sábado, 5 de abril de 2008

MORTE DA MÃE

3 de Janeiro de 2006, recebo uma chamada do lar, o estado de saúde da minha mãe piorava, ao lá chegar ela estava com muita dificuldade em respirar, chamei o médico ele recomendou que ela ficasse a oxigénio,e assim ficou durante a noite,de manha fui lá estava mais calma,dei-lhe o leite,deu-me um leve sorriso, fui trabalhar e depois do almoço passei por lá, estava acompanhada pelo médico que falou comigo e disse que era melhor ir com ela para o hospital, pois o seu estado era mau e precisava de outros cuidados, e assim foi chamei a ambulância que a levou e eu fui lá ter de carro ainda a tempo de a ver entrar, dei-lhe um beijo e ela ao entrar levantou-se na maca e olhou para mim com um sorriso e os olhos muito abertos,ainda hoje guardo aquela imagem na memória,foi a ultima vez que ela me olhou,passei lá o resto da tarde ainda fui lá dentro mas só a vi de longe estava entubada e adormecida, mandaram-me para casa e que fosse lá no outro dia de manha.
Levantei-me cedo fui ao trabalho organizar algumas coisas para ir ao hospital,eram 8 e 40 quando tocou o telemóvel, era do hospital para eu lá ir falar com o director clínico, um arrepio percorreu meu corpo, pressenti o pior.
Fui recebido pelo director que foi frio e directo," Sr. Vasco a sua mãe faleceu esta madrugada,sem sofrimento e em paz os meus sentimentos", confirmava-se o meu pressentimento, a minha querida mãe deixava-nos, depois de quase dois anos de sofrimento Deus chamava-a,ela descansava e nós, o sofrimento passava a dor,tristeza e saudade, para mim foi difícil embora estivesse á espera, não foi um choque como a morte do meu pai, mas é uma dor diferente, mãe há só uma,e eu tinha acabado de perder a minha,paz á tua alma mãe querida.
Depois de perder o meu pai muito cedo e agora a minha mãe sentia-me órfão,rompia-se a ultima ligação ao passado á infância, ao amor e carinho que os pais tão bem e ao seu jeito sabem dar aos filhos, agora o passado é saudade, recordação e nostalgia,á que olhar para o futuro, para os filhos e netos que hão-de vir, pedindo sempre que o ciclo da vida se mantenha e que inevitavelmente sejam eles a sentir essa mesma dor.
Recebemos o corpo da minha mãe na igreja nova da Piedade, e ai compartilhamos com a família e amigos os últimos momentos junto dela, era chegado o momento sempre doloroso do ultimo adeus, e ao acompanhá-la a sua ultima morada uma profunda tristeza e dor me invadio, e ao dar-lhe o ultimo beijo de despedida naquele rosto sereno e já muito enrugado minha dor e emoção explodiu, tive de chorar e libertar todo o sofrimento por que tinha passado, e com o apoio da minha mulher e filha mais esta etapa difícil da vida foi superada.
Aurora mãe querida partiste para sempre do nosso convívio, mas em meu coração jamais serás esquecida, que Deus te dê um lugar especial junto Dele e na companhia do pai, bem hajas, onde quer que te encontres sinto que zelas por nós, obrigado por teres sido minha mãe, OBRIGADO MÃE um beijinho do tamanho do universo para o receberes onde quer que te encontres, ADEUS MÃE.

1 comentário:

Família Pipoca disse...

Foram de facto dois anos de muito sofrimento. Tu foste um filho excelente, fizeste tudo o que podias e não podias e decerto ela te ficou grata para sempre por isso.
Para ela terminou ali o seu sofrer, o descanso de que necessitava junto de Deus foi merecido, embora isso traga sempre muita tristeza a quem cá fica.
Foi triste receber o teu telefonema nesse dia a dar a triste notícia, inevitável e já esperada.
Também sinto saudades dela, muitos momentos recordo, e apesar de ter o seu feitio especial, muitas alegrias compartilhou conosco.
A entrega à sua última morada foi de facto um momento doloroso, como sempre é, mas a vida tem de continuar e cabe-te agora a ti exercer o mesmo papel que teus pais exerceram. Transmitir sabedoria, educação, alegria, experiência como pai e avô.

Beijocas.