Aos 11 anos faço a 4ª classe e a prova de admissão para entrar no ciclo preparatório, faço o 1º ano numa escola em Almada, ainda me lembro que tinha que me levantar ás 7h, ia a pé para lá chegar antes das 9h, quando tinha uma hora de almoço levava comer e quando tinha duas ia almoçar a casa, pois tinha escola todo o dia.
Recordo um episódio engraçado, um belo dia não tive aulas de tarde, em vez de ir para casa, fiquei com os colegas numa escada que tinha um corrimão de pedra, e nós lá íamos escorregando por ali abaixo,tal era o entusiasmo, que nem vi o meu pai passar por mim sem nada me dizer, em casa é que me procurou se tinha gasto o cú das calças,e não me livrei de uns tabefes.
Acabado os dois anos do ciclo preparatório,meus pais com algum sacrifício disseram-me para ir tirar um curso.
Tinha duas opções,ou ia para o liceu e tirava um curso comercial,ou,ia para a escola industrial e optava entre serralharia e electricidade, optei pela ultima,tirei o curso de formação de montador electricista.
Neste espaço de 5 anos tenho imensas recordações,a começar pelos piqueniques,muitas vezes no verão íamos jantar para junto do rio, levávamos uma toalha o farnel e lá passávamos o resto da tarde até anoitecer,antes do jantar claro não podia faltar um bom mergulho no rio,sim que nesse tempo, aonde até a pouco tempo era a Lisnave podia-se tomar um bom banho e até apanhar uns camarões .
No inverno os serões eram passados á braseira, normalmente com a companhia da tia Emília a jogar ao "não te irrites",ás cartas e a contar anedotas, sim que a tia Emília era especialista nisso, e nesse tempo não havia televisão, e rádio era para os ricos.
Os fins de semana de verão, ao domingo ou íamos para a praia na Costa da Caparica, ou para o campo, levávamos o farnel e passávamos lá o dia todo,isto se o meu pai não tivesse nenhum trabalho extra para ganhar mais uns escudos,outras vezes íamos para a Fonte da Telha, de Galéria, para quem não sabe,é uma carroça grande com quatro pneus, os da frente são direccionais, tem um varão central,e é puxada por dois cavalos, o condutor era o Ti Diogo e pagávamos vinte e cinco tostões, a viagem demorava uma hora e meia, mas era porreiro
e ainda tínhamos que descer e subir a rampa da Fonte da Telha a pé,não havia estrada.
Quando o meu tio Gerardo chegava das viagens,recordo que todos os sábados comprava berbigão,era comido ao natural,punha uma chapa ao lume e o berbigão em cima,comia mais quem não tivesse medo de se queimar,pois assim que um abria todos tentávamos logo apanhá-lo,só que a casca estava quente!!!.
O meu padrinho tinha ido para a Alemanha, e no verão, quando vinha de férias,o nosso petisco quase todos os dias, por volta das seis da tarde, era o bom do caracol,feito da taberna lá de Mutela, e que ainda hoje existe a "Laranjinha",ainda hoje sou doido por caracóis e a minha filha também .
sexta-feira, 13 de julho de 2007
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1 comentário:
E não saísse eu a ti, com a loucira pela caracol e pelos passeios, piqueniques e praia.
Beijocas.
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