Ainda muito novo recordo-me que mesmo em férias, eu e meu irmão tínhamos de ir á "mestra", que era uma senhora,a Dª. Ivone,que nos dava aulas, éramos muitos,eu estava em casa dos meus avós, e o meu irmão em casa da tia Maria Rosa que era irmã do meu pai, recordo-me que antes de almoçar, a minha avó mandava-me levar a merenda ao meu avô,que andava com as cabras no "sapoio",nome dado á encosta de Marvão.
Á noite esperava meu avô com ansiedade,pois ele ponha o boneco a dançar,o boneco feito por ele,enquanto guardava as cabras era todo articulado,então espetava um arame nas costas do boneco,sentava-se em cima de uma tábua,parte da tábua ficava fora do banco,e batendo na tábua com uma mão e segurando o arame do boneco com a outra,o boneco como era todo articulado dançava,quando se juntavam os netos havia sempre espectáculo ,ainda hoje esse boneco existe está com uma prima minha.
Anos mais tarde numa tarde de grande trovoada,junto ao "bardo",nome dado ao local onde se encerravam as cabras, meu avô é apanhado pelo rasto de um raio,morreram cerca de 30 cabras, e um castanheiro ficou rachado ao meio,meu avô ficou afectado no cérebro para o resto da sua vida,alternava momentos de lucidez com outros de total descontrolo ,ainda convivi com ele alguns anos em Mutela, pois passou a andar todos os meses em casa dos filhos,e muitas vezes tive que tomar conta dele,pois de repente se levantava, chamava pelas cabras e queria fugir para a rua, veio a falecer e pouco depois faleceu a minha avó.
Tenho uma foto de meu pai comigo e com meu irmão ao colo,numa dessas férias no Alentejo,com um chapéu de palha na cabeça,anos mais tarde meu pai tira uma foto com as netas ao colo,precisamente na mesma posição em que tinha pegado nos filhos,depois irei mostrar essa foto.
Passámos a ir de férias para casa do meu tio Joaquim, que passou também a ser o meu segundo pai,ele próprio o dizia, a ele e á minha tia Maria tenho muito a agradecer, pois durante os anos que namorei a minha esposa,foram eles que me deram casa comida e roupa lavada,são pessoas que sempre trabalharam tinham a sua horta,meu tio trabalhava com uma rectroescavadora, e a minha tia na horta e nas limpezas.
Algumas vezes ia ajudá-los, regava a horta, apanhávamos batata e outras coisas.
A eles o meu muito obrigado por tudo o que fizeram por mim.
Lembro com saudade o tempo em que íamos juntos á pesca, na Portagem passa o rio Sever ,e meu tio era especialista em apanhar peixe á mão,bons petiscos se faziam, recordo que ele mergulhava nos pegos mais fundos,e trazia um peixe em cada mão e outro na boca, velhos tempos !!!!.
Mas também se começou a fazer petiscos com o peixe do rio ás quintas feiras,porque na Portagem existe uma piscina natural no rio,ás quintas a piscina era limpa, abriam-se as comportas,e com escovas limpava-se o fundo e as paredes, no fim com o peixe que ficava na piscina a malta fazia um petisco.
Agora as festas, Agosto e Setembro são meses de festa rija, por todas as aldeias e vilas da região há festas,são as touradas,jogos tradicionais,ranchos folclóricos,variedades, bailes,procissão e comes e bebes.
E lá estávamos nós, na Portagem como festeiros tínhamos muito trabalho,fazíamos ospeditórios,percorríamos as aldeias em redor a dar o folheto das festas,a pedir uma contribuição para as despesas da festa,fazíamos os enfeites em papel para ornamentar as ruas,e as rifas para a carmesse.
Um dia,ía eu com o irmão da minha namorada o João José de motorizada,íamos para S.Julião,eu ía namorar e ele deu-me boleia,tivemos um acidente,como a estrada estava em obras com valas abertas,parámos para um carro passar mas!!!,o condutor, um senhor já de idade avançada não desfez a curva e pimba,em cheio na moto,eu fiquei ali no chão com a perna ferida,e o meu cunhado com a pancada caiu na vala,com isto tudo quem havia de aparecer!!!,a minha namorada,ela trabalhava numa fábrica em S.António das Areias,e vinha numa camioneta que as transportava todos os dias,lá fomos socorridos ainda andei umas semanas a fazer curativos á perna,pagos pelo dono do carro,que tambem me pagou as calças.
Recordo também os bons banhos que tomávamos,umas vezes íamos á piscina e outras aos pegos,o mais conhecido o "pego da andorinha", era bem fundo e dava para darmos uns bons mergulhos.
No seguimento do bidon de alcatrão, fomos chamados á GNR a Marvão, alguém viu e nos denunciou,o primeiro a ser ouvido foi o João Manuel,o nosso amigo era filho dum comerciante e o mais novo, a GNR começou a ameaça-lo e ele confessou,eu, meu irmão e o meu primo sempre negámos, apesar de termos sido ameaçados que nos batiam,lá pagámos todos uma multa (os nossos pais)e ficou tudo resolvido.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
1 comentário:
O Alentejo têm sempre histórias pra contar, e uma delas ainda este fim de semana a ouvi!!!
Belas férias!
Beijocas.
Enviar um comentário