consegui superar, embora ficasse com problemas de tensão alta que até ai nunca tinha tido, e me tem impedido de puder dar sangue, a elas muito obrigado pela força e pelo apoio que me deram.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

MAIS UMA PERDA

Pelo meio destas minhas viagens, ia acompanhando com preocupação o estado de saúde da minha cunhada Felícia, já tinha ficado preocupado, quando pouco tempo antes dos meus anos ela me disse :
- Quero ir aos teus, já me estou a fazer convidada, e pressinto que é o ultimo que passo com vocês.
Confesso que estas palavras mexeram muito comigo, era hábito eles virem aos meus anos, e apesar dela estar mesmo muito doente, foi com muita força de vontade e alegria que nesse dia compartilhou comigo mais um aniversário, estava feliz e contente apesar do sofrimento em seu rosto,era uma mulher de fibra, lutadora e corajosa, os meses seguintes foram de luta feroz e muito sofrimento, mas aquela doença terrível não deu hipótese, por muito, e tudo o que foi possível fazer tanto pelo marido como pelos filhos, ela não resistiu, a minha "irmã " tinha-nos deixado.
Estava eu e minha mulher a trabalhar na firma, quando me chamam ao telefone, era a Célia muito aflita, "pai o que é que eu faço a tia Felícia morreu", foi o choque, depois de tanto sofrimento e luta Deus chamou-a para junto de Si, minha mulher ficou de rastos, a única irmã e tão amigas que eram, acompanhámos-a á sua ultima morada com muita tristeza e dor, confortámos e apoiámos seu marido e filhos, e a partir desse dia mais um dos nossos convívios de família tinha terminado, nada seria como dantes, ficava em nossas memórias para recordar eternamente, todos os momentos de alegria que passámos juntos, a sua energia, a sua boa disposição, a sua alegria contagiante, a boa esposa e mãe que sempre foi, jamais será esquecido por nós.
Ainda hoje recordamos com imensa saudade os Natais que passámos juntos, as Pascoas, os aniversários e os passeios, a tão falada tarte que a Célia nunca mais esqueceu, e o bem saboroso do arroz de pato.
Mais esta perda, tão importante nas nossas vidas, tornou-nos mais unidos, mais compreensivos ao sofrimento e a perceber que devemos lutar até ao máximo das nossas forças pela vida, foi a lição que ela nos deixou, uma mulher com M grande até aos últimos dias da sua vida.
Felicia, por aquilo que fostes para nós, para mim a irmã que não tive, o nosso muito obrigado, certamente Deus deu-te um cantinho muito especial junto Dele, nós por cá viveremos com a tua eterna recordação,por tudo o que partilhámos OBRIGADO FELÌCIA.

domingo, 28 de outubro de 2007

VIAGENS À LITUÂNIA

E lá vou eu, nova viagem ,novo destino, desta vez não vou sozinho, vou com pessoal da Indelma que iam para dar formação ao pessoal de lá, fomos a 3/6/94 e regressei a 12/6/94, montei um carrocel pequeno para começar a formação.
A viagem foi com destino a Vilnius, capital da Lituânia, com escala em Frankfurt, viagem óptima sem problemas, o nosso destino era kleipeda (Memel) que ficava a cerca de 300 km, fizemos a viagem de carro, chegamos já noite e ficamos no hotel com o nome da cidade.
No dia seguinte lá fomos para a fábrica, tudo correu bem, o pessoal que mandava era português e foi rápido a montagem do carrocel , ainda deu para conhecer a cidade, muito linda, fica junto ao mar Báltico, foi ocupada muito tempo pelos Alemães, daí o nome Memel, comia-se lá muito bem e barato para nós, pois para eles era caro ganhavam muito pouco na altura, as mulheres eram um espectáculo, todas muito bonitas, corpinhos bem feitos e tratados, os transportes é que eram muito maus, carros russos velhos a cair de podres, e não havia autocarros, eram carrinhas de nove lugares de particulares que por uma Lita, moeda deles dávamos a volta á cidade.
Um dos pratos que mais comemos lá foi o famoso "portugaliscas bifetek", um bom bife de vaca em vinha de alhos com a famosa batata frita, só que os pratos vêem muito bem apresentados, com verduras e frutos a fazer belos desenhos, e não esquecer o bom do gelado, eram taças enormes com seis bolas, mais frutas com bolachas e outros efeitos, uma autentica delicia, e no fim a não menos famosa vodka leituva, uma bela pomada.
Deixei-os lá a dar formação e regressei, havia de lá voltar mais sete vezes, a seguinte foi de 28/9/94 a 5/10/94 para montar mais um carrocel, todo o pessoal já tinha casa e eu fiquei sozinho no hotel, fiz nesta viagem um amigo lá, o Marius , um lituano que falava português e estava lá como tradutor, fui jantar a casa dele , mostrou-me a cidade, e comecei a trazer algumas peças de artesanato local, umas miniaturas de casinhas,peças de linho,trabalhos em âmbar pedra muito comum no báltico, e o bom do vodka, começou a ser bebida apreciada e consumida cá em casa, e em especial uma, que era feita com uma infusão de trinta plantas em vodka e que era muito bom para as constipações e gripes, o nome era "tris devinerios".
E lá regressei de novo a casa para fabricar mais carrocéis e mais viagens.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ESLOVÁQUIA A 1ª VIAGEM

Estávamos a produzir carrocéis para a Eslováquia,quando eles pediram que fosse alguém nosso lá montá-los, fui chamado á gerência onde me disseram que a pessoa indicada para ir era eu, chegámos a acordo com as verbas e lá me marcaram viagem para o dia 17/4/94.
E lá vou eu para o meu baptismo de voo, chego ao aeroporto e espero ,espero, e nada não havia avião ficou para o dia seguinte, disseram que estava tudo tratado, que os bilhetes serviam para o dia seguinte, e lá vou eu a caminho de Frankfurt, tudo a correr bem, viagem óptima, espero pelo voo seguinte rumo a Praga, tudo normal, vou fazer o check-in para Michailov via Bratislava e vem a surpresa o bilhete não é válido !!!! conversa e mais explicações mas nada, só com bilhete novo, e eu metido nisto tudo, lá fui contar o dinheiro que levava e com uns dólares e uns marcos lá arranjei dinheiro para o bilhete, e lá fiz o resto da viagem.
Foram buscar-me e levaram-me ao hotel, no dia seguinte fui para a fábrica e comecei a montar o carrocel, tinha uma tradutora checa que falava espanhol e lá me safei, regressei a 23/4/94, e lá tinha a mulher e filha com um colega meu á minha espera, foi a primeira vez!!!!!!.
Adorei a viagem, a estadia, o povo Eslovaco, foi uma experiência nova, e com um baptismo complicado mas tudo se resolveu pelo melhor.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

NOVA FASE NA VIDA

Comecei esta fase na firma "Lopes & Moura", novo trabalho, novas ambições, estávamos a começar a produzir os chamados carrocéis para a "Indelma" máquinas que rodavam lentamente e onde eram feitas as cablagens para os automóveis,máquinas estas que me levaram a fazer muitas viagens ao estrangeiro, e a ter de fazer muitas horas extras, fazia os quadros eléctricos e a instalação eléctrica das mesmas, e ainda ia montá-las ,umas vezes sozinho e outras com um colega.
A minha mulher continuava na Indelma, mas aproximava-se o fim do contrato de 3 anos e não sabia se ia continuar.
Em Abril de 1990 resolvemos trocar de carro , a carrinha precisava dum arranjo no motor e já não compensava gastar dinheiro com ela, e no dia dos anos da minha mulher 24 de Abril chegou o carro novo, comprei um Opel Kadett ,uma carrinha pois como íamos muito ao Alentejo dava mais jeito, e algum tempo depois pela Páscoa fizemos uma viagem tipo passeio, percorremos o centro do país, fomos ver a neve á Serra da Estrela , e a Célia nesse passeio fez uma memória descritiva da viagem, onde fomos ,onde passámos, o que visitámos.
Entretanto, como já se esperava, a minha mulher foi para o fundo de desemprego, no fim de contrato não a passaram a efectiva, como aliás vinha sendo hábito na empresa.
A 6 de Junho de 1992 a Elsa, afilhada da minha mulher casou, foi um casamento bonito, e mais um motivo para se juntar a família toda, foi um dia bem passado, felicidades aos noivos.
Em Agosto a minha mulher entra ao serviço no "Lopes & Moura", e agora estávamos os dois lá a trabalhar, fazia a limpeza e os almoços para o pessoal.
O ano de 93 para nós correu bem com um senão, a doença da minha cunhada Felícia, foi para nós doloroso acompanhar a sua evolução, uma mulher cheia de garra, lutadora, sempre alegre e bem disposta, mesmo doente nunca perdeu essa vontade de lutar, teve de ser operada , e continuar a lutar contra a doença.







quarta-feira, 26 de setembro de 2007

REORGANIZAR A VIDA

Depois do choque veio o refazer a vida, algo tinha mudado eu sentia uma falta constante,de manha á noite no trabalho, no refeitório,nos balneários e até nos transportes, eu procurava a presença do meu pai, e foi-me difícil convencer-me que jamais o voltaria a ver, aquele local era-me doloroso, mas quis o destino que não estivesse lá muito mais tempo,pois os salários começaram a faltar ,o patrão foi para a América, a firma ficou entregue a um engenheiro que deixou de aparecer, e eu como tinha a chave das instalações junto com os meus colegas decidimos encerrar a fábrica, de acordo com o patrão, trouxe uma carrinha Ford Transit que ele passou para meu nome, e que foi o primeiro carro que eu tive, fui para o fundo de desemprego,mas logo comecei a trabalhar noutro lado.
Comecei a trabalhar numa firma que fazia quadros eléctricos e instalações em prédios,andei cerca de um ano nos prédios e depois passei para os quadros , um trabalho que eu gosto muito de fazer, e um dos que me deu mais gosto foi os 30 quadros que fizemos para o navio escola "SAGRES".
Nessa firma, e por altura do grande incêndio do Chiado andava eu a reparar e pintar a minha carrinha, para durar mais uns anos, ia para lá ao fim de semana e lá consegui que ficasse melhor, fiz com ela muitas viagens ao Alentejo, e de lá ainda levei meus tios e primas meu sogro,e uma tia da minha mulher a Fátima, a carrinha era de nove lugares foi quase uma excursão, foi muito divertido.
Por essa altura abriu uma loja de material eléctrico nas Paivas a "ARMASUL" tornei-me amigo dos donos, e por intermédio deles fui fazer um quadro eléctrico a uma firma na Amora a "Lopes & Moura", uma metalomecânica que começava a trabalhar para a "Indelma" uma firma de cablagens para automóveis.
Por esta altura eu ,meu irmão e um colega o Manel Contente fazíamos muitos trabalhos ao fim de semana, e lá íamos ganhando mais uns trocos, fizemos instalações eléctricas em vivendas,em quintas para casamentos, em pastelarias,etc.
Entretanto fui convidado para ir trabalhar para a "Lopes & Moura" entrei a 1 de Maio de 1989.
Em casa tudo corria bem, a Célia lá ia na escola com bons resultados, continuava na ginástica, e nós lá íamos vivendo menos mal, aos fins de semana lá ia buscar a minha mãe para passar o dia connosco, pois ela continuava a morar em Mutela agora sozinha, mas como passou a ter telefone falava com ela quase todos os dias.
Foi por esta altura que fui assistir ao levantamento dos ossos do meu pai,pude ver então como ele tinha o crânio, estava rachado de alto a baixo .

terça-feira, 25 de setembro de 2007

MEU PAI, MEU VELHO, MEU AMIGO

A HOMENAGEM

Meu pai, porque o fostes de verdade, um PAI Grande
Meu velho, forma carinhosa para um Grande PAI
Meu amigo, o meu melhor amigo foi o Meu PAI
Nesta simples homenagem, que apesar de só hoje nas minhas memórias te estar a dedicar por escrito, sabes bem ela existe na minha memória desde sempre, não era deste modo que te cria homenagear mas como partiste sem me dares tempo de o fazer aqui e agora ta dedico.
Obrigado pai por me teres gerado
Obrigado pai por teres sido meu pai
Obrigado porque fostes o melhor pai do mundo
Obrigado pelo sacrifício que fizestes para me criar
Obrigado pela educação que me destes
Obrigado pelo "não" que muitas vezes me destes
Obrigado por tudo que me ensinastes
Obrigado pelo ombro amigo
Obrigado por todos os momentos felizes que passámos juntos
Obrigado por teres sido meu confidente
Obrigado por me ensinares a ser o homem que sou hoje
Obrigado por me teres apoiado nos momentos difíceis
Obrigado porque apesar de teres partido continuo a sentir o teu apoio nos momentos que mais preciso
OBRIGADO PAI
Desculpa pelas birras que fiz
Desculpa pelos sacrifícios que te fiz passar
Desculpa se alguma vez te desrespeitei
Desculpa se te dei algum desgosto
Desculpa se alguma vez não correspondi ás tuas expectativas
Desculpa se não fui o filho que tu sonhavas
Desculpa não te ter podido dar tudo aquilo que tu merecias
Desculpa se alguma vez ficou uma desculpa por te pedir
Desculpa por não ter conseguído evitar que partisses tão cedo
DESCULPA PAI
Porque agora como pai, sei também dar valor pelos sacrifícios e restrições por que passastes para nos criar e educar, e na altura em que tinhas tudo, para junto com a mãe terem uma vida melhor e mais desafogada tu partiste, deixastes um vazio enorme em nossas vidas, mas sei que onde quer que estejas estás orgulhoso de nós, pela vida que temos e pelo que conseguimos, muita vez ao trabalhar na minha casinha, eu falava de ti "que jeito me dava ter aqui o ti João Milho" tive que ser eu a fazer aquilo que tu melhor sabias fazer, mas senti o teu apoio e meti mãos á obra , fiz coisas que nunca tinha feito, mas que te vi fazer durante muitos anos,tu eras mestre.
Fostes tu que me destes mais uma lição de vida ao partires, ensinastes-me a olhar a vida em frente, depois de ter pela primeira vez sentido a perda de alguém tão querido e que eu amava do fundo do coração, é uma dor alucinante que nos trespassa o coração, é um sentimento de impotência que nos consome , a dor vai-se atenuando ou nós vamos-nos habituando a ela, agora a saudade essa aumenta dia a dia e a tua lembrança permanecerá comigo até ao resto dos meus dias.
Como eu gosto de te ver na foto que mandei fazer onde estás com os filhos ao colo, e mais tarde com as netas, netas essas que eram as meninas dos teus olhos, ainda recordo tu ralhares comigo por eu ter dito á Célia para não chatear o avô,tu querias era brincar com ela, e agora sou eu que se Deus quiser estou prestes a ser avô, e á uma verdade tua que não esqueci.
Filho és
Pai serás
Se fores avô
De novo pai, verás
Muito mais poderia dizer mas há coisas que são nossas e connosco morrerão , para ti pai um abraço do tamanho do universo, decerto chegará até ti onde quer que estejas, as saudades ficam comigo, um até sempre
OOOOOOOOOBRIGADO PAI.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

ANO BISSEXTO, 29 O DIA MAIS TRISTE

O ano de 1984 parecia começar bem, o mês de Janeiro correu normalmente, em Fevereiro, o meu padrinho que estava na Alemanha veio cá, com planos para se reformar queria construir uma vivenda no Miratejo, e foi falando com o meu pai para ser ele a fazer a obra, ele estava um pouco renitente ,pois nunca tinha gerido uma obra tão grande, como eu trabalhava junto com o meu pai lá fui falando com ele, dei-lhe o meu apoio, disse-lhe que eu e o meu irmão íamos ajudá-lo, e por outro lado as coisas na Gaivota não íam lá muito bem, lá o convencemos a aceitar.
No dia 14 de Fevereiro, dia em que fez 52 anos reuniu a família lá em casa, os filhos, as noras, as netas e também os meus padrinhos para se acertar o início das obras, tudo correu bem.
Lá no trabalho fui conversando com ele, íamos falar com o patrão para o dispensar, e ele começava a ficar entusiasmado com o novo desafio.
No dia 28 disse-me que no dia seguinte não ia trabalhar, queria ir dar sangue como era costume, eu disse-lhe para ir no sábado que íamos os dois, mas ele não quis, pois tinha programado ir passar o fim de semana a Vila Franca de Xira, a casa da irmã Dionísia e assim fez.
Dia 29 regresso do trabalho, e estávamos a jantar quando recebo um telefonema do meu irmão, "vem já para cá que o pai teve um acidente e está muito mal", peguei na mulher e filha e como tinha cá o "dois cavalos" da firma fomos logo directos a casa do meu irmão.
O que eu jamais imaginaria aconteceu, ao entrar em casa do meu irmão encontro tudo a chorar, minha mãe abraça-me e o meu irmão disse-me, " o pai morreu".
Foi o choque total, quis saber os pormenores, e minha mãe lá me foi explicando, tinha ido dar sangue de manha, veio almoçar e comentou com a minha mãe, que lhe tiraram sangue apesar de ter a tensão alta porque havia falta de sangue do grupo do dele, e que o mandaram ir ao médico,acabou de almoçar e disse á minha mãe que ia dar uma volta , e que ás 5h ia ter com o meu tio Gregório ao portão verde da marinha, para combinar o fim de semana em Vila Franca, falou com ele e voltava para casa quando se sentiu mal, foi visto por pessoas sentado num muro, pouco tempo depois foi encontrado caído na parte de trás do muro,com o crânio aberto caiu duma altura de cerca de 5mt.
A noticia foi dada á minha mãe por um funcionário de uma agência funerária !!!! que a levou para casa do meu irmão.
E ali estávamos todos estupefactos eu não queria acreditar, o meu pai o meu melhor amigo e confidente tinha-nos deixado, como era possível ? ,esperava tudo menos isto não estava preparado , uma dor dilacerante percorreu meu coração, jamais tal coisa me tinha passado pela cabeça, naquele momento senti-me órfão e abandonado.
Tinha que ir para o hospital, queria ir vê-lo, já lá estavam alguns amigos que nos apoiaram, e por volta das 3h da manha pediram alguém da família para reconhecer o corpo,o meu irmão não quis ir, fui lá eu ,eu tinha que o ver para acreditar, entrei com um enfermeiro que me pediu coragem, vamos em frente eu quero vê-lo, entrei e parei estarrecido, tentei correr para o abraçar mas fui impedido,jamais esquecerei aquela imagem, meu pai jazia numa pedra coberta de sangue que o seu crânio aberto deixara correr, fiquei por uns minutos olhando seu corpo, sua expressão tentando compreender como que esperando uma resposta dele, quando o enfermeiro me disse que não se pode fazer nada,tinha aberto o crânio a meio, chegara já sem vida.
Seguiu-se os trâmites legais, o corpo veio para a igreja da Piedade,todos os familiares e amigos nos acompanharam nesta hora tão triste e dolorosa, passei muito do tempo junto da sua cabeceira, era ali junto dele que me sentia bem, o meu ombro amigo,os abraços e até o que chorámos juntos, tudo me passava pela frente como o filme da nossa vida e que tão abruptamente acabava,foi com uma dor imensa,uma saudade infinita que ainda hoje persiste, que me despedi dele com um ultimo beijo, neste beijo foi acumulado todos os beijos que eu ainda tinha para lhe dar, doeu, ainda hoje dói mas Deus assim quis, de certeza Ele deu-te um cantinho muito especial lá no Céu, pelo Homem, pelo Pai, amigo, companheiro e confidente que fostes o meu muito obrigado, até sempre PAI.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

CONTUDO A VIDA CONTINUA

È verdade a vida tem de continuar para os que cá ficaram, a saudade e a lembrança das pessoas queridas, essa ficará para sempre nos nossos corações.
A nossa vida continuava, eu e minha mulher lá íamos trabalhando, eu na Gaivota e ela na Indelma, a Célia lá ia crescendo sem problemas de maior, apenas o problema de respirar, mais á noite, por isso tivemos que comprar um vaporizador e ela lá adormecia melhor.
Por esta altura meu pai foi trabalhar para a Gaivota como pedreiro, na ampliação das instalações, e retomámos o nosso convívio diário,a amizade e cumplicidade que sempre nos uniu.
A Gaivota todos os anos pelo Natal dava uma festa, para os colaboradores e respectivas famílias, numa dessas festas o meu pai tirou uma foto com as duas netas ao colo, o mais engraçado foi a coincidência das netas ficarem no mesmo lado dos pais, numa foto tirada muitos anos atrás, meu pai comigo e meu irmão ao colo.
Entretanto os dois sócios da Gaivota separam-se,eu e o meu pai ficámos na Gaivota , o meu irmão foi para a Gruel que era uma outra firma do grupo, e que ficou para um dos sócios.
Aos fins de semana, eu e meu irmão arranjávamos uns trabalhos extras, por vezes ia também o nosso pai, era mais uns tostões que entravam.
Aos fins de semana lá íamos dando uns passeios,umas vezes a casa dos meus cunhados Felicia e Cardoso, ver a nossa afilhada Elsa e o irmão Paulo,outras vezes dando outros passeios, fomos passar um fim de semana ao Cercal, perto das Caldas da Rainha a casa dos meus tios Emília e Gerardo.
Comecei a andar com um carro da firma e aos fins de semana lá dávamos uns passeios, o carro era um dois cavalos e a Célia gostava muito de andar nele.
Estávamos nos fins de 1983, fomos ao Alentejo apanhar azeitona, pedi uma carrinha ao meu patrão,serviu para levar as sacas de azeitona para o lagar, foi bonito, todos os irmãos da minha mulher juntos, as crianças a brincar, e todos pendurados nas oliveiras lá íamos ripando as azeitonas e enchendo as sacas, apesar do frio era bom pois confraternizávamos , bebíamos uns copos para aquecer e sempre dava uns litros de azeite para cada um.
Passámos lá o Natal com o meu sogro e meus cunhados Felícia e Cardoso mais a criançada toda, fez-se as filhoses e á meia noite abriu-se as prendas, a Célia fez os quatro anos, e viemos passar o Ano Novo com os meus pais.

FALECIMENTO DA MINHA SOGRA

A nossa vida corria bem, a Célia ia crescendo sem problemas, pela Páscoa fizemos o baptizado dela, foi na igreja da Amora, o almoço foi em nossa casa que apesar de pequena ainda cá couberam vinte e tal pessoas.
Eu lá continuava a trabalhar na Gaivota, comecei a tirar a carta de condução de ligeiros e pesados, fiz exame em Janeiro de 80 e passei, até foi um exame um pouco fora do comum, pois a camioneta do exame era uma Bedford antiga com travões a ar, a frente era direita e o vidro era logo a nossa frente, ia eu na avenida principal de Setúbal com sinal verde, quando de repente dum cruzamento aparece um carro, eu para não bater meti travões a fundo, o examinador ia distraído e como não havia cintos!!!!! bateu com a cabeça no vidro, mandou-me logo para o local de partida, o exame ia com dez minutos, eu voltei sem ele me dizer mais nada, lá ia agarrado a cabeça e eu a pensar "já estou feito" , parei a camioneta e ele pediu-me os papéis e foi lá para dentro, esperei uns dez minutos ele veio e disse-me que tinha passado, tinha evitado um acidente então estava apto a conduzir, deu-me os parabéns, eu pedi-lhe desculpa pelo galo na cabeça, e lá vim com a carta de pesados onde ele colocou também os semi-reboques e atrelados como prémio.
Em Agosto, a minha mulher e filha foram com os meus cunhados, Felícia e Cardoso de férias para o Alentejo, eu ia uma semana mais tarde pois fazia falta no trabalho.
Ao chegarem perto de casa dos meus sogros, passa por eles uma ambulância com urgência, e ao chegarem lá ficam a saber que era a minha sogra, estava a limpar a casa para receber as filhas e os netos, e sofreu um A.V.C.,entrou no hospital muito mal, não via e não falava,mas lá ia resistindo, passado três ou quatro dias eu fui para lá, cheguei quase de noite, o meu cunhado Joaquim esperava-me e ainda consegui ir vê-la ao hospital, ele disse-lhe:
-Mãe está aqui o Vasco, eu segurei-lhe a mão ela apertou-me a minha, e nessa noite ela faleceu, parecia que esteve á minha espera, foi um choque, o que seria umas belas férias em família, infelizmente tornou-se em dor e sofrimento para todos nós, foi a vontade de Deus, faleceu a 22 de Agosto de 1982 precisamente no dia dos anos do filho João José, ficou um imenso vazio e saudade que ainda hoje persiste.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

O NOSSO BEBÈ

A gravidez corria bem, íamos fazendo planos, escolhendo nomes, os avós estavam todos babados, principalmente os meus pais, pois era o primeiro neto,a minha cunhada Felícia dava o seu apoio, pois já estava habituada a estas coisas, e foi desde logo os cunhados com quem melhor nos dávamos, como era a única irmã,e minha mulher era madrinha da filha, as irmãs eram como unha com carne, e para mim era como uma irmã,os dias foram passando até que !!!!!!! aí começam as dores, em plena noite de Natal, meus pais tinham vindo passar a noite connosco, e por volta das 3 da manha, lá vamos nós directos á maternidade Alfredo da Costa.
Ela lá entrou, eu cá fora roendo as unhas, e andando para trás e para a frente estava ansioso, finalmente alguém veio falar comigo !!!, podia ir para casa e voltar durante o dia, ela ficava mas o parto ainda estava atrasado, voltei no dia seguinte mas nada, mandaram-me de novo para casa e que fosse telefonando, liguei umas três vezes mas continuava atrasado, até que finalmente liguei ás três da manha do dia 26, era finalmente pai !!!! que sensação, que alegria e felicidade,era uma menina, nasceu com 2,6kg um parto normal mas com ajuda dos ferros, já não dormi mais, fui direito á casa dos meus pais dar a noticia, era ainda muito cedo ficaram todos contentes, lá fui para Lisboa á espera da hora da visita que tardava em chegar.
Ansioso por ver mãe e filha finalmente entrei, a mãe estava na cama pois estava um pouco rasgada,e precisava de repouso e tinha que ficar mais uns dias,beijei-a e agradeci ter-me dado uma linda menina, ali estava ela a dormir, linda, tão pequenina e indefesa,beijei-a e acariciei-a com imensa emoção e felicidade, fruto do nosso amor, seria agora o alvo de toda a nossa atenção, uma nova responsabilidade,mas também a nossa razão de viver e lutar para que nada lhe falte, criá-la, educá-la, vê-la crescer e ser feliz, era a partir desse momento o nosso objectivo.
Finalmente, antes do Ano Novo, a nossa casa acolhe o novo membro da família, como a casa era fria fiz uma braseira, para que estivesse mais quentinha quando mãe e filha chegassem, até me descuidei e uma brasa queimou a alcatifa.
A Célia Cristina finalmente estava no seu lar, Célia nome escolhido pela mãe e Cristina pelo pai,o nosso rebentinho era linda, peguei nela com todo o cuidado, dei-lhe as boas vindas, e junto com a mãe prometemos tudo fazer para nada lhe faltar, dar-lhe muito amor e carinho, educá-la, e ensiná-la a enfrentar tudo de bom e mau que a vida nos reserva.
Começava aqui a nossa vida a três,uma vida de luta, de mais responsabilidade que se iria repetir por muitos anos,com muitas alegrias e tristezas , e hoje ao escrever estas memórias, de consciência tranquila podemos dizer que cumprimos o nosso papel de pais,não fomos perfeitos sabemos que errámos algumas vezes, mas o resultado final foi positivo, hoje a Célia está uma mulher,casada,feliz,responsável, é o orgulho dos pais, e com tudo isto, sinto-me a passar por tudo de novo, não como pai mas como avô,pois mais três meses e a Mariana, se Deus quiser será recebida nesta casa com todo o amor e carinho como a Célia foi, e de certeza com melhores condições e outros meios que na altura não tínhamos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

PRIMEIROS DOIS ANOS DE CASADOS

Após casarmos ainda ficámos duas semanas no Alentejo,mas logo aí tivemos o nosso primeiro espinho, estávamos no dia 14 no baptizado da minha prima Cláudia,filha da minha prima Maria da Luz, e neta dos meus tios Joaquim e Maria, quando meu tio me chama a sós e me dá a notícia, meu cunhado e meu amigo João José tinha tido um acidente nessa noite, sabia-se que tinha ido para o hospital de Portalegre, mas não se sabia o seu estado, meu tio pediu para não dizer nada á minha esposa, para não se estragar a festa, e logo que viessem mais noticias me diria, acedi um pouco preocupado sem nada saber,já ao principio da noite o meu táxi foi-nos buscar para irmos para S. Julião,quando o taxista me disse sem ela ouvir que ele estava em coma.
Tinha que lhe contar, e foi ao passar por S. Salvador,onde havia festa, que ela me disse para ficarmos ali, que eu lhe disse que tínhamos que ir para casa, pois o João José tinha tido um acidente, ai o Sr. Américo o taxista contou-nos que o acidente tinha sido de madrugada, o dono do carro tinha morrido, e o meu cunhado estava em coma, ia ser transportado para Lisboa.
Nós no dia seguinte viemos para Lisboa,onde passámos o resto das férias, e fomos muitas vezes ao hospital de S. José ver o meu cunhado, felizmente saiu de coma e melhorou, ficou quase bom tirando uns ataques que começou a ter,ficou com sangue pisado no cérebro.
Na nossa vida a dois tudo corria bem, lá estávamos no nosso quarto e começámos a trabalhar,a minha esposa numa fábrica de conservas que abrira á pouco, e eu sem emprego certo fazia uns biscates e procurava emprego.
Passado uns meses apanho um susto com ela, como em casa dos meus pais,para tomar banho tinha que se aquecer água numa panela, era nosso hábito ir tomar banho em casa dos meus tios ali ao lado,pois nós tomávamos conta da casa na ausência deles, fomos os dois tomar banho, e já nos estávamos a limpar quando ela desmaia nos meus braços, deitei-a na cama, dei-lhe água, e como ela não reagia, corri a pedir ao meu vizinho que tinha carro,se nos levava ao hospital de Almada,pelo caminho ela reagiu, e no hospital disseram que tinha sido dos gases do esquentador,e nós lá em casa á mais de três anos que tomávamos lá banho !!!!!.
E o ano vai passando, começámos a comprar coisas para a casa, as mobílias,eu e o meu pai começámos a arranjar a casa da minha tia, e em Setembro mudámos para a nossa casa.
Eu consegui emprego numa empresa de construção, e a nossa vida começou a compor-se.
Como não tínhamos carro, ao fim de semana íamos visitar os meus cunhados de transportes públicos,em Setembro de 1978 nasceu o Paulo,filho dos meus cunhados Felícia e Cardoso e irmão da Elsa nossa afilhada, um rapagão com 4 kg e tais.
Nas férias e no Natal fomos ao Alentejo,aproveitámos a boleia dos meus cunhados e juntámos-nos lá todos.
Entretanto eu mudo de emprego, meu irmão trabalhava na "Metalúrgica Gaivota", e precisavam de pessoal, ele convidou-me para ir para lá, fui para a ferramentaria,e fazia manutenção eléctrica.
Em Abril de 79 o nosso amor dá fruto, minha mulher fica grávida,ainda me lembro o dia em que tivemos a confirmação, fui á farmácia comprar o teste de gravidez, e depois de uma hora de espera, o resultado era positivo, foi uma alegria para nós, íamos ser pais e aumentar a família, embora fosse também uma enorme responsabilidade, mas com a vida estável e era o nosso desejo, pois que venha o nosso bebé, menino ou menina não importava, e só no fim se saberia, o importante era vir perfeito e com saúde, tudo corria bem, excepto as más disposições e vómitos da mãe, mal punha os pés no chão e bota fora !!!!.
Entretanto meu irmão casa, um casamento simples, pois a mãe da Aida, mulher do meu irmão estava muito doente, e infelizmente veio a falecer, o que nos custou muito, pois já convivíamos e éramos amigos há muito tempo.
Eu começo a ganhar mais uns tostões, pois no emprego fazia-se muitas horas,e começamos a comprar algumas coisas para o nosso bebé.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O MEU CASAMENTO

Dia 6 de Agosto de 1977, 8h da manha, levantar,desfazer a barba e tomar um banho, a azafama em casa já era grande, meus pais e meus tios preparavam a sala com comes e bebes para os convidados, eu fui ao restaurante ver se estava tudo em ordem, o dia prometia, manha linda e adivinhava-se um dia quente. Chegava a hora de vestir o fato e tirar as fotos,os convidados começavam a chegar alguns vinham de longe,tios e primas de Lisboa, o meu irmão com a Aida sua namorada e os pais dela vieram do Algarve onde estavam a passar férias, os meus padrinhos vieram da Alemanha e a restante família era de lá.
O meu sonho começava a realizar-se, aproximava-se a hora tão desejada por mim e minha noiva, o sofrimento,a saudade a distância que tanta vez nos separou terminara,chegara a hora de sermos felizes.
Eram 11h e 30m e lá vou eu no carro do meu padrinho, os convidados atrás, directos á igreja de S. Julião,aqueles 18 km que tanta vez percorrera, leva-me desta vez como em todas as outras para junto do meu amor,só que agora para não mais a deixar, voltará junto comigo para sempre, para nos amarmos e sermos felizes.
Ela esperava ansiosa a nossa passagem para poder ir ao meu encontro.
Chegámos á igreja,meu pai levou-me ao altar, e lá fiquei nervoso e ansioso a olhar para a porta,o tempo parou, ela não chegava, e aqueles minutos pareciam uma eternidade, mas !!!! finalmente meus olhos brilham de alegria e emoção ,meu coração palpita de amor, que imagem maravilhosa, ela toda de branco,estava deslumbrante, caminhava pelo braço do pai ao meu encontro,finalmente estava junto de mim,o olhar que trocámos valeram por mil palavras, e lá estávamos nós perante Deus,o Seu representante,e todas aquelas testemunhas que nos deram a honra de estar presente no dia mais importante das nossas vidas.
Jurámos perante Deus, sermos fiéis amar-nos e respeitar-nos um ao outro tanto na saúde e na doença como na alegria e na tristeza até ao fim dos nossos dias, não faltou o sempre desejado "SIM", as alianças entregues pela mão da Elsa,o declaro-vos marido e mulher e finalmente "pode beijar a noiva".
Assinámos os papeis ,os padrinhos também e o meu pai teve que dar o seu consentimento pois eu era ainda menor!!!!!? tinha 20 anos e dia 15 fazia os 21.
Estava concretizado o nosso sonho, agora como marido e mulher íamos iniciar esta nova etapa,termos de ser nós a gerir a nossa vida a lutarmos por uma vida melhor,e a contarmos com os nossos salários para nos governarmos.
Veio depois o sempre presente arroz, as felicitações,os abraços, as fotos de circunstancia, e lá partimos em direcção ao copo de água, que o estômago já dava sinal.
O dia estava bem quente e eu ia de gola alta, mas já tinha tudo preparado e lá mudei para uma camisa mais fresca, comemos e bebemos, tudo na maior alegria, não faltou o bater dos pratos, os beijos dos noivos, as praxes do costume, e os copitos a mais, tudo normal num casamento.
Pela tarde fomos passear até á piscina tiramos mais fotos, não faltou o bailarico, e lá chegou a hora de partir o bolo,os rituais do costume,o champanhe,as vivas aos noivos, o ramo da noiva, e lá ficamos convivendo com todos aqueles que nos acompanharam neste nosso primeiro dia de casados.
E lá chegou a meia noite, hora combinada para darmos o fora, lá estava o meu táxi de tantas viagens para nos levar ao hotel em Portalegre,onde passámos a nossa primeira noite !!??!!....
Saímos do hotel por volta do meio dia, fomos para casa dos meus sogros onde íamos passar uns dias pois não havia dinheiro para lua de mel,naquele tempo as posses eram poucas, os nossos pais não nos puderam fazer o casamento e fomos nós que o pagámos com as ofertas que recebemos.
E foi assim o nosso casamento igual a tantos outros, mas foi só o primeiro dia,agora temos pela frente muitos desafios,uns para vencer e outros para perder,nem tudo será um mar de rosas teremos os nossos espinhos, mas com o nosso amor, muita compreensão esforço e trabalho esperamos levar de vencida a maior parte dos desafios, que não nos falte a saude e trabalho, o nosso objectivo será, constituir uma familia, termos uma casa e um carro,vivermos em paz connosco e com todos que nos rodeiam, e com a ajuda se Deus havemos de conseguir os nossos objectivos.

terça-feira, 31 de julho de 2007

( ENTRE PARÊNTESIS )

Interrompo aqui as minhas memórias,pois algo de importante está a acontecer em nossas vidas,sim minha querida netinha é de ti que estou a falar.
Quando á cerca de três meses atrás,a tua mãe chegou ao pé de mim com um papel, e me disse que tinha uma novidade, li-o com emoção e dei-lhe os parabéns, pois eras tu que estavas a ser gerada, e a partir desse momento passastes a ocupar um cantinho muito especial no coração deste teu avô que já te ama muito.
Pensei em dedicar-te logo um cantinho especial nas minhas memórias, mas resolvi esperar mais um pouco para saber se eras menino ou menina, esse dia chegou hoje, e desculpa este teu avô babado tratar-te por minha netinha, mas não pude esperar, até saber qual o nome que os teus pais escolheram para ti, seja ele qual for será sempre o mais lindo do mundo.
Ao ver-te pela primeira vez nas fotos da ecografia, meu coração sorriu de felicidade, e aquele teu sorriso antevê todos os momentos de alegria e felicidade, que a tua chegada vem trazer a nossa família ,teus pais e avós estão ansiosos pela tua chegada, até lá vamos contando os dias, esperando que nessa tua casinha acolhedora vás
crescendo e despertando para a vida.
Ser avô é ser pai outra vez, e volto a sentir toda a alegria e ansiedade que senti quando a tua mãe nasceu,pedindo a Deus que venhas perfeita e com saúde,e que ao entrares neste mundo, não tão acolhedor e perfeito como esse em que estás agora, os teus avós cá estarão se Deus quiser, para ajudar teus pais a criar-te ,ver-te crescer e dar-te todo o amor do mundo.
Dedico-te este pequeno cantinho nas minhas memórias, não só em meu nome, mas também, e espero que não me levem a mal, em nome das avós Maria José e Celsa, e do avô Sequeira com muitos beijinhos de todos, e um beijinho muito especial do teu avô que te ama muito, Vasco, te esperamos com enorme ansiedade até ao dia em que te possamos abraçar e beijar, uma hora pequenina para ti e tua mãe,
beijiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhos.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

O MEU NAMORO

Tudo começou no dia dos meus 15 anos, o namoro que deu em casamento,porque antes já tinha tido outros,alguns namoricos de rua,e mais tarde um no meio deste!!!!,mas foi este que vingou.
Foi na festa de S. Salvador de Aramenha no Alentejo que nos conhecemos,eu regressei a Lisboa e começámos a trocar cartas, fomos-nos conhecendo melhor,trocámos ideias,e eu comecei a aproveitar todas as folgas da escola para ir para junto dela.
Era pelo Carnaval, pela Páscoa, pelas férias e pelo Natal, eu lá estava para pudermos namorar.
Não era nada fácil naquele tempo,tinha de ir apanhar o Cacilheiro para Lisboa, ia a pé até Santa Apolónia,apanhava o comboio para Castelo de Vide, e a camioneta para a Portagem,ia para casa dos meus tios Joaquim e Maria.
Graças ao apoio deles, pois lá tinha cama comida e roupa lavada,e muita força para levar este namoro até ao fim,com muito sofrimento e saudade meu e dela, e um amor que foi crescendo dia a dia, conseguimos alcançar o nosso objectivo, casarmos e sermos felizes.
Mas não pensem que foi tudo um mar de rosas !!!!!!!! não,ela morava em S. Julião, são á volta de 18 km até á Portagem, e este menino como é que ia namorar ? pois é!!!!.
Nos primeiros tempos,e como naquela altura não se podia namorar todos os dias, só ás quartas e domingos !!!!!!! pois agora é diferente eu sei, e como ao principio eu não era muito bem visto, quer por vizinhos, quer por parte da família dela salvo o João José que já era meu amigo, e a quem eu ajudava a estar mais vezes com a namorada, que era uma prima minha,eu lá dava a volta á minha tia e ela saía comigo para se encontrar com ele. Estão a ver como era :
-Menino de Lisboa, não conheciam a família,muito menos as intenções, ouve forças para ela desistir,mas como ela também é teimosa e começava a gostar de mim !!!!!! (convencido) lá fomos em frente.
Então fazia assim, tinha lá uma bicicleta que era do meu irmão,punha a dita em cima da camioneta da carreira por volta das 18 horas, parava á porta, dela tirava a bicicleta e subia uma rampa até á casa, lá estava ela á espera do seu príncipe encantado !!! , cumprimentava os futuros sogros e cunhados e lá iamos namorar para a sala,por volta das 23h, 23,30h lá vinha embora, pegava na bicicleta, por vezes escuro de todo, umas vezes com frio outras com calor, e pernas para que te quero, subida aqui descida ali e em 45 min. estava na Portagem, velhos tempos e eu era bom a pedalar, a "ginga" era uma pasteleira sem mudanças, pesadona, mas eu era novo e corria por amor!!!.
O tempo foi passando, comecei a ter a confiança da família dela,e quando lá ia, como estávamos muito tempo sem nos vermos, já namorava mais dias, quando lá ia poucos dias, namorava todos os dias,pelas férias, ia 3 ou 4 vezes por semana, e íamos a muitas festas e bailaricos.
Entretanto abandonei a "ginga", no Inverno ía na carreira e regressava de táxi, tudo combinado, e o Sr. Américo que era o taxista lá estava á meia noite a buzinar, para eu descer a rampa,por vezes atrasava-se para eu namorar mais um pouco,no verão,o meu segundo pai,o meu tio Joaquim, como ele dizia eu era mais um filho.
Eu esperava que ele chegasse do trabalho por volta das 18h,se ele não chegava a casa eu ia ter com ele á taberna da Tónha, e lá levava a motorizada, uma "zundap", que ainda hoje existe, e continua a ser o seu meio de transporte.
As cartas iam-se sucedendo, eu regra geral escrevia dia sim dia não,ela era mais preguiçosa,eu devo ter escrito para cima de mil cartas dela recebi cerca de seiscentas tambem tivemos as nossas zangas e mal entendidos,mas conseguimos superar tudo,e cada ano que passava maiores eram as saudades e a vontade de estarmos juntos,era com imensa alegria que via chegar o dia de ir para o Alentejo,mas era muito difícil e triste o dia que tinha de regressar,cheguei a despedir-me e no dia seguinte aparecer lá de novo, adiava um dia mas sempre tinha de vir embora,e os primeiros dias cá longe eram bem penosos,a vontade era regressar as saudades imensas,mas o nosso lema era pensar que um dia tudo ia acabar e poderíamos estar juntos para sempre,como felizmente veio a acontecer,um dia resolvemos acabar com este sofrer e juntarmos os trapinhos, mas foram os meses mais difíceis e mais longos que passamos até ao tão esperado dia.
O dia escolhido foi,6 de Agosto de 1977,o dia que mudou por completo o rumo da minha vida,o dia ansiosamente esperado e que nós vínhamos sonhando á muitos anos estava ali, terminava o namoro e o noivado, chegava o casamento.
Começava a azafama dos convites, das compras, dos papéis, da igreja e do copo de água e lua de mel !!!!,a ida para a Portagem, era de casa dos meus tios que eu saía para casar.
O casamento era na igreja de S. Julião, e copo de água ía ser no restaurante do Sr. João Carrilho na Portagem, numa esplanada por detrás da casa dos meus tios, chegou a véspera do esperado dia, ainda fui dar o meu ultimo namorico,ajudei no restaurante a preparar a sala, os preparativos em casa, deitei-me bem tarde,foi o ultimo dia de solteiro bem cansativo ,fiz a retrospectiva dos cinco anos de namoro,os dias de saudade e de tristeza por estarmos longe iam acabar, valeu a pena tudo porque passámos ,por amor faz-se e supera-se tudo, e o que ao princípio parecia um sonho estava prestes a tornar-se realidade, afinal nós estávamos apaixonados, eu amava-a
ela tambem dizia que me amava e queríamos ser felizesssssssssss.

PESSOAS FALECIDAS ATÈ AOS MEUS 20 ANOS

Para além dos meus avós que já comentei, registo o falecimento da minha tia Maria Fernanda em Moçambique,era irmã da minha mãe por sinal a mais nova,e recordo que veio cá de férias com o meu tio Germano,lembro-me de ter ido com eles a Grândola á "Silha" quinta do meu tio António, que também faleceu e era marido da minha tia Irene dona da casa para onde fomos morar.
Em Almada faleceu a minha tia Antónia,esposa do meu tio Álvaro irmão da minha mãe,
recordo que quando andava na escola, ia visitá-la e ela dava-me sempre o lanche e dinheiro.
Faleceu também um grande amigo meu, o Jorge num acidente de viação,muita vez fui com ele e com o pai dele á pesca para debaixo da ponte, por ironia o pai dele o Sr. Patrocínio ,era soldador numa agência funerária, soldava as urnas quando eram em chumbo.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

RECORDACÕES DE MUTELA

LEVAR ALMOÇO AO PAI
Muitas vezes fui levar o almoço ao meu pai,como era pedreiro,andava numa firma que construía prédios nem sempre trabalhava no mesmo sítio,e lá ia eu a pé ou de autocarro,ainda me recordo que o bilhete eram 6 tostões,geralmente levava uma mala que chamavam lancheira com o almoço do meu pai e o meu,sim que eu almoçava com ele e só vinha embora quando ele pegava ao serviço.

O 25 DE ABRIL DE 1974
Quando na manha desse dia minha mãe me acordou,dizendo que havia guerra em Lisboa,o meu pai já tinha saído para o trabalho,fiquei muito atento ás noticias,percebi que de facto não era guerra, mas uma rebelião das nossas tropas em protesto com o governo de então,contra a guerra que mantínhamos nas colónias de África, e que já tinha provocado a morte de muitos jovens portugueses.
Meu pai só trabalhou de manha ,eu não tive escola,pois mandaram todas as pessoas recolher ás suas casas e manterem-se calmas,mas o povo começou a perceber que a revolução estava em marcha e saíu ás ruas,em apoio aos soldados no derrube do governo que nos oprimia,pois não se podia falar, ter opinião,discordar do governo etc.
Ainda me recordo que uns anos antes no 1º de maio,meu pai ao vir do trabalho por volta das 6 da tarde, parou junto ao jardim da Cova da Piedade para falar com um amigo e logo foi agredido pela GNR,nesse dia, o dia do trabalhador não era feriado e não se podia parar na rua.
Com este dia o povo português ganhou a liberdade,acabou a guerra e passámos a viver em democracia.
Este dia passou a ser feriado,o dia da liberdade,e em Mutela durante muitos anos fazia-se uma festa, enfeitavam-se as ruas, punha-se a bandeira nacional ás janelas, e era da nossa casa que saía a música que se ouvia durante todo o dia.
No 1º de Maio era igual,tínhamos dois bonecos simbolizando um trabalhador e uma trabalhadora,colocávamos uma mesa no centro do largo, duas cadeiras e os bonecos lá sentados, na mesa não faltava o pão, azeitonas, vinho, bolos etc,e vinha muita gente ver a nossa festa.
No livro "Almada antiga e moderna",de que guardo um exemplar,pode-se ver fotos e um artigo a relatar estes factos,onde se fala do D.Maio e Dª Maia,e onde eu estou numa dessas fotos.

FESTAS POPULARES
Começámos também,eu,meu irmão e mais alguns amigos lá da rua, a fazer as festas populares,o Santo António,o São João e o São Pedro,havia comes e bebes,bailes variedades,cinema,ainda me recordo de lá ver actuar o Herman José e o Joel Branco,estavam eles no início de carreira.

EXCURSÕES
Eu e meu irmão começámos a realizar excursões pelo país,foi para o norte,para o sul,fomos á Serra da Estrela,Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Covilhã, Portalegre, Évora, Nazaré, Alcobaça, Batalha, Fátima,etc.
Na primeira escolhemos o autocarro duma firma de Sesimbra o Covas e Filhos, o motorista que nos calhou foi o Sr.Jacinto,uma pessoa espectacular,a partir daí foi sempre o nosso motorista,o carro era sempre alugado através dele,começou a ser nosso amigo de família assim como sua esposa e filha.
Numa dessas excursões ao visitarmos um cruzeiro, subimos para ver a paisagem e ao descer ele caiu e torceu o pé,mas continuou a viagem,sempre que parávamos para irmos visitar alguma coisa lá ia ele apoiado em nós,recordo que vimos a festa dos tabuleiros em Tomar sempre com ele apoiado nos nossos ombros,e conseguiu levar o carro até Sesimbra,convivemos durante anos,ele reformou-se foi para a terra dele e perdemos o
contacto.

MEU FUTURO CUNHADO
Numa das minhas idas ao Alentejo ver a namorada,soube que o irmão chegado à pouco da Guiné onde tinha cumprido o serviço militar,tinha conseguído emprego em Lisboa, como não tinha cá ninguém convidei-o a vir para minha casa,falei com os meus pais,e como a casa era grande eles aceitaram,com o tempo fomos ficando bons amigos,saíamos juntos, guardávamos alguns segredos,foi connosco a muitas excursões,e tornou-se nos olhos da irmã para me vigiar,enquanto eu estava longe dela,saíu de nossa casa para casar.
Ainda recordo ter ido com ele ao aeroporto de Lisboa,esperar a irmã dele,a Felícia,o cunhado,o Cardoso,e uma menina muito bonita com dois anos, a Elsa, que era afilhada da minha namorada,e de quem ela falava muito,vieram de Angola onde o Cardoso que era agente da PSP cumpria serviço,vieram morar para o Bairro da Boavista em Camarate, comecei a conviver com eles ,pessoas impecáveis e amigas,no verão íamos para a praia juntos,quando a minha namorada vinha cá de férias.

DADOR DE SANGUE
Quando fiz 18 anos comecei a dar sangue (naquela altura a vender),o meu pai já era á muito,e levou-me com ele,eu nessa altura tinha sempre que vinha o Inverno,muitas frieiras e dar sangue fê-las desaparecer,dávamos sangue numa clínica particular em Lisboa,e certo dia foram ao trabalho buscar-me para ir dar sangue a um doente,fui com eles para Lisboa a uma clínica e dei sangue directo a outra pessoa,foi a única vez que me custou dar sangue, doeu-me muito o braço,continuei a dar depois no hospital de S.José,e depois no Garcia de Horta em Almada, aqui já sem nada receber,é uma dádiva gratuita mas pode salvar uma vida.

SERVIÇO MILITAR
Quando chegou a altura de ir ao recrutamento para a tropa,o médico que me curou o joelho fez-me um relatório, para eu apresentar ao médico na inspecção militar, e então passei á reserva,se fosse antes do 25 de Abril de nada servia,mas como já não estávamos em guerra lá me safei.
Recordo que um ou dois anos antes meu padrinho,que era soldador e vivia na Alemanha, estava a trabalhar nas plataformas de petróleo,me arranjou lá trabalho,não pude ir porque não tive autorização dos serviços militares,
pensavam que queria fugir á tropa.

A CASA DA TIA EMÌLIA
A minha tia morava tambem em Mutela perto de nós,como o meu tio se reformou foram viver para o Cercal perto das Caldas da Rainha,ficamos entregues á casa ,e na parte do quintal tinhamos lá umas capoeiras, começámos a criar galinhas e coelhos, e a fazer bons petiscos aos fins de semana.
Havia um anexo onde com o meu irmão montámos uma oficina,começámos a fazer reparações em electrodomésticos e outros serviços,e lá íamos ganhando algum.
Foi aqui que pela primeira vez a minha noiva veio a nossa casa, com a irmã o cunhado e a Elsa que é sua afilhada,fizemos um almoço com os frangos que tínhamos,uma bela churrascada.

PENSAR EM CASAR
E ao fim de 5 anos de namoro pensamos em juntar os trapinhos,falei com os meus pais eles não se opuseram, disseram-me que não podiam pagar o casamento,era só meu pai a trabalhar e não se ganhava muito,eu concordei seria por nossa conta,e lá comecámos com os preparativos,convites,roupas,papelada,etc.
Como não tinhamos casa nem dinheiro para comprar,tentei alugar uma,mas um dia em conversa com uma tia minha que era viúva,e vivia nas Paivas numa vivenda de dois pisos com a filha,soube que ela ía ficar sózinha, pois a filha comprara um andar em Almada,e ía para lá morar.Acertámos as coisas e ficou combinado que ela iria para o 1º andar e nós ficaríamos no r/chão,mas só passado um ano,que era o tempo da casa nova da minha prima estar pronta.
Resolvemos então morar o primeiro ano em casa de meus pais,e lá arranjei um quarto só para nós.
Ela veio a Lisboa para casa da irmã ,lá fomos um dia á baixa comprei o meu fato e chegou o dia de irmos todos para o Alentejo,pois foi lá que casei.

PEDIR DESCULPAS AO PAI

PEDIR DESCULPAS AO PAI
Por volta dos meus 18 anos comecei a ter mais liberdade,e comecei a ir mais vezes ao Alentejo ver a namorada,certo dia disse ao meu pai que ía passar uns dias na terra,meu pai falou comigo, para eu poupar algum dinheiro não ir tanta vez á terra ,que tinha que juntar algum que depois vinha a tropa e eles não tinham posses para me dar dinheiro.
Eu dei-lhe como resposta "o dinheiro é meu faço o que quiser com ele".
Saiu-me esta resposta sem pensar, meu pai também não a esperava, ficou sentido e admirado, pois eu nunca lhe tinha respondido desta maneira.
Eu próprio fiquei um pouco sentido, nunca devia ter falado assim com o meu pai,e resolvi ir pedir-lhe desculpas, meu pai era nestas coisas muito reservado, sofria para ele e nós nem imaginávamos ,cheguei a casa procurei por ele á minha mãe,ela não sabia dele, tinha passado lá em casa e tinha saído,mas achou-o um pouco estranho,isto era principio de noite e eu fui procurá-lo.
Fui a vários locais onde era costume ele estar e nada,resolvi ir até a beira mar ,ao longe lá o vi sentado ,aproximei-me devagar e notei que ele estava a soluçar,sentei-me junto dele e procurei o que tinha,e ele a soluçar sem levantar os olhos do chão disse-me:
-Nunca pensei ouvir de um filho uma resposta destas,não merecia,era para teu bem.
Eu disse-lhe:
-Eu sei pai, perdoa-me, tenho pensado nisso e tenho andado á tua procura para te pedir desculpa.
Abracei-me a ele a chorar e pedi-lhe perdão, ele levantou-se deu-me a mão e levantou-me,deu -me um abraço e disse:
Estás desculpado, gostei da tua atitude vamos para casa.
Lá fomos os dois abraçados para casa,tudo ficou entre nós só mais tarde é que a minha mãe soube,ainda hoje ao contar este episódio me vêem as lágrimas aos olhos.
Este episódio marcou-me muito,mais me uniu ao meu pai ,e aprendi que os conselhos dos pais são sempre para nosso bem,eles mais que ninguém querem o melhor para nós .
Errar é humano ,reconhecer o erro uma virtude e perdoar é um dom ,obrigado pai onde quer que estejas jamais te esquecerei.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

HISTÒRIAS DO ALENTEJO

Ainda muito novo recordo-me que mesmo em férias, eu e meu irmão tínhamos de ir á "mestra", que era uma senhora,a Dª. Ivone,que nos dava aulas, éramos muitos,eu estava em casa dos meus avós, e o meu irmão em casa da tia Maria Rosa que era irmã do meu pai, recordo-me que antes de almoçar, a minha avó mandava-me levar a merenda ao meu avô,que andava com as cabras no "sapoio",nome dado á encosta de Marvão.
Á noite esperava meu avô com ansiedade,pois ele ponha o boneco a dançar,o boneco feito por ele,enquanto guardava as cabras era todo articulado,então espetava um arame nas costas do boneco,sentava-se em cima de uma tábua,parte da tábua ficava fora do banco,e batendo na tábua com uma mão e segurando o arame do boneco com a outra,o boneco como era todo articulado dançava,quando se juntavam os netos havia sempre espectáculo ,ainda hoje esse boneco existe está com uma prima minha.
Anos mais tarde numa tarde de grande trovoada,junto ao "bardo",nome dado ao local onde se encerravam as cabras, meu avô é apanhado pelo rasto de um raio,morreram cerca de 30 cabras, e um castanheiro ficou rachado ao meio,meu avô ficou afectado no cérebro para o resto da sua vida,alternava momentos de lucidez com outros de total descontrolo ,ainda convivi com ele alguns anos em Mutela, pois passou a andar todos os meses em casa dos filhos,e muitas vezes tive que tomar conta dele,pois de repente se levantava, chamava pelas cabras e queria fugir para a rua, veio a falecer e pouco depois faleceu a minha avó.
Tenho uma foto de meu pai comigo e com meu irmão ao colo,numa dessas férias no Alentejo,com um chapéu de palha na cabeça,anos mais tarde meu pai tira uma foto com as netas ao colo,precisamente na mesma posição em que tinha pegado nos filhos,depois irei mostrar essa foto.
Passámos a ir de férias para casa do meu tio Joaquim, que passou também a ser o meu segundo pai,ele próprio o dizia, a ele e á minha tia Maria tenho muito a agradecer, pois durante os anos que namorei a minha esposa,foram eles que me deram casa comida e roupa lavada,são pessoas que sempre trabalharam tinham a sua horta,meu tio trabalhava com uma rectroescavadora, e a minha tia na horta e nas limpezas.
Algumas vezes ia ajudá-los, regava a horta, apanhávamos batata e outras coisas.
A eles o meu muito obrigado por tudo o que fizeram por mim.
Lembro com saudade o tempo em que íamos juntos á pesca, na Portagem passa o rio Sever ,e meu tio era especialista em apanhar peixe á mão,bons petiscos se faziam, recordo que ele mergulhava nos pegos mais fundos,e trazia um peixe em cada mão e outro na boca, velhos tempos !!!!.
Mas também se começou a fazer petiscos com o peixe do rio ás quintas feiras,porque na Portagem existe uma piscina natural no rio,ás quintas a piscina era limpa, abriam-se as comportas,e com escovas limpava-se o fundo e as paredes, no fim com o peixe que ficava na piscina a malta fazia um petisco.
Agora as festas, Agosto e Setembro são meses de festa rija, por todas as aldeias e vilas da região há festas,são as touradas,jogos tradicionais,ranchos folclóricos,variedades, bailes,procissão e comes e bebes.
E lá estávamos nós, na Portagem como festeiros tínhamos muito trabalho,fazíamos ospeditórios,percorríamos as aldeias em redor a dar o folheto das festas,a pedir uma contribuição para as despesas da festa,fazíamos os enfeites em papel para ornamentar as ruas,e as rifas para a carmesse.
Um dia,ía eu com o irmão da minha namorada o João José de motorizada,íamos para S.Julião,eu ía namorar e ele deu-me boleia,tivemos um acidente,como a estrada estava em obras com valas abertas,parámos para um carro passar mas!!!,o condutor, um senhor já de idade avançada não desfez a curva e pimba,em cheio na moto,eu fiquei ali no chão com a perna ferida,e o meu cunhado com a pancada caiu na vala,com isto tudo quem havia de aparecer!!!,a minha namorada,ela trabalhava numa fábrica em S.António das Areias,e vinha numa camioneta que as transportava todos os dias,lá fomos socorridos ainda andei umas semanas a fazer curativos á perna,pagos pelo dono do carro,que tambem me pagou as calças.
Recordo também os bons banhos que tomávamos,umas vezes íamos á piscina e outras aos pegos,o mais conhecido o "pego da andorinha", era bem fundo e dava para darmos uns bons mergulhos.
No seguimento do bidon de alcatrão, fomos chamados á GNR a Marvão, alguém viu e nos denunciou,o primeiro a ser ouvido foi o João Manuel,o nosso amigo era filho dum comerciante e o mais novo, a GNR começou a ameaça-lo e ele confessou,eu, meu irmão e o meu primo sempre negámos, apesar de termos sido ameaçados que nos batiam,lá pagámos todos uma multa (os nossos pais)e ficou tudo resolvido.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

DOS 15 AOS 20

Os meus 15 anos foram passados na terra do meu pai,onde aliás se repetiriam por muitos anos,e nessa bela aldeia alentejana chamada Portagem,eu e meu irmão fomos durante alguns anos festeiros.
Todos os anos, no final de Agosto principio de Setembro, havia 4 dias de festa,com touradas,bailes,variedades,ranchos, procissão, etc, a festa é em honra de Nossa Senhora da Rocha,que tem uma capelinha no largo da Portagem.
O meu dia de anos foi passado com o meu irmão,com os meus pais, meus tios Maria e Joaquim e primos ,para a casa dos quais nós íamos passar as férias.
Na noite desse dia havia festa em S. Salvador, uma aldeia ali próxima,havia baile e comes e bebes, e lá vamos nós estrada fora,eu ,meu irmão,meu primo Joaquim Ventura e um moço lá da terra,em dia de anos já íamos quentinhos,e o que nos havia de aparecer á frente !!!um bidon de alcatrão vejam só,andavam a reparar a estrada e estava cheio mas duro,já não me recordo de quem foi a ideia, mas entre todos aí vai ... bidon ao chão.
Seguimos até a festa, nessa noite conheci aquela que é hoje a minha esposa,o irmão dela foi buscá-la a casa para vir ao baile, nessa época era namorado duma prima minha e éramos amigos,comemos e bebemos mais umas cervejinhas, e já de madrugada lá voltamos para casa,pelo caminho encontramos o bendito bidon e.... o alcatrão todo derramado,com o calor foi escorrendo,como era escuro e não havia ninguém!!! pensámos nós, seguimos viagem,pelo caminho ainda passámos por dentro do canteiro de flores da Ti Joaquina do Matinho,subimos a calçada para Marvão para irmos dormir a casa do meu primo mas!!!..porta fechada, como já era tarde nem batemos á porta,pegámos numas sacas e vá de dormir na varanda ao fresco.
De manha quando os meus tios acordaram lá estávamos nós ao fresco demos a desculpa que estava muito calor e lá passou, viemos para baixo e lá estava a Ti Joaquina furiosa, "se eu descubro quem fez isto vai pagá-las", as flores estavam todas partidas,mas nós caladinhos lá passámos e nunca se descobriu.
Acabadas as férias lá viemos para Mutela e escola,eu lá continuava com o curso de electricista.
Tinha trazido a morada da irmã do meu amigo e começámos a escrever um ao outro, pedi-lhe namoro e tudo começou até casarmos,com muitas histórias pelo meio, que vou contando.
Entretanto um dia na aula de ginástica,ao correr os 100 metros tive um problema no joelho, e no músculo da perna,ficou duro como pedra e não mexia a perna,o médico da escola receitou-me uma pomada e repouso mas nada ,não tinha melhoras,meu pai chamou um médico que me receitou duas injecções,por sinal bem caras,meu pai foi logo buscá-las , levei logo uma e no outro dia outra,a perna ficou boa mas o joelho ficou cheio de liquido , a receita do médico foi... areia da praia ,quente, e ali passei uns dias,minha mãe punha um tacho com areia ao lume,punha a areia num saco de pano , eu punha no joelho,passado pouco tempo a areia estava molhada, e lá repeti a operação até o joelho secar, conclusão,perdi o ano.
Agora que já namorava precisava de dinheiro, para os selos e para ir visitar a namorada, então aos fins de semana, ou ia ajudar o meu pai nos extras que ele arranjava, ou junto com o meu irmão, lá numa oficina de automóveis, a Auto-Marginal, que tinha uma máquina automática de lavar carros,aliás foi das primeiras que apareceram,aspirávamos os carros e ganhava-mos um tanto por cada carro ,ora aquilo era novidade, ao sábado e ao domingo era sempre a aviar, e lá fui ganhando uns trocos,dava para ir ver a moça pelo Carnaval ,pela Páscoa,pelas férias,pelo Natal e sempre que podia,mais tarde conto os meus cinco anos de namoro.
Entretanto no último ano do curso fiquei com uma cadeira por fazer,comecei a trabalhar e acabei o curso á noite.
O meu primeiro emprego foi na firma Electro Aparatos Vipimoreira em Almada.andávamos
a fazer instalações eléctricas em prédios,estive lá até aos 19 anos,tive que saír pois
a firma deixou de fazer esses trabalhos.
A 6 de Agosto de 1977 no final dos meus 20 anos casei.

sábado, 14 de julho de 2007

MAIS ALGUMAS RECORDAÇÕES

O RELÓGIO
Não me podia esquecer do bom do relógio, foi assim:
- Estava eu com o meu irmão em casa sozinhos, a minha mãe tinha ido à praça e o meu pai trabalhar ,como não tínhamos nada que fazer,e o relógio não andava lá muito bom,estou a falar dum relógio antigo que era dos meus avós,relíquia de família,daqueles de parede com caixa de madeira todo trabalhado,e então pensámos:
- Vamos arranjar isto, a mãe quando chegar fica toda contente,
e lá deitámos mãos à obra,chave de fendas para aqui,martelo para ali e com todo o cuidadinho do mundo,foram saindo os parafusos, as rodinhas dentadas,tudo arrumado e marcado para depois voltar a montar...!!!
Estava tudo a correr ás mil maravilhas,quando de repente ao tirar uma tampa, rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.......!!!!!!!
Tinha acontecido a desgraça,rodinhas para um lado,parafusos
para o outro, uma fita de aço enorme saiu daquele relógio,até nós,"especialistas" em relógios nos assustamos.
E agora, a mãe a chegar,o dito cujo de pantanas, que fazer ?
Lá fizemos ver á Ti Aurora que a intenção era boa,mas não estávamos á espera da maldita corda saltar toda,ficou-me pena pois hoje se bem arranjado ainda podia estar a trabalhar.

FUTEBOL EM CASA
Pois é, antigamente jogava-se futebol em casa,a cama era a baliza,um chutava outro defendia,grandes voos,grandes defesas para a relva (cama) e já está,um voo maior, e a travessa da cama do lado da parede partiu ao meio, que fazer? Lá fomos arranjar uma caixa de madeira, colocamos debaixo da travessa e esteve assim, até que um belo dia se desviou a cama para limpeza e se descobriu tudo.
Outra vez lá se foi o vidro da janela como explicar o sucedido?
Lá fomos á rua buscar uma pedra,colocá-la na direcção da janela, e explicar á Ti Aurora, que alguém da rua mandou uma pedra para a janela e partiu o vidro,só que !!! a maior parte dos vidros estava na rua, conclusão,gato escondido com rabo de fora.

ORDEM PARA SAIR
Pois é, naqueles dias quentes depois do jantar, no largo de Mutela a malta nova fazia uma futebolada ,mas para podermos ir, tínhamos que ir á taberna onde o Ti João passava os fins de tarde, e pedir com bons modos ao paizinho se deixava,mas como nós éramos bem comportados !!!! de vez em quando levávamos o nega.

ESCREVER CARTAS
A tia Emília não sabia escrever,então eu ou o meu irmão, de vez em quando, éramos convocados para escrever cartas,para o tio Gerardo que era embarcado, para o meu padrinho que estava na Alemanha,ou para a prima Mari Zé que morava em Espanha, e lá íamos ganhando qualquer coisa.

TREMOR DE TERRA
Foi em Fevereiro de 1968 que senti pela primeira vez um tremor de terra,estávamos todos a dormir, de repente de madrugada, acordámos com um barulho estranho, tudo em casa abanava e tilintava, achei aquilo estranho, chamei pelo meu pai, mas ele disse para estar sossegado na cama,aquilo era um cilindro que estava a passar na rua,mas logo que terminou todos nos levantámos, fomos para a janela ver o que tinha acontecido, felizmente nada de grave se passou, de manha nos jornais vimos que tinha sido forte,penso que 6,8.
Depois deste já senti mais alguns,mas não tão forte como este.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

DOS 10 AOS 15

Aos 11 anos faço a 4ª classe e a prova de admissão para entrar no ciclo preparatório, faço o 1º ano numa escola em Almada, ainda me lembro que tinha que me levantar ás 7h, ia a pé para lá chegar antes das 9h, quando tinha uma hora de almoço levava comer e quando tinha duas ia almoçar a casa, pois tinha escola todo o dia.
Recordo um episódio engraçado, um belo dia não tive aulas de tarde, em vez de ir para casa, fiquei com os colegas numa escada que tinha um corrimão de pedra, e nós lá íamos escorregando por ali abaixo,tal era o entusiasmo, que nem vi o meu pai passar por mim sem nada me dizer, em casa é que me procurou se tinha gasto o cú das calças,e não me livrei de uns tabefes.
Acabado os dois anos do ciclo preparatório,meus pais com algum sacrifício disseram-me para ir tirar um curso.
Tinha duas opções,ou ia para o liceu e tirava um curso comercial,ou,ia para a escola industrial e optava entre serralharia e electricidade, optei pela ultima,tirei o curso de formação de montador electricista.
Neste espaço de 5 anos tenho imensas recordações,a começar pelos piqueniques,muitas vezes no verão íamos jantar para junto do rio, levávamos uma toalha o farnel e lá passávamos o resto da tarde até anoitecer,antes do jantar claro não podia faltar um bom mergulho no rio,sim que nesse tempo, aonde até a pouco tempo era a Lisnave podia-se tomar um bom banho e até apanhar uns camarões .
No inverno os serões eram passados á braseira, normalmente com a companhia da tia Emília a jogar ao "não te irrites",ás cartas e a contar anedotas, sim que a tia Emília era especialista nisso, e nesse tempo não havia televisão, e rádio era para os ricos.
Os fins de semana de verão, ao domingo ou íamos para a praia na Costa da Caparica, ou para o campo, levávamos o farnel e passávamos lá o dia todo,isto se o meu pai não tivesse nenhum trabalho extra para ganhar mais uns escudos,outras vezes íamos para a Fonte da Telha, de Galéria, para quem não sabe,é uma carroça grande com quatro pneus, os da frente são direccionais, tem um varão central,e é puxada por dois cavalos, o condutor era o Ti Diogo e pagávamos vinte e cinco tostões, a viagem demorava uma hora e meia, mas era porreiro
e ainda tínhamos que descer e subir a rampa da Fonte da Telha a pé,não havia estrada.
Quando o meu tio Gerardo chegava das viagens,recordo que todos os sábados comprava berbigão,era comido ao natural,punha uma chapa ao lume e o berbigão em cima,comia mais quem não tivesse medo de se queimar,pois assim que um abria todos tentávamos logo apanhá-lo,só que a casca estava quente!!!.
O meu padrinho tinha ido para a Alemanha, e no verão, quando vinha de férias,o nosso petisco quase todos os dias, por volta das seis da tarde, era o bom do caracol,feito da taberna lá de Mutela, e que ainda hoje existe a "Laranjinha",ainda hoje sou doido por caracóis e a minha filha também .

quinta-feira, 12 de julho de 2007

OS MEUS PRIMEIROS 10 ANOS










Nasci em Agosto de 1956 ás 23h e 30m no hospital de S. José freguesia do Socorro em Lisboa minha mãe, Aurora e meu pai João resolveram chamar-me Vasco o mesmo nome do meu padrinho.
Meus pais moravam em Mutela na Cova da Piedade na casa de meus avós maternos, família pobre, meu pai era pedreiro e minha mãe doméstica.
Cresci sem problemas e meus pais não perderam tempo em aumentar a família, 15 meses depois nasceu o meu irmão António que era para ser uma menina mas!.
Lá fomos crescendo nada a registar que me tenha ficado na memória, fui baptizado assim como o meu irmão mas não tenho lembrança disso e chegou a altura da escola, iniciámos os dois pela pré-primária no Clube Desportivo da Cova da Piedade, aí comecei a ter convívio com os meus tios Luísa e Lélitas, ela era costureira e irmã da minha mãe e ele era sapateiro, tinham uma filha a Tilinha que era muito estudiosa e moravam mesmo ao lado da escola.
Até que cheguei à 1ª classe, no ano seguinte registo no meu 8º aniversário uma queda aparatosa nas escadas lá em casa, minha madrinha, Maria Carolina vinha com uma prenda e eu com o entusiasmo debrucei-me no varandim das escadas,ainda são três lances e caí junto dela logo me pegaram ao colo e me levaram a uma clínica que lá existia era do dr.Elvas pelo caminho fui tirado dos braços da minha mãe pelo meu padrinho que morava ali perto e me levou à dita clínica.
Nada de especial me aconteceu fui para casa e me mandaram tomar uma gemada com cerveja preta e algum repouso,mésinhas da altura !.
Recordo ainda as palavras de minha avó toda aflita "aí que o nosso menino morre "
Pouco tempo depois,um fim de semana com um piquenique marcado no campo eis que me começa a doer a barriga, minha mãe me esfrega com azeite e um saco de água quente e em principio devia passar mas não,vou ao médico e eis-me com uma apendicite aguda, vou de urgência para o hospital de S. José e sou operado de imediato, fico lá oito dias sem visitas,naquela altura não eram permitidas visitas mas tudo correu bem.
Recordo que assim que me pude levantar ajudava as enfermeiras a levar o almoço aos outros doentes eles davam-me dinheiro e ainda trouxe três escudos para casa.
Pouco tempo depois morre o meu avô paterno que estava doente e acamado e minha avó com o desgosto pouco tempo dura.
Ainda me lembro de ver suas urnas num quarto lá de casa pois antigamente não se ia para a igreja tudo aquilo para mim era novo mas algum dia tínhamos que passar por isso.
Na escola lá vou passando de classe sem problemas e chegam os meus 10 anos.
Nestes primeiros dez anos ainda tenho na memória as reuniões da família materna lá em casa ao fim de semana ,os bolos que a minha tia Luísa nos levava lá a casa todos os domingos de manhã,geralmente uma bola de berlin,o casamento da minha prima Tilinha,
as chegadas e partidas do meu tio Gerardo, pai do meu padrinho que era embarcado fazia as viagens no navio Império, levava e trazia as tropas portuguesas para as colónias portuguesas em África, nessa altura Portugal estava em guerra com os chamados na altura terroristas.
Minha tia Emília mulher de meu tio nos dava quando ele chegava algumas coisas que ele sempre trazia como bananas,côco.ananás, amendoim etc.
Recordo ainda algumas viagens ao Alentejo terra de meu pai e de minha tia Emília, meu tio tinha carro ainda me recordo um Vauxaul Viva e nos regressos dele íamos á Portagem fica perto de Marvão em Portalegre e sempre que íamos tínhamos que parar em Portalegre para comer a famosa massa frita que ainda hoje existe.
Recordo ficar em casa de meus avós paternos , meu avô era pastor e minha avó trabalhava o campo donde vinha muito do comer para casa, uma coisa que ainda hoje lembro com saudade é o cheiro e o paladar do café da minha avó feito ao lume numa cafeteira de ferro com canela e onde ela punha uma brasa no fim para o café assentar.
Todos os sábados íamos á catequese e aos domingos á missa onde fiz a primeira comunhão e a comunhão solene.
Recordando o nome de meus avós, os maternos eram Clotilde e António e os paternos eram Joana e Manel.

terça-feira, 10 de julho de 2007

RETROSPECTIVA

Decidi, porque não ?, aos 50 anos fazer a retrospectiva da minha vida .
Um homem para se sentir realizado precisa de fazer três coisas na vida, plantar uma árvore, o que já fiz, fazer um filho, também já fiz e escrever um livro vou deste modo tentar fazê-lo.
Não quero com isto dizer que não me sinto realizado, nada disso mas já agora quero completar o ditado.
Sou um homem realizado e feliz, tenho casa própria, um carro,uma mulher que amo e adoro,uma filha linda que amo de todo o coração, um genro que é como um filho que muito gosto e em breve se Deus quiser um neto/a ,a juntar a tudo isto trabalho e tenho uma saúde razoável,que mais pode um homem desejar?.
Vou aos poucos contando a história da minha vida, igual se calhar à de tantos mas é a minha.