domingo, 27 de janeiro de 2008

A VIDA CONTINUA


Pois é a vida continuava, as obras em casa ocupava muito do meu tempo, no r/chão era os acabamentos, os azuleijos e mosaicos, as aduelas das portas, e o chão flutuante, e aos poucos a casa por dentro ía ficando pronta, no trabalho ainda andei muitas vezes pelo norte, em Leça da Palmeira, a montar o túnel de despoeiramento nas cargas dos cereais.
A Célia lá continuava no seu curso sempre com bom aproveitamento, e o final aproximava-se.
Ainda fiz uma viagem á Madeira para ir montar uns transportadores nos CTT do Funchal.
Entretanto no Lopes & Moura as coisas começavam a complicar-se, o trabalho começava a faltar e na sequência deste também o dinheiro.
Passou também o casamento do Paulo, que me ficou muita pena não ter ido, por solidariedade com a minha mulher, por motivos familiares, contudo para eles tudo de bom na vida, e em especial para o Paulo, por tudo o que passou e sofreu merece ser feliz.

ACIDENTE NO TRABALHO

Pois é, tão cedo não esqueço o dia 31 de Maio de 2001, faltava pouco para o meio dia, eu estava em cima da plataforma elevatória dum carro de abastecimento de água aos aviões, pois lá no Lopes & Moura fazíamos muitos trabalhos para a TAP, escadas de acesso aos aviões, carros de bagagem, carros para limpeza dos WC, e estes carros de agua.
Naquele dia era dia do teste da plataforma, que serve para elevar um homem á fuselagem do avião, para ligar a mangueira para encher os depósitos de agua, a plataforma subia pela força de um cilindro hidráulico á altura de 6 mt. , este havia sido modificado para puder chegar a esta altura, estava a fazer o teste de elevação, rodeado de pessoal ,engenheiros e patrões a assistir, eis que por volta dos 5 mt. o cilindro rebenta, espalhando óleo por cima daquele pessoal todo, eu sou projectado para cima e caí desamparado de costas no chão, levantei-me logo de seguida parecia não ter nada, mas passado pouco tempo começo com muitas dores nas costas, chamaram a ambulância e fui para o hospital de Almada, fizeram-me exames e radiografias, não viram nada e mandaram-me para casa em repouso.
Mas as dores não passavam, fui então ao seguro , mais exames e então viram que tinha o osso coxis partido, passei umas boas semanas no seguro, não conseguia estar sentado, fiz várias sessões de fisioterapia com raios gama até a fractura estar consolidada, mesmo depois de ter alta as dores continuavam, não conseguia conduzir muito tempo seguido, e fui então a uma junta médica onde me deram incapacidade de 5% e uma indemnização, fiz muitas viagens ao Alentejo a ter de parar várias vezes no caminho, hoje já estou um pouco melhor embora com as mudanças do tempo sinta sempre dor e incómodo, mas cá estou e vamos indo uns dias melhor outros pior.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

INICIO DAS OBRAS

Depois de ter arranjado o pedreiro através do conhecimento de pessoas amigas, iniciamos oficialmente as obras em Maio, eu tirei uma semana de férias para acompanhar o arranque das mesmas, começamos pelas demolições, a varanda da frente foi a primeira a cair, para nascer a nova apoiada em pilares redondos,foi abrir cabocos para as sapatas dos pilares, foi picar as paredes todas por fora até ao tijolo para serem rebocadas de novo, foi montar andaimes, foi desmanchar o telhado, foi pilares e placas acrescentadas nas traseiras da casa, foi confragens e estrutura de ferro para os pilares e placas, foi muita massa para as placas e pilares, vigas para o telhado, as pedras para as janelas e portas, foi todo o alumínio para portas e janelas, e tanta coisa mais para conseguirmos ter a nossa casinha arranjada como nova.
A parte do ferro fui eu mais a Célia como ajudante que o fizemos todo na oficina do Lopes & Moura, lá montamos tudo e veio na camioneta para casa, foram fins de semana seguidos sem parar, muito entulho a minha mulher e a minha filha carregaram para os sacos da câmara, mas tudo o que era preciso fazer antes da chegada do Inverno foi feito, com a ajuda do tempo pois esse ano pouco choveu até Novembro, altura em que o pedreiro e o servente deram por terminadas as obras do exterior, com o telhado colocado a casa rebocada por fora e ampliada, a primeira fase estava terminada, ficava a faltar a pintura e o rodapé de pedra.
Agora seguia-se o interior, depois de toda a instalação eléctrica e águas pronta, havia que tapar roços, rebocar paredes para depois receber os azulejos e mosaicos, no 1º andar ainda veio um ladrilhador fazer a cozinha mas não gostei do trabalho, decidi então ser eu a fazer, comprei a máquina e vá de mãos á obra com a ajuda das mulheres da casa, por dentro foi tudo feito por mim, aduelas e portas ,azulejos e mosaicos, chão flutuante e tectos falsos, só o estuque é que não, sem fins de semana , férias e descanso foi com imenso gozo que fiz esta obra.
Mas depois do 1º andar pronto, foi o mudar tudo para cima para começar em baixo, repetir tudo de novo, tive que pintar a casa por fora, acabar o chão do quintal,mas com a ajuda de Deus lá conseguimos fazer tudo, contei também com a preciosa ajuda de três colegas de trabalho, do meu irmão, do meu genro, dos meus patrões que me facilitaram a oficina, a todos muito obrigado.
Finalmente em 2004 a obra estava mais ou menos concluida, muitas mais coisas se passaram nestes quatro anos, que contarei mais á frente.

domingo, 6 de janeiro de 2008

EM FALTA DE 1998



Pois é lá me ía esquecendo de duas coisas importantes de 98 !!!

A EXPO98, e as festas de Campo Maior.
Fui dois dias á expo, de facto um acontecimento importante para o nosso país, muita coisa de interesse para ver, com a maioria dos países do mundo lá representados.
Recordo os pavilhões de Portugal, da ciência, do conhecimento, dos mares, do futuro, etc, os ovos com as quatro estações do ano, a animação de rua, o matrix, e tanta coisa digna de se ver.
Foram dois dias muito cansativos mas muito proveitosos, conhecer novos mundos novas culturas é sempre enriquecedor.
Ainda andei no teleférico, só não vi o oceanário pois as filas eram enormes ,e como ficava depois da exposição fomos mais tarde lá ver.




Em Setembro fomos então as festas de Campo Maior, saímos bem cedo de casa, ainda são duzentos e muitos km , para arrumar o carro já foi bem longe da festa e lá fomos a pé, de facto nunca tinha visto nada igual, são ruas e ruas todas enfeitadas com flores de papel,várias cores e feitios, um espectáculo digno de se ver, o trabalho daquela gente que com todo o amor e carinho enfeita a sua rua e tenta ser sempre melhor que a rua do lado, é um trabalho de meses, daí que a festa se faz só de quatro em quatro anos.
Lá andámos com a Elsa ,o Carlos e o Martim,foi um dia bem passado mas muito cansativo.














1999 ANO DE MUDANÇAS


Pois é, 1999 foi o ano em que muita coisa aconteceu, comecei com as obras de remodelação da casa, comecei pelo 1º andar, foi picar as paredes todas até ao tijolo, deitar paredes a baixo e fazer outras de novo,arrancar os tacos do chão, tudo isto feito ás tardes depois de sair do trabalho, aos fins de semana e feriados, eu ,mulher e filha foi dar no duro, quando tinha uma divisão toda picada era tapar as fissuras nos tectos e paredes, fazer a instalação eléctrica alterar portas, e a Célia e a minha mulher era carregar baldes de entulho para o saco da câmara, eram as bolhas nas mãos,as dores nas costas,mas aos poucos lá fomos fazendo as obras por dentro enquanto esperávamos a licença da câmara para iniciar as obras por fora, licença essa que chegou em Novembro .
A Célia acabava o 12º ano e entrava na faculdade, foi para o instituto Piaget tirar o curso de educadora de infância, mais um esforço que fazíamos para ela ter um futuro melhor que o nosso.
Aqui começava o que seriam cerca de quatro anos de muito trabalho, e muito dinheiro para gastar, pois ia tentar arranjar um pedreiro para me fazer toda a parte de fora da casa e por dentro seriamos nós a fazer.

sábado, 5 de janeiro de 2008

1998 MAIS 4 VIAGENS


A 9 de Janeiro de 1998 lá vou eu, desta vez a caminho do Brasil,com escala em S. Paulo, destino Curitiba,lá passei o mês de Janeiro todo,foi muito trabalho mas também muito foró,das 8 ás 5h trabalhava-se e depois dum bom banho era ir curtir numa boa,era a caipirinha,as corridas de kart,os churrascos e os rodisios, e sambar !!!.Aos fins de semana íamos passear, ver as cachoeiras, as praias de interior, fomos ainda ver as cataratas do Iguazu,com muito calor fizemos cerca de 600km e no outro dia tinha o braço que vinha de fora todo queimado, o carro era um Fiat e não tinha ar condicionado.Quase todos os dias éramos convidados para os churrascos pelas meninas da fábrica, comia-se, bebia-se, e sambava-se até ás tantas,era muita fixe, e os bares com aquelas meninas todas gostosas um espectáculo !!!, foi a viagem que mais gostei, o Brasil é de perder a cabeça, que o diga um colega nosso o Morgadinho, que por lá ficou apaixonado por uma brasileira, deixando cá a mulher e dois filhos, um ainda bebé, e nunca mais voltou !!! cuidado com elas !!!.
A seguir de 25 de Fevereiro a 6 de Março, e de 9 de Abril a 24 de Abril fui para a Polónia, em Fevereiro ainda apanhamos uns dias de frio e neve, mas tudo correu bem, ainda estivemos para ir visitar o campo de estremínio de Auschwitz, mas não tivemos tempo.Por fim a ultima viagem foi á Eslováquia de 18 a 29 de Maio para montar os últimos dois carrocéis,a partir daqui não fiz mais viagens para fora, mas comecei a andar pelo país a montar máquinas e a fazer reparações.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

NOVO (ENTRE PARÊNTESIS)


PARA TI MARIANA
É com a maior alegria do mundo que interrompo as minhas memórias, de novo por tua causa,desta vez porque te conheci, foi com imensa emoção que ouvi o teu pai dizer "a Mariana nasceu, correu tudo bem,a Mariana e a mãe estão bem", foi como se a Célia tivesse nascido de novo, uma enorme alegria invadiu minha alma, que boa a sensação de ser avô, quando teu pai disse que te íamos ver não fui embora, esperei ansioso por esse momento, e lá vinhas tu ao colo da enfermeira ,tão frágil nesta tua entrada neste mundo, mas com a protecção do teu pai e teus avós, meus olhos brilharam de alegria ao ver-te, tão linda e ao abrires os olhinhos para nós estabeleceu-se um laço de união, de amor e carinho que jamais será quebrado, tudo faremos para que nada te falte, e se ao deixar o hospital para ir trabalhar uma ou outra lágrima deitei foram lágrimas de alegria,por ti , pelos teus pais, pelo sofrimento da tua mãe e pela coragem do teu pai.
Por isso pipoquinha querida, de braços abertos te recebemos, tens todo o amor e carinho á tua espera, sinto que ser avô já é uma grande responsabilidade, mas tudo faremos para ajudar teus pais a te criar e educar, nos bons e maus momentos da vida que agora começastes .
Que Deus nos dê saúde e mais alguns anos de vida para podermos partilhar e saborear o teu crescimento, a tua aprendizagem, as tuas brincadeiras e traquinices.
Hoje fui ver-te de novo, e ver a tua mãe que não a tinha visto ainda depois de tu nasceres, como estava feliz e radiante a olhar para ti , a tratar-te e a embalar-te, tens uma mãe espectacular, que seja no mínimo tão boa mãe como é filha, e podes querer que tens a melhor mãe do mundo , e um pai muito especial, era a felicidade estampada no rosto, um homem de coragem foi o primeiro a ver-te, desligou-te da tua casinha de nove meses e ligou-te a este mundo.
Como me soube bem a tua maõzinha tão pequenina a apertar o meu dedo, que seja o primeiro de muitos contactos que teremos pela vida fora, temos muito amor para te dar, vem Mariana um lar acolhedor te espera, a nossa vida daqui para a frente tem um novo sentido, benvinda Mariana, serás para sempre a nossa pipoquinha.

PARA TEUS PAIS
Para vocês primeiro que tudo muitos parabéns, pela filha linda e perfeita que acabam de ter, pela neta que nos deram, e pela coragem e sofrimento por que ambos passaram mas que superaram com nota máxima, muitos parabéns , saúde e felicidades para a criarem.
Nova etapa na vossa vida vos espera, ser pai e mãe é uma enorme alegria e felicidade, mas também uma enorme responsabilidade, agora primeiro que tudo está a vossa filha, sei que serão uns bons pais, que tudo irão fazer para que nada lhe falte, amor, carinho, educação e muita compreensão, as crianças dão-nos imensas alegrias mas também muitas dores de cabeça, ficamos felizes com as primeiras palavras, o primeiro passinho sem cair, e como é lindo o sorriso duma criança, mas também ficamos tristes se estão doentes, se choram com alguma dor, mas é o ciclo da vida e temos que saber superar com muita coragem e amor.
Que consigam ser melhores pais, ou pelo menos tão bons como os vossos foram, que tentem corrigir para melhor alguns erros dos vossos pais, e que possam dar á Mariana muito mais que aquilo que os vossos pais vos deram, nós já fizemos o mesmo, e se mais não fizemos foi porque não pudémos.
Cá estamos, não para vos ensinar mas sim para vos ajudar a criar e educar essa pipoquinha linda Deus nos dê saúde para isso, sentimos que pudemos ser úteis á nossa neta, nós bem sentimos a falta daqueles que bem cedo nos deixaram eras tu Célia bem pequenina, e ficastes sem esse apoio importante, mas só Deus sabe.
Estou feliz por vocês, tu Célia pela coragem e sofrimento , pelas dores e noites mal dormidas, mas no fim essa cara diz tudo, tens a alegria e felicidade estampada no rosto, olhar para ti a ver-te olhar para o teu rebentinho dá um prazer imenso, os teus olhos dizem tudo que te vai na alma ,força vai em frente serás a melhor mãe do mundo.
Para ti Nuno pela coragem, pelo apoio que sempre destes á Célia,porque estivestes presente e lhe destes força ,a minha reconhecida gratidão, fostes á luta e vencestes, pelo pai babado que és , pelo teu rosto feliz, pela tua coragem de enfrentar a vida, pelo modo carinhoso que falas do teu rebentinho, força vai em frente serás o melhor pai do mundo .
Que daqui prá frente formem os três um lar perfeito com muito amor, compreensão e carinho que não vos falte saúde e trabalho para poderem criar, ver crescer e ser feliz a vossa filha, como eu tive o prazer de vos ver a vocês, Deus vos proteja, FELICIDADES FILHOS E NETA.

sábado, 8 de dezembro de 2007

A COMPRA DA CASA


Depois do falecimento da minha tia Irene a nossa estadia em casa iria mudar, a minha prima herdou a casa, falei com ela e como ela não gostava da casa propus compra-la, depois de várias propostas e contra propostas, ainda chegamos a ir ver casas para comprar, lá chegamos a acordo e comprámos a casa, também era vontade da minha tia que fossemos nós a ficar com a casa, e a partir de Outubro concretizamos um sonho nosso, termos a nossa casinha, todos ficamos satisfeitos pois sempre habituados a viver aqui ia ser difícil mudar para um andar.
Com algum dinheiro que tínhamos junto e um pequeno empréstimo ao banco lá pagámos a casa, depois foi começar a fazer planos para a remodelar, os quartos eram pequenos e queríamos aumentá-los , mudar o telhado, fazer uma varanda maior e fechar a varanda de traz, lá foram surgindo ideias, eu fui desenhando as plantas até que chegamos á ideia final, pedi a um engenheiro amigo para me fazer as plantas de alteração, e entreguei tudo na câmara para aprovação, e ficamos á espera.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MAIS UM ANO DE PERDAS

Mais três pessoas chegadas nos deixaram, o sogro do meu irmão sr. Silvestre, que depois de ter partido uma perna ao ser atropelado teve vários problemas de saúde e veio a falecer, pessoa muito amiga,adorava os netos e a filha a minha cunhada Aida, mulher do meu irmão de quem também gostava muito.
Depois passado pouco tempo faleceu a minha tia Irene, dona da casa onde moramos, depois de longos meses que ela passava em casa da filha, de vez em quando voltava para casa dela, desta vez veio, e um fim de semana foi logo de manha cedo ao café tomar o pequeno almoço, ao vir para casa sentiu uma dor no peito, mas subiu para casa dela e só mais tarde nos disse,quis ir com ela ao hospital mas ela não quis, disse que já tinha passado e que já lhe tinha dado mais vezes, almoçou connosco e depois subiu, disse que ia dormir a sesta,nós dissemos que a chamávamos para lanchar, quando a minha mulher sobe para a chamar ela está na cama e não responde, minha mulher aflita chama-me e vou ver, não lhe sinto o pulso, ainda está quente, ligo para o 115, vieram mas não havia nada a fazer,tinha falecido rebentara uma veia do coração daí a dor que ela sentira,morreu a dormir, sua expressão era serena e calma, não sentira a morte.
Mais um choque para nós,convivia connosco quase á vinte anos sempre nos demos muito bem, viu e acompanhou o crescimento da Célia de quem gostava muito,muito lhe devemos, pois nos recebeu depois de casados,a vida era difícil e nos arranjou a casa para morarmos,convivia muito connosco,sentimos muito a sua falta,por tudo o que nos fez, obrigado tia Irene jamais a esqueceremos.
Depois em Setembro a nossa afilhada Elsa que estava grávida teve um menino, filho muito desejado, era o primeiro filho, surgiram problemas e o Daniel não resistiu, poucos dias esteve entre nós,Deus levou mais um anjinho para junto de Si, foi a tristeza para todos nós,os pais destroçados, é sempre doloroso perder um filho e eles tiveram que superar esta difícil perda, a Célia também ficou muito afectada mas ganhou coragem e fez um poema dedicado ao Daniel que é lindo, ainda hoje ao relê-lo me comovo.
Que este anjinho que Deus levou seja a estrela que guie e proteja seus pais e irmãos.
Daniel ficarás para sempre em nossas memórias,serás recordado com muito amor e saudade, a tua mãozinha a apertar o meu dedo ficará para sempre em minha memória um beijinho Daniel, Deus te acolha em Seu regaço.

1997 MAIS VIAGENS

Começava 1997, e logo no final de Janeiro mais uma viagem, de 27 de Janeiro a 12 de Fevereiro lá vou eu, desta vez atravesso o Atlântico rumo ao México, viagem muito longa e cansativa, Lisboa, Madrid, Cidade do México, 12 horas de viagem sobre o Atlântico uma paisagem muito bonita, e lá chego á capital mexicana, muita poluição, dificuldade em respirar devido á altitude, apanho o autocarro para Puebla, cidade distante cerca de 120 km, e onde estava a ser construída a fábrica para as cablagens da VW, estava a ser chefiada por um engenheiro português, fiquei no mesmo hotel dele e passei a andar sempre com ele nas voltas pelas redondezas, ainda visitamos algumas cidades próximas, comprei uns recuerdos, uns sombréros, e umas camisolas, adorei os pequenos almoços no hotel, muita fruta, sumos naturais, umas belas omeletes, o comer era bom gostei muito dos "tacos" e a cerveja "corona".
Voltei lá de novo de 22 a 30 de Setembro, fui com o chefe de lá a Águas Calientes ver a fabrica dos VW Beatle, e fomos ver umas praias ali perto, a água era um espectáculo eram mesmo águas calientes!!!.
A próxima viagem foi á Polónia de 24 a 31 de Outubro, fui com um colega meu, o Américo que tinha sido imigrante na Alemanha, foi bom pois lá falam muito alemão e ele desenrascou, foi conhecer novos povos novas culturas, malta muito simpática e disposta a ajudar, recordo ainda hoje um almoço oferecido pelo chefe de lá, um prato típico de Gorzow, pernil de porco assado no forno, estava uma delicia,muito estaladiço, já comi em outros sítios mas nada igual aquele.
Por este ano terminaram as viagens mas pelas encomendas previa-se mais para o ano.

domingo, 25 de novembro de 2007

1996 MAIS 5 VIAGENS


Comecei o ano logo com uma viagem á Lituânia, a 8 de Janeiro via Hamburgo para Palanga, em pleno inverno, á chegada tivemos que andar ás voltas com o avião pois estavam a limpar a pista para aterrarmos, era neve por todo o lado, 22º negativos tivemos de ir a pé do avião até ao aeroporto, neve acima do joelho, o que vale é que fomos prevenidos, boas botas e meias ,luvas ,e um bom casaco, no caminho até ao hotel foi engraçado, as estradas lá até são largas, mas só cabia um carro,em volta neve com um metro de altura e o carro não andava, deslizava, nas curvas ora batia num lado ora no outro e lá seguia, estivemos lá 12 dias sempre com neve,na fábrica e no hotel andávamos em mangas de camisa estava quente o pior era para ir comer, mas bem agasalhados lá íamos, e que bem sabia o bom do gelado a todas as refeições, fazia aquecer, mas lá se passou, uma experiência nova que gostei.
A 2 de Março lá vou de novo, desta vez rumo a Brake no norte da Alemanha, sou recebido por um português que era chefe de secção lá na fábrica, tudo correu bem montei o carrocel e voltei 10 dias depois, foi nesta viagem que comi pela primeira vez os celebres "rafaellos", e que a partir daqui eram sempre certos cada viagem que fazia lá vinham os pacotes dos dito cujos, que a Célia muito gostava e ainda hoje os come, pois já cá se vendem.
Mais 2 viagens quase seguidas á Lituânia, de 4 a 20 de Maio e de 4 a 18 de Junho foi uma época de muito trabalho, mas também um ano de ganhar mais uns tostões, que bom jeito viriam a dar mais tarde, as viagens foram normais já nos movimentávamos á vontade, a cidade já não era segredo para nós, fazíamos sempre umas compras, as celebres casinhas, as madrioscas, as peças em âmbar, toalhas em linho, o bom do vodka, etc, e os rafaellos que comecei a trazer de lá pois eram mais baratos.
A fábrica estava já quase completa de carroceis, o pessoal de lá já sabia como montar e ficou combinado que o último que faltava seriam eles a montar, e assim foi conseguiram montá-lo, mas quando chegou á parte da programação aí é que foi pior, ainda dei algumas dicas pelo telefone mas nada, e lá tive que fazer a ultima viagem, de 1 a 4 de Agosto lá fui programar e dar mais umas dicas ao electricista deles foi esta a ultima vez que lá fui, ficaram imensas recordações e alguma saudade, ainda gostava um dia de lá voltar.
Por cá tudo ia bem, nós trabalhando e a Célia estudando, de vez em quando lá íamos ao Alentejo ver o pessoal, a minha mãe lá continuava em casa dela, vinha aos fins de semana estar connosco, e durante a semana lá se entretinha a fazer alguns trabalhos de costura e a conviver com as vizinhas .
Mas mais viagens se previam para 1997, pois começavam a chegar encomendas de carrocéis para o México e para a Polónia.
Mais um ano terminava felizmente tudo corria bem sem grandes problemas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

1995 MAIS DUAS VIAGENS


Depois de restabelecido do problema de saúde voltei ao trabalho em Abril, e ao chegar deparei com uma encomenda muito grande de carrocéis para a Lituânia, foi começar em força fazer quadros eléctricos para todos, e preparar todo o material para enviar para lá, e a 5 de Agosto lá vou eu com outro colega para lá ficarmos até 21 de Setembro, desta vez a viagem foi, Lisboa, Hamburgo e Palanga, que é um aeroporto mais pequeno mas fica só a 28 km de klaipeda.
Palanga tem também uma praia muito boa, que no tempo da União Soviética era praia exclusiva do líder comunista Leónidas Bresnyev, onde mandou construir uma mansão de férias em que até as torneiras do WC são de ouro, agora virou museu.
Este quase mês e meio foi passado a trabalhar, e bem até fizemos horas extras, mas ao fim de semana era passear para conhecer parte do país, e uns bons banhos no mar Báltico, conhecemos algumas cidades como Kaunas, e ainda fomos a Riga capital da Letónia, depois de tudo montado andámos duas semanas sem fazer nada, pois o carregamento dos últimos carrocéis atrasou na viagem devido a greves, foi só comer passear e dormir, até que foi decidido voltar e regressar quando os camiões lá chegassem.
Poucos dias cá tivemos, pois a 29 de Setembro lá fomos via Palanga de novo para montar os dois carrocéis que faltavam, e regressámos a 17 de Outubro, o tempo lá já não deu para praia mas continuámos com o convívio com o nosso amigo Marius.
Voltámos e até ao final do ano não saímos mais, nova encomenda e lá fui preparando nova remessa para o principio do ano seguinte.
Por casa tudo corria bem,fizemos algumas obras em casa, remodelámos a cozinha e casa de banho, contei com a preciosa ajuda do pai do Carlos, que é o marido da minha afilhada Elsa,o sr. José, que era um bom pedreiro e ladrilhador.
A minha mãe lá continuava em casa dela, aos fins de semana vinha até cá e lá ia passando menos mal, tirando um problema que teve quando lhe rebentou uma veia no nariz, e de madrugada me telefonou e tive que ir com ela para o hospital.
A Célia continuava na escola com bom aproveitamento.
Lá se passou mais um ano, o Natal foi passado no Alentejo e o Ano Novo em casa junto com a minha mãe.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O SIMPLES VIROU PESADELO

Fim de ano complicado, depois do falecimento da Felícia,veio mais um problema para mim, já me queixava á algum tempo duma dor provocada por uma hérnia inguinal, um esforço que fiz no trabalho, e no fim do mês de Novembro fui operado.
A cirurgia foi feita numa clínica particular em Lisboa, coisa simples e de restabelecimento rápido, palavra de médico, e de facto foi, tirando um problema com a anestesia, pois deram-me anestesia epidural mas !!!!!, quando o médico pede o bisturi e me corta eu dei um salto,disse-lhe que estava a sentir tudo, e ele pede para me darem anestesia geral, não me lembro de mais nada, acordo no dia seguinte já operado e sem dores , a seguir ao almoço o médico aparece, manda-me levantar e começar a andar, tudo corria bem e ao 3º dia vou para casa,a indicação era andar aos poucos, não fazer esforços durante um mês, e depois podia voltar ao trabalho, tudo corria bem, mas passado uns dias, ao acordar estou sem sensibilidade da cintura para baixo, não me consigo mexer, minha mulher entra em pânico, telefona ao cirurgião, ele veio ver-me e diz que não é nada da parte dele, falou ao anestesista e mandam-me ir para o hospital de S. José em Lisboa onde um colega dele me esperava.
Exames e mais exames e nada, eu não sentia as pernas, fui fazer um exame aos músculos e tendões com choques eléctricos para ver a reacção e o exame não acusou nada.
Mais de um mês se passou e eu sem melhoras, mais exames e tratamentos e nada, estava a começar a entrar em desânimo, não conseguiria mais andar ?.
Mas felizmente aos poucos lá comecei a sentir as pernas, agora estava era todo atrofiado, os músculos parados tanto tempo não respondiam, tive que começar a andar de muletas, passos curtos e dolorosos, muitas dores nas pernas, não tinha como estar, mas lá me fui esforçando, comecei a fazer caminhadas curtas perto de casa, a médica mandou-me por pesos nos pés e sentado elevar as pernas para fortalecer os músculos, tudo isto durou cerca de quatro meses, na ultima consulta ao hospital ,o médico ainda me confidenciou que podia ter ficado para sempre numa cadeira de rodas, que a epidural tinha sido mal dada, mas que esta conversa não passava dali.
Foram quatro meses terríveis mas com o apoio da minha mulher e da minha filha consegui superar, embora ficasse com problemas de tensão alta que até ai nunca tinha tido, e me tem impedido de puder dar sangue, a elas muito obrigado pela força e pelo apoio que me deram.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

MAIS UMA PERDA

Pelo meio destas minhas viagens, ia acompanhando com preocupação o estado de saúde da minha cunhada Felícia, já tinha ficado preocupado, quando pouco tempo antes dos meus anos ela me disse :
- Quero ir aos teus, já me estou a fazer convidada, e pressinto que é o ultimo que passo com vocês.
Confesso que estas palavras mexeram muito comigo, era hábito eles virem aos meus anos, e apesar dela estar mesmo muito doente, foi com muita força de vontade e alegria que nesse dia compartilhou comigo mais um aniversário, estava feliz e contente apesar do sofrimento em seu rosto,era uma mulher de fibra, lutadora e corajosa, os meses seguintes foram de luta feroz e muito sofrimento, mas aquela doença terrível não deu hipótese, por muito, e tudo o que foi possível fazer tanto pelo marido como pelos filhos, ela não resistiu, a minha "irmã " tinha-nos deixado.
Estava eu e minha mulher a trabalhar na firma, quando me chamam ao telefone, era a Célia muito aflita, "pai o que é que eu faço a tia Felícia morreu", foi o choque, depois de tanto sofrimento e luta Deus chamou-a para junto de Si, minha mulher ficou de rastos, a única irmã e tão amigas que eram, acompanhámos-a á sua ultima morada com muita tristeza e dor, confortámos e apoiámos seu marido e filhos, e a partir desse dia mais um dos nossos convívios de família tinha terminado, nada seria como dantes, ficava em nossas memórias para recordar eternamente, todos os momentos de alegria que passámos juntos, a sua energia, a sua boa disposição, a sua alegria contagiante, a boa esposa e mãe que sempre foi, jamais será esquecido por nós.
Ainda hoje recordamos com imensa saudade os Natais que passámos juntos, as Pascoas, os aniversários e os passeios, a tão falada tarte que a Célia nunca mais esqueceu, e o bem saboroso do arroz de pato.
Mais esta perda, tão importante nas nossas vidas, tornou-nos mais unidos, mais compreensivos ao sofrimento e a perceber que devemos lutar até ao máximo das nossas forças pela vida, foi a lição que ela nos deixou, uma mulher com M grande até aos últimos dias da sua vida.
Felicia, por aquilo que fostes para nós, para mim a irmã que não tive, o nosso muito obrigado, certamente Deus deu-te um cantinho muito especial junto Dele, nós por cá viveremos com a tua eterna recordação,por tudo o que partilhámos OBRIGADO FELÌCIA.

domingo, 28 de outubro de 2007

VIAGENS À LITUÂNIA

E lá vou eu, nova viagem ,novo destino, desta vez não vou sozinho, vou com pessoal da Indelma que iam para dar formação ao pessoal de lá, fomos a 3/6/94 e regressei a 12/6/94, montei um carrocel pequeno para começar a formação.
A viagem foi com destino a Vilnius, capital da Lituânia, com escala em Frankfurt, viagem óptima sem problemas, o nosso destino era kleipeda (Memel) que ficava a cerca de 300 km, fizemos a viagem de carro, chegamos já noite e ficamos no hotel com o nome da cidade.
No dia seguinte lá fomos para a fábrica, tudo correu bem, o pessoal que mandava era português e foi rápido a montagem do carrocel , ainda deu para conhecer a cidade, muito linda, fica junto ao mar Báltico, foi ocupada muito tempo pelos Alemães, daí o nome Memel, comia-se lá muito bem e barato para nós, pois para eles era caro ganhavam muito pouco na altura, as mulheres eram um espectáculo, todas muito bonitas, corpinhos bem feitos e tratados, os transportes é que eram muito maus, carros russos velhos a cair de podres, e não havia autocarros, eram carrinhas de nove lugares de particulares que por uma Lita, moeda deles dávamos a volta á cidade.
Um dos pratos que mais comemos lá foi o famoso "portugaliscas bifetek", um bom bife de vaca em vinha de alhos com a famosa batata frita, só que os pratos vêem muito bem apresentados, com verduras e frutos a fazer belos desenhos, e não esquecer o bom do gelado, eram taças enormes com seis bolas, mais frutas com bolachas e outros efeitos, uma autentica delicia, e no fim a não menos famosa vodka leituva, uma bela pomada.
Deixei-os lá a dar formação e regressei, havia de lá voltar mais sete vezes, a seguinte foi de 28/9/94 a 5/10/94 para montar mais um carrocel, todo o pessoal já tinha casa e eu fiquei sozinho no hotel, fiz nesta viagem um amigo lá, o Marius , um lituano que falava português e estava lá como tradutor, fui jantar a casa dele , mostrou-me a cidade, e comecei a trazer algumas peças de artesanato local, umas miniaturas de casinhas,peças de linho,trabalhos em âmbar pedra muito comum no báltico, e o bom do vodka, começou a ser bebida apreciada e consumida cá em casa, e em especial uma, que era feita com uma infusão de trinta plantas em vodka e que era muito bom para as constipações e gripes, o nome era "tris devinerios".
E lá regressei de novo a casa para fabricar mais carrocéis e mais viagens.