quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A MEU SOGRO

Foi com surpresa que recebi a noticia da morte do meu sogro, embora já esperada pois os últimos três meses foram para ele de muito sofrimento, não pensei que fosse tão imediata, por tudo o que ele passou e conseguiu superar.
Dentro daquele corpo pequeno e franzino como sempre o conheci, estava um homem de força e coragem, um homem que nunca virou a cara á luta, um homem que desde sempre lutou para conseguir alcançar o que queria, foram noites e noites sem fim galgando serras e vales com a mochila ás costas, enfrentando o frio e a chuva, o calor e a escuridão da noite, por veredas que ele já conhecia mesmo de olhos fechados, para que não faltasse o pão para os filhos, mas conseguiu criá-los e vê-los crescer.
Sofreu com a partida deles para a guerra do ultramar, sentiu alivio e felicidade quando os viu regressar sãos e salvos, sentiu-se feliz ao vê-los casados e felizes, sofreu com a partida inesperada da companheira, uma dor que carregou pelo resto da sua vida juntamente com a dor dilacerante da perda da filha.
Mas nunca virou a cara á luta, a sua cara, mãos e pele eram a imagem dessa luta, no trabalho árduo no campo, nos quilómetros percorridos a pé, no calor, chuva e frio que apanhou a sua luta era sempre pelos filhos.
Com perto de 90 anos ainda saía todos os dias com as suas cabras serra acima, mas um acidente em vésperas do casamento da neta levou-o ao hospital com a perna partida, a partir daí perdeu grande parte da sua mobilidade, embora de muletas ainda fazia muita coisa.
A sua entrada permanente no lar deixou-o muito em baixo e começou aí juntamente com outros problemas de saúde o principio do seu fim, acamado e sem forças para se movimentar foi aos poucos perdendo as suas faculdades, mesmo tendo o apoio no lar de três pessoas da família que lá trabalham, foi precisamente com uma delas que deu o seu ultimo suspiro.
Decerto partiu feliz, pois ainda soube que todos os filhos se entenderam na divisão dos bens que ainda lhes deixou.
Recordarei para sempre o homem simples e trabalhador que me recebeu de braços abertos na sua família, e a quem eu dentro das minhas possibilidades fiz tudo o que pude para o ajudar e lhe proporcionar momentos de alegria .
Chegada a sua hora, partiu em paz, que Deus lhe dê o merecido descanso, partiu o homem ficou a sua obra os seus ensinamentos.
Recordarei com saudade os bons serões passados em sua casa junto ao lume, onde ele relatava as suas histórias de vida e se comia um bom magusto que só ele e a sua sertã tão bem fazia, acompanhado pelo copinho da aguardente, que saudades!!!!!!!!.
Manézinho, como era carinhosamente conhecido, deixou-nos, OBRIGADO por todos estes anos que convivemos juntos, pelas lições de vida que nos deixou, e uma pesada herança que cabe agora a todos nós ,filhos, genros e noras continuar, a luta diária por uma vida melhor vencendo e ultrapassando os obstáculos que a vida nos coloca tentando transmitir aos nossos filhos e netos tudo de bom que ele nos deixou.

“Sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de pessoas que passaram por ela.”

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

MÃE

Saudade de Filho
(A minha mãe Aurora)

Se àqueles que partem deste mundo
Na sublime jornada à outra vida
Fosse dado sentir a dor no fundo
Do coração que fica em despedida

Eu quisera, minha mãe, que Deus te desse
Na rápida visão de um só momento
O retrato da dor neste tormento
Na alma do filho que jamais te esquece

Mas se duro me foi o sofrimento
E o coração de mágoas se entristece
Elevo para os Céus neste momento
A imortal glória do teu brilho
Na comoção sincera desta prece
No doce orgulho, minha mãe, de ser teu filho!


Mais um ano se passou desde que nos deixastes, a dor atenuou mas a saudade aumentou,e no resto da minha vida jamais irei esquecer que se hoje aqui estou a ti o devo, obrigado MÃE